Estudantes de Design Gráfico desenvolvem um infográfico sobre modificação corporal

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Um grupo de estudantes formado por Cristiane Yumi, Camila Aya, Heitor Muramatu e Michele Alyssa do curso superior de Design Gráfico da Faculdade Belas Artes, São Paulo, desenvolveu uma pesquisa afim de construir um infográfico sobre modificações corporais. Nós do FRRRKguys convocamos pessoas para responderem a pesquisa, através de nossa fanpage no Facebook e através do grupo Reflexões das Modificações Corporais, também hospedado na mesma rede social. O resultado da pesquisa, já no formato de infográfico você confere acima. 

Em novembro de 2016 o total de 260 pessoas responderam a pesquisa, desse número, 72,7% consideram que ainda existe um estigma na sociedade com as práticas de modificar o corpo. Nós fazemos parte desse número e acreditamos com bastante força que o estigma pode – e deve – ser desconstruído através da educação e informação. Tal crença é o que nos segura e não fez com que nossas portas fossam baixadas. 

A tatuagem e o body piercing se apresentam como as técnicas mais populares entre as pessoas que responderam a pesquisa. De fato são técnicas que foram assimiladas pela cultura de massa e empregadas no cotidiano, basta olhar para as ruas, publicidades, filmes, novelas, séries e afins. O que é uma transformação que tem acontecido gradativamente em nossa cultura.

A busca pela individualidade está como um dos principais motivos para se realizar as modificações corporais. É importante lembrar que várias pessoas que pesquisam a temática, das mais distintas áreas dos saberes, apontam que as marcas corporais ou modificações corporais sejam parte da construção de identidade das pessoas. Nós defendemos a ideia de que essas práticas sejam entendidas como práticas culturais e fazemos coro com estudiosas e estudiosos sobre a construção do self, de si, da identidade. 

A questão do dinheiro segue entre as principais causas para que as pessoas não façam modificações corporais. Acreditamos que podemos ler essa informação por duas vias: 
– Não ter dinheiro para arcar com o procedimento escolhido;
– Não conseguir se manter financeiramente por conta das modificações corporais;

Sobre o segundo apontamento, a exclusão do mercado de trabalho formal de pessoas com modificações corporais ainda é uma triste realidade, o que é contraditório, uma vez que como mencionamos acima a tatuagem e o piercing tenham sido assimilado pela cultura. Talvez levaremos mais algumas décadas para que essa exclusão social – que é uma violência –  tenha uma mudança significativa e efetiva, muito embora reconheçamos que pequenas mudanças já se deram. 

Por fim, gostaríamos de falar sobre os 21,8% que afirmam não ter modificações corporais. A nossa teoria é de que todo corpo vivo é um corpo modificado. Temos que romper com a noção limitada de que modificação do corpo seja só implante na testa ou tatuagem ou o body piercing e, principalmente, não podemos nos esquecer que cortar as unhas, alisar o cabelo, clarear os dentes, comer, dançar, fazer esportes, o ócio, a medicina e incontáveis ações alteram os nossos corpos ao longo de nossas vidas. Nesse sentido, todo corpo é modificado e começar a olhar para o mundo através desse prisma é um primeiro passo para começar a derrubar os seus preconceitos sobre o que um corpo pode ser e fazer. 

 

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