Intenze apresenta vídeo manifesto de uma geração

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A marca norte americana Intenze lançou recentemente um vídeo manifesto de nome “It’s your life, It’s your skin” (em livre tradução: Esta é sua vida, Esta é sua pele). A Intenze é um estúdio com grandes profissionais da tattoo, loja de venda de materiais (principalmente séries de desenhos e tintas) e ainda uma universidade.
Não demorou para que muitos tatuados começassem a replicar o material nas redes sociais, dando sinais de que a mensagem passada pelo vídeo foi muito bem acolhida pelo público alvo. Como curiosidade, o vídeo oficial (alocado no canal do Youtube da marca) foi menos visto do que uma edição traduzida para o português.
Gostamos muito do vídeo e comungamos da ideia de liberdade das individualidades no mundo contemporâneo. Igualmente compreendemos e sentimos a força da manipulação midíatica, política e econômica para que sejamos marionetes, fantoches ou coisa que o valha.
Ser “diferente” assusta e historicamente falando sempre foi assim. Não é um fenômeno exclusivo do nosso tempo e tão pouco unicamente pelas marcas que escolhemos ter em nossos corpos. A discussão vai mais além.
Repetindo, gostamos do vídeo sim, mas ficamos preocupados com algumas sugestões deste. Primeiro, nunca na história da sociedade ocidental tivemos tantas pessoas tatuadas como temos hoje; sejam as tatuagens que vestem o corpo todo ou as pequeninas em lugares específicos e potencialmente particulares. Será então que todas essas milhares de pessoas tatuadas estão realmente em busca de uma individualidade – no sentido de ser/ter uma identidade única – ou apenas preocupadas em adentrar no espaço do lugar comum? Talvez nos anos 20 ou 50 do século passado ser tatuado ainda pudesse ser lido como um sinal de unidade, a coisa do ser um em um milhão, mas hoje? Os estúdios de tatuagem sairam dos guetos e ganharam os espaços luxuosos dos Shoppings. O que é ótimo como processo de evolução histórica e assimilação cultural, mas que nos provoca para refletir ainda mais sobre o manifesto Intenze.
Outra questão bastante preocupante é essa aparente tentativa de transformar uma pessoa muito (ou pouca)  tatuada em quase que um ser mítico, possuidor de uma coragem divina e quase que intocável em sua grandeza. Mas ao mesmo tempo o coitadinho, frágil e vítima das estigmas sociais. Não concordamos com esse pressuposto de que uma pessoa tatuada seja quase que um super herói e tão pouco com a vitimização deste sujeito, ainda que saibamos – muito bem – do poder do preconceito. A única coisa que uma pessoa tatuada tem de diferente de uma não tatuada,  é o corpo marcado ou não. Nada mais e nada menos. Mas partindo do pressuposto de que nenhum corpo é igual ao outro…. Bem, tão logo somos todos diferentes e únicos. Ser igual é uma falácia. O que precisa ser igual são os direitos para todos: homens, mulheres, negros, brancos, gays, transexuais e etc. E como sabemos estamos super distantes dessa realidade.
A mensagem do vídeo nos remeteu ao “O Homem Duplicado” de Saramago, onde o autor circula e constrói críticas sobre a identidade – e a ausência desta – na contemporaneidade. Será mesmo que a tatuagem é suficiente para a criação de uma identidade nesse mundo tão dinâmico e voraz? Refletimos.
Pensando o Brasil, que é o país em que vivemos, existem tantos e tantos problemas de imensuráveis ordens (educação, saúde, meio ambiente, miséria e a lista segue sem fim) que ficar levantando a bandeira pelo direito apenas de ser tatuado nos soa estranho e não desce bem.
Nossos corpos – o que abarca a pele que habitamos e que diz tanto para a sociedade – são armas de grande potência em um possível jogo de bio poder.
Tatuados ou não, precisamos sim sair da zona de conforto do conformismo e lutar mesmo por um mundo mais digno, não só para a nossa geração, mas para todas que ainda virão. Acreditamos que possamos fazer milhares de coisas que exigem muito mais coragem do que simplesmente marcar os nossos corpos.
Somos apaixonados pelas marcas corporais e gostamos de refletir sobre aquilo que envolve o “nosso mundo”.
Confira o vídeo abaixo.

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