Não existe idade para ser feliz e se autoconhecer

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Teré realizando sua segunda suspensão depois dos 70 anos. Foto: César Pessoa, 2017.

Embora a suspensão corporal seja uma prática cultural muito antiga, o discurso de senso comum – que usualmente desconhece e nega toda a sua historicidade, complexidade e riqueza – simplifica e resume tudo dizendo que é coisa de: jovem; jovem rebelde; juventude. Isso nas melhores das hipóteses, considerando que ainda existe o discurso patologizante que vai dizer que a suspensão corporal é coisa de: doente mental; gente com distúrbios, psicopata; etc. Tanto é, que segundo o 1º Censo Brasileiro de Suspensão Corporal (2017), 92% das pessoas que participaram da pesquisa disseram que existe preconceito sobre a prática. 

Acho que passou da hora de entendermos que não existe uma idade pré-definida para que as pessoas sejam felizes, explorem suas mentes e seus corpos e que se autoconheçam. Dito isso, é importante saber que não há uma delimitação fixa de idade para que as pessoas façam suspensão corporal. Nesse sentido, o artista australiano Stelarc é bem emblemático, aos 66 anos de idade em 2013 ele realizou mais uma de suas performances envolvendo a suspensão. Ora, mas a suspensão corporal não era coisa de jovens? Pelo visto nunca será. 

No Brasil com a popularização da prática, a suspensão tem encontrado praticantes de diversas idades. Em 2017 tivemos dois casos de grande beleza. O José Luzia Pimentel, conhecido como Teré, é mineiro, avô, tem 76 anos de idade e realizou em Agosto a sua segunda suspensão corporal com a equipe Uai Fly Suspension. Dois suicides depois dos 70. Talvez ele seja a pessoa com mais idade que se tem registro a ter realizado suspensão corporal e isso é fenomenal. 

Foto: César Pessoa, 2017.

Foto: César Pessoa, 2017.

Foto: César Pessoa, 2017.

A Mary Kahlert é gaúcha, tem 67 anos de idade, é avó e realizou a sua primeira suspensão corporal com a Surreal Crew Suspensão Corporal e o Diabos Mutantes. Segundo sua filha, Marie, há planos para uma segunda experiência. É o poder!

Foto: acervo Surreal Crew, 2017.

Foto: acervo Surreal Crew, 2017.

A vida é uma só e é nela que temos que explorar todas as potencialidades que temos e descobrir aquelas tantas que acreditamos não ter. Ser feliz e buscar ser feliz é o caminho. Se for através de uma corrida no parque ou uma suspensão corporal com as pessoas que você ama, não importa. Quem define o que te faz bem e feliz é você e ninguém mais. 

Em todo caso, se você pretende fazer uma suspensão corporal, lembre-se: procure sempre profissionais com capacitação adequada e desfrute de cada milésimo de segundo. Tenha você 18 ou 78 anos. O corpo é seu, a decisão é sua. 

 

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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro “A Modificação Corporal no Brasil – 1980-1990” e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.