Todas as novidades sobre o lançamento do novo álbum do Diva Muffin. Cuidado com os cachorros!

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Foto: divulgaçãoCover01

O Diva Muffin é um projeto de música made in Brazil e vai lançar um novo álbum no dia de 19 de Abril.
Já escrevemos várias vezes sobre eles por aqui, pois além do som ser muito bom, a body modification, a body art, a performance art, estão circulando pelo que eles produzem. A exemplificar, Substance T., que foi primeiro videoclip do Diva Muffin tem cenas de suspensão corporal. Elemento presente também em alguns shows.
Sem mencionar os corpos tatuados dos próprios integrantes do projeto. No começo Henrique Pucci e Droeee, atualmente somente o último citado.
No último domingo fizemos uma entrevista exclusiva com Droeee, que nos contou tudo sobre o novo álbum, Beware of Dogs. O papo foi produtivo e acabamos falando sobre tantas outras coisas.
Você confere tudinho logo abaixo. Para baixar Beware of Dogs, clique AQUI.

T. Angel: Quando você começou a trabalhar no cd novo?
Droeee: Tive a ideia do cd novo no Halloween de 2011. Resolvi tentar manter o Diva Muffin com o Henrique, mas, fazia muito tempo que a gente estava tocando junto… Ele é um pouco complicado de contar, de horário e essas coisas… Então avisei que não dava mais para ficar tocando com ele. Só que daí no outro dia eu falei, porra, já faz um tempo, sabe¿ Faz tempo que eu venho me dedicando ao Diva Muffin, fazendo várias coisas. Também não acho justo agora simplesmente jogar fora. Até conversei com ele depois, que me falou “não continua aí, continua utilizando o nome”. Foi até melhor, porque logo depois ele entrou no Project46, saiu do Paura. Ele está bem mais feliz tocando nessa banda, sabe¿ Acho que as coisas acabaram funcionando bem por conta disso.
Mas então, no Halloween, eu… Estava, vestido de cachorro…

Pausa para risos

Eu estava morando com dois amigos. Era um casal, em Los Angeles… Eles estavam no meio de uma briga porque o cara tinha aceitado hospedar o cachorro de uma amiga que estava viajando. A mulher dele ficou puta da vida porque ele não tinha avisado.
Eles começaram a brigar por conta dos cachorros, eu estava vestido de cachorro e com os cachorros no meu quarto e todo mundo com cara de bosta… Pensei, acho que é uma boa ideia falar sobre cachorros.
Depois no outro dia eu vi a placa Beware of dogs, falei, caralho… Legal!
Coincidentemente, eu sou chato, você sabe que eu gosto de reclamar… Eu ficava reclamando muito que em Los Angeles não se achava livraria. Eu não falava das coisas boas que tinha, só falava das coisas ruins, do que não tinha. Até que achei uma livraria por lá. Meu, uma livraria super legal… Comprei um livro sobre os cínicos. Descobri que a palavra cínico vem de kynikoy, que inclusive é nome de uma música, que é tipo, como se fosse um cachorro, o estilo de um cachorro… Porque os cínicos eram chamados dessa forma, eles eram tipo os cachorros que tinham na rua. Pregavam que a gente deixasse de lado os valores materiais, enfim…
Achei interessante um monte de coincidências e conclui que era uma boa ideia.
Comecei a compor várias coisas lá em LA. Depois voltei para São Paulo, fiquei aqui só um mês. Fui para o interior e lá gravei muita coisa… Eu tinha bastante tempo, aliás, esse foi um dos motivos para eu ir para lá. Tanto é que quando acabaram as gravações falei, agora eu vou embora.
Voltei para São Paulo, agora é hora de lançar o disco. Não posso lançar aqui no interior.
É isso.

T. Angel: Você falou um pouquinho do Diva Muffin, da sua dedicação e de repente parece que ficou meio incerto o destino que o projeto teria. Isso até que você tomou a frente, com a concordância do Henrique, de levar o projeto no solo. Houve realmente a ideia de acabar com tudo?
Droeee: É por algumas horas. Tipo, de uma noite para a outra, sabe¿
A gente tinha conversado no Skype e falei, não dá mais e tal, coisa de namorada. No outro dia eu falei, porra não é justo, preciso continuar com isso.
Na real o Henrique me apoiou, tanto é que ele participa desse disco, gravou bateria em duas músicas, está fazendo a masterização comigo e me apoiou bastante mesmo. Acho que foi a melhor coisa cara.

T. Angel: Então hoje o Diva Muffin é o Droeee e o Henrique Pucci seria um colaborador de tantos outros que colaboraram?
Droeee: Não sei se só um entre outros, porque ele conhece toda a trajetória… Na verdade a ideia do Diva Muffin é dele, então, não é só mais um, claro.
Inclusive várias vezes ele ainda fala “Isso aqui tá legal”, “isso aqui não está legal”, a gente tem essa abertura. Acho isso muito importante.
Ele é um cara muito talentoso, então não tem porquê… E a gente é super amigo, tanto é que a gente mora junto hoje. Então, não tem porque ser diferente…

T. Angel: A parceria de vocês já vem do Dollflesh?
Droeee: Vem do Dollflesh. Bastante tempo já, quinze anos…

T. Angel: O Dollflesh encerrou quando¿
Droeee: 2005.

T. Angel: E o Diva Muffin iniciou?
Droeee: Começou em 2006.

T. Angel: Em 2006 o Diva Muffin, intervalo quase zero…
Droeee: Quase zero, quando o Dollflesh terminou a gente tinha passado um ano fazendo as bases das músicas. Eu e ele.
A gente já estava super “azeitado”, sabe¿ Estava funcionando muito bem. Ele falou, “vamos dar continuidade ao trabalho e tal”. Eu falei, beleza!

T. Angel: Eu fiz algumas anotações das músicas do álbum novo, das sensações que eu tinha ouvindo. São só aquelas que você me mandou?
Droeee: Sim.

T. Angel: Quantas no total?
Droeee: São sete músicas novas.

T. Angel: Sete músicas no cd novo. Vai ter alguma introdução de alguma faixa antiga?
Droeee: Somente faixas novas.

Poster03

T. Angel: Eu queria que a gente fizesse agora um comentário faixa a faixa…
Droeee: Tá.

T. Angel: A primeira é Kynikoy. A música tem uma pegada, de acordo com a minha sensação, próxima do Aphex Twin. Foi o que eu senti.
Ela tem uma levada mais eletrônica. Digo mais eletrônica porque eu percebo que nas outras faixas tem a presença da guitarra, um ar mais rock ‘n roll e essa eu percebi que é mais da e-music mesmo. Queria que você falasse mais do processo de criação dessa faixa.
Droeee: Essa foi uma das primeiras músicas que surgiu, a melodia veio enquanto eu estava andando de bicicleta lá onde eu morava em North Hollywood. Cheguei em casa e comecei a fazer no teclado e tal. Depois acabei colocando bastante guitarra. As guitarras eu já gravei aqui, no interior na verdade. Os vocais também. Acho que é a minha música preferida dessas, sabe¿
Eu entendo quando você fala do Aphex Twin, porque eu acho que tem uma coisa mais suja nessa música, que é muita guitarra na verdade. Eu gravei muitas guitarras só que com uma base mais dançante.
Primeiro surgiu a base, os sintetizadores e tal. Depois falei, vou dar uma sujada e coloquei as guitarras. Também os vocais mais tarde. Acho que foi uma das últimas coisas que eu gravei. As bases foram uma das primeiras coisas que eu gravei e a guitarra e os vocais foram  as últimas.

T. Angel: Foi a primeira faixa que você trabalhou, não?
Droeee: Foi. Eu já tinha ideias anteriormente, mais antigas, sabe¿ Tipo, a melodia de Legends ou de Beware of Dogs, eu já tinha isso. Mas que eu comecei a trabalhar mesmo, a primeira foi Kynikoy.

T. Angel: A próxima é No reason. Eu já vejo nela e, acho que escrevi para você a primeira vez que eu a ouvi, que ela tinha uma pegada que me remetia aos anos 90. A coisa da música eletrônica daquele período, que aqui no Brasil era o começo. Uma pegada mais technera de pista mesmo e ao mesmo tempo uma coisa super atual que é o Die Antwoord. Acho que tem uma ida para esses ares dos africanos. Queria que você comentasse…
Droeee: Curioso você falar do Die Antwoord, eu nunca associei essa música com eles.
Acho que sim, que é uma coisa meio anos 90 e mais atual. Acho que a coisa mais atual pelos timbres que eu acabei utilizando na parte mais percussiva. Talvez seja isso que você associou com o Die Antwoord.
Eu quis colocar muito piano… Acho que tem muito piano na verdade em todas essas músicas e uns pads mais anos 90. Uma coisa mais suja meio anos 90.
Só que a percussão, quis colocar uma coisa com muita pressão, uma coisa mais atual, sabe¿ Então, vejo sim essas duas coisas que você falou.
O vocal foi feito pela Jenny Heise, ela é ex namorada um amigo meu. Quando eu a ouvi cantando pela primeira vez, ela tem uma uma banda bem pop que chama Kelsey, eu achei muito legal… Falei, preciso gravar essa menina!
Daí um dia, eu estava lá no interior ainda, então vim pra cá, para casa da minha ex namorada só para gravar com ela. Foi legal.
Depois que eu ouvi acabei mudando um pouco do que eu tinha feito dos arranjos… Mudei bastante os arranjos por conta do que ela gravou. Eu tinha uma ideia inicial e ela acabou colaborando de uma outra forma. Mudei o arranjo por conta da colaboração dela.
Acho que essa é uma das músicas mais pops. Eu gosto dela.

T. Angel: A próxima é Cocaine Talk, que tem uma coisa mais big beat, essa foi a sensação que eu tive. Ela já é mais pesada, indo para o rock eletrônico ou punk rock… Qual foi o processo?
Droeee: Cara, essa música eu tinha composto para uma outra banda que eu estava tocando antes de ir para Los Angeles. Hoje eles se chamam Marble Stone. É, eu tinha composto pra eles, só que são muito enrolados… Acabei saindo da banda e tal, mas resolvi que iria gravar essa música.
Acho que foi uma das mais trabalhosas, que eu fiz várias versões. Porque eu tinha a ideia da melodia e não tinha tanto a ideia de como iria ser o arranjo e tal. Acabei fazendo várias e experimentando as coisas.
Foi legal que eu inventei uns jeitos de gravar guitarra na música, passei a guitarra no vocoder. Não sei se alguém alguma vez na vida fez isso, mas ficou legal.
Realmente é a mais suja, mais gritada, acho que nunca coloquei muitos vocais sem muito efeito. Acabei por fazer sem muitos efeitos e com uma massa de vários vocais juntos.

T. Angel: Deu um ar mais pesado…
Droeee: Mais pesado, sim…

T. Angel: Do que fala Sada Abe Blues?
Droeee: Sada Abe foi uma mulher que viveu na década de 30 e teve um romance avassalador com um cara. Ela acabou matando esse cara estrangulado, enquanto eles estavam fornicando. Ela cortou o pinto dele e saiu com o membro pelas ruas de Tóquio. Foi presa, tipo, delirando… Depois ela saiu da prisão e viveu mais um bom tempo livre, depois da guerra e tal. Tem um filme, o Império dos Sentidos que conta essa história.
Daí comecei a pensar e se ele tivesse sobrevivido¿ Entende¿ Daí é uma canção que é como se fosse o cara falando assim: “olha vivi uma paixão muito forte antes e acabei cortando o meu pinto, por conta da minha ex namorada. Seria a melhor coisa a fazer para manter a minha pureza, mas agora estou apaixonado por você”.
Acho que fala, no fundo fala de você se entregar… Intimamente eu sou uma pessoa muito passional. Você fica com cicatrizes né¿ Depois que você vive um monte de coisas. E como você lida com essas cicatrizes nos outros relacionamentos. A letra veio por conta disso.
Quem gravou o vocal foi o Rodrigo Carneiro, que é vocalista do Mickey Junkies. Conheço o Rodrigo faz muito tempo, o Mickey Junkies é uma banda bem antiga. Ele tem um puta vozerão e é um cara super inteligente. Eu o enviei  a letra, expliquei o que eu queria dizer, ele gostou bastante da ideia e resolveu colaborar.

T. Angel: Ainda falando dessa faixa, ela tem uma levada blues, que inclusive está no título. Ao mesmo tempo eu percebo que ela é bastante experimental. Não sei se a palavra é experimental, mas ela tem uma coisa mais de propor outros caminhos da música.
Droeee: Sim, é uma música que eu não me preocupei que fosse dançante. A primeira coisa que veio foi a melodia, que é uma coisa mais blues. Comecei a criar a letra…
Acho também que essa música veio muito conta de eu ter me dedicado mais ao piano. Um pouquinho antes de começar a compor esse disco eu estava estudando bastante o piano. Sabe, estava pegando umas aulinhas, então, acabou me ajudando a compor isso melhor.
É realmente um blues e ao mesmo tempo uma coisa mais experimental. Acho que você tem razão, mais uma vez.

T. Angel: Olha eu analisando a cadeia hereditária do Diva Muffin. Falando na Beware of Dogs, que inclusive é o título do álbum, nela eu já percebo que é uma música muito dançante… Acho que é uma música para show, pista e que não deixa as pessoas paradas. Ao mesmo tempo eu sinto nela um humor…
Droeee: Sim, ela começa com um tecnobrega e termina, tipo, metal. No meio do metal tentei colocar o maior número de clichês possíveis. Uma hora fica meio trash metal, uma hora industrial, outra hora fica umas coisas meio, você diz isso não é metal, mas fica meio misturado com metal. Tem uma coisa meio drum ‘n bass… Uma coisa meio stone rock
Sim, tem bastante humor nessa letra, nessa música. Eu já tinha a ideia da letra do cachorro, dog, au au… Gatinho, cat, miau… Eu falava, como vou fazer disso uma música¿
Que bom que você acha que seja uma música dançante…
O Henrique gravou a bateria e o Vinny do Project gravou a guitarra… E até falaram, deixa a introdução menor, eu falava, deixar a introdução menor¿ As pessoas não querem aceitar que começa meio tecnobrega… Sei lá, eu gosto disso, gosto do tecnobrega…
Eu vou deixar, daí tipo, fiz com a maior seriedade, por mais que possa ser engraçada. Fiz de uma forma séria.
Até me lembro uma coisa do Caetano Veloso quando ele canta “Um tapinha não dói”, em um DVD que ele lançou alguns anos atrás… Ele falou que as pessoas vaiavam e ele falava, meio ridículo isso, que as pessoas vão e falam assim aplaudi na hora certa, vaiei na hora certa… A gente é muito quadrado né¿ Para ouvir coisas diferentes…

T. Angel: Ouvir, ver, lidar com a arte de um modo geral…
Droeee: Exatamente.

T. Angel: Por ser a faixa que dá nome ao álbum tem uma responsabilidade maior¿ Algum tratamento diferenciado em relação às outras. O que acontece¿
Droeee: Não, não tem não. Na verdade eu já tinha uma ideia da letra e tal, depois que pensei em colocar o nome Beware of Dogs. A música veio antes, aí depois vem o nome do disco, depois eu pensei em colocar o nome dessa música de Beware of Dogs.

T. Angel: E agora a gente vai falar de Anubis. Música que eu carrego um carinho especial…
Droi Evil: E a sua preferida!

T. Angel: É, ela é a minha favorita e faz parte, enfim, a gente vai falar disso depois… Mas eu queria que você comentasse um pouquinho o processo criativo de Anubis.
Droeee: É a última música que eu comecei a fazer… Tem sampler do filme Anticristo do Lars Von Trier… Que eu achei um filme sensacional… Ele é meio misógino né?
Mas esse lance da natureza ser o anti Cristo e da relação mais próxima das mulheres com a natureza, do que os homens… Esse filme me deixou meio abalado.
E também tem um sampler do Muddy Waters. Tinha pensado numa coisa mais oriental para essa música… Foi uma junção de todas essas ideias.
Acho que é a música que tem o maior descuido da minha parte em termos de procurar um sentido por detrás daquilo. Foi simplesmente juntar ideias. Eu gosto desse processo de você juntar ideias. Recentemente eu li uma entrevista de um cara que tinha colocado um poema em ordem alfabética… Eu comecei a fazer muito isso. Peguei um monte de letras de músicas ou de poemas que eu gostava, comecei a colocar tudo em ordem alfabética e depois fui ler. Dá um outro sentido muito legal. As vezes né¿ As vezes é só uma bobagem… Mas muitas vezes funciona e você tem uma outra leitura daquilo. Eu gosto de trabalhar desse jeito. Esse é um lance comum das músicas do Diva Muffin.
Dessa vez foi só essa música que eu tive essa despreocupação de falar, sabe, não vou escrever uma estorinha, um enredo… Fui simplesmente juntando coisas. Gostei do Antichrist, falei, vou samplear isso da cena que eu achei bem legal. Depois Muddy Waters que eu estava ouvindo bastante, falei, ah vou samplear esse trechinho. Comecei brincar também muito com um equipamento novo e a música surgiu muito por conta disso. De experimentar em um brinquedinho novo. E ela acabou…

T. Angel: Sendo mais eletrônica de repente?
Droeee: Talvez cara. Não tinha pensado por esse lado não. Ainda mais porque eu estava mexendo no controlador Akai APC20 e acho que tem essa cara mais eletrônica por conta disso sim.
É a que menos toquei e que eu mais programei.

T. Angel: Você falou bastante do piano. Nesse álbum, acho que é um diferencial comparando com os outros, a introdução do piano nas músicas. Queria que você falasse um pouquinho da sua relação com o piano. Principalmente dessa relação nesse álbum novo.
Droeee: Eu gosto muito do som de piano. Funciona tão bem… Te oferece tantas possibilidade, sabe? De você ser percussivo ou de ser melódico. Você explora muito a harmonia. É um instrumento muito completo.
Eu tinha me dedicado bastante, nos últimos tempos, a aprender um pouco mais guitarra e tal. Dessa vez eu falei, putz, eu vou aprender mais piano… É, eu gosto dom som. Acho que a possibilidade que ele te dá, sem que você tenha que apelar para o uso de efeitos. É um instrumento muito completo. Por isso que ele está tão presente. Tanto o piano quanto também os tipos de baixo que eu usei. Busquei sempre o mesmo tipo de baixo. Que é uma coisa mais dubstep. Não estou falando que o disco seja dubstep, não é nada disso, mas eu busquei muito essa influência. Fiquei ouvindo muito dubstep enquanto eu fazia o disco. Eu procurei fazer uns baixos dessa forma. Acho que são os instrumentos mais marcantes. Esse baixo e o piano.

T. Angel: Faltou a gente comentar uma faixa. Não a ouvi pronta, mas peguei o processo. Queria que você comentasse um pouco também sobre Legends.
Droeee: Meu, essa música tem uma cara meio retrô. Fiz sampler, tipo, dos discos do Jackson 5. Também estava ouvindo muito Earth, Wind and Fire, Chic, são coisas que eu gosto muito. Eu já tinha uns pedaços dessa letra também há muito tempo. Falei, puta, agora preciso compor isso aí. Realmente com coisas bem antigas, sabe?
A ideia de Legends veio de um dia que eu estava num bar fuleiro, falando com a mulher mais feia que eu já vi na minha vida… Daí chegou um cara que começou a conversar com a gente, um sujeito super inteligente… Daí chegou um outro que começou a conversar também, ele virou para mim e falou: “man, we are talking about legends”.
Ela fala do desejo de você fazer uma música para se fazer sucesso. Pra ser o próximo, tipo: isso sim, você vai conseguir o sucesso; Nessa música vai conseguir!
É um desejo meio bobo, mas meio constante para todo artista. Dessa vez vai… Acho que a música é meio irônica em relação a isso.
Ela é longa, quis fazer uma coisa muito exagerada, sabe¿ Uma coisa solo de piano, um solo de sintetizadores, então… Gosto bastante dessa música…

T. Angel: Eu escrevi que, quando a ouvi lá atrás, era super comercial, no bom sentido… Acho que uma das mais do cd novo. E que ela tinha a cara do sucesso. risos
É engraçado ouvir você falando agora que ela fala justamente sobre isso, “essa é a música”. Porque na realidade a música é realmente boa. Mas ter isso por trás é engraçado. Irônico quase.

T. Angel: Agora eu queria um comentário geral do álbum. O que você quer dizer com esse álbum¿ O que o Beware of Dogs trata?
Droeee: Acho que é o disco mais pessoal, com certeza. Também eu quis muito exorcizar alguns demônios, colocar para fora umas melodias que eu já trazia comigo há muito tempo. Acho que ele tem muito mais um trabalho de composição, não que tenha mais, mas acho que eu consegui dividir isso melhor, a hora que foi a composição, a hora que foi a produção, a hora que foi gravar. Isso acontece muito com a música eletrônica, você começa a mexer em um equipamento novo… Você tira um determinado som e daí a composição vem por conta disso. Então a produção e a composição vão acontecendo ao mesmo tempo. Esse eu pensei numa outra coisa. Acho que também o lance de ter muito piano é porque eu compus muita coisa no piano. Compus muita coisa na guitarra ou simplesmente gravando a minha voz. Então, eu tive primeiro esse trabalho de compor e depois de produzir. Não aconteceu ao mesmo. Acho que isso acabou fazendo com que o disco tenha essa cara, sabe¿
Também acho que, o que eu estava falando de ser mais pessoal… Depois eu comecei a pensar Beware of Dog? Mas de que cachorro eu estava falando¿ Comecei a ver que era o cachorro que carrego dentro de mim, entendeu? Acho que você sabe, você mais do que ninguém sabe disso, agora como mudou a minha relação com os cachorros. Quando eu era pequeno, sempre gostei de cachorro. Eu fui mordido por eles, algumas vezes. Nunca teve um momento que passei a não gostar deles, mas eu tinha medo. Depois eu comecei a morar lá em Los Angeles e é muito comum as pessoas terem cachorros. Antes eu ficava um pouco apreensivo com pessoas que falam que gostam mais de cachorro do que de gente. De repente comecei a me ver nessa situação.
Esse cachorro que eu estou falando para ter cuidado, sou eu mesmo. Entende? Tipo, meu lado mais cachorro bravo que eu carrego dentro de mim e que preciso tratar dele, como eu trato um outro cachorro. Saber ter voz de comando, por maior que seja esse cachorro.
Por muito tempo eu fiquei escondendo muitas coisas, eu nunca falava direito, minhas letras nunca foram muito explicitas. Sempre procurei falar de um jeito muito figurado. Esse eu já comecei a fazer diferente, eu vou me expor o máximo que eu conseguir. Mas o fato de eu ter trabalhado antes desse jeito mais enigmático, me causou um pouco de dificuldade para me expressar.
Ah tipo, eu vou falar assim desse jeito, a coisa aconteceu desse jeito… Eu quis colocar tudo mais literalmente.

T. Angel: O processo de adoção de um cachorro teve alguma influência nesse cd?
Droeee: Teve, acho que começou antes com os cachorros lá em Los Angeles, a gente se dava muito bem. risos
Daí depois ter adotado um cachorro, cara foi assim, fez parte… Engraçado…
O cachorro e o disco estavam ali. Todo dia tinha que dar comida, carinho para os dois, entende¿ Comecei a me regrar muito nesse sentido.

T. Angel: Você falou um pouquinho de influências, do dubstep por exemplo. Eu percebi que o cinema também é uma referência muito forte pra você. Não sei se só nesse álbum, pelo que a gente conversou, eu sinto isso. Eu queria que você falasse um pouquinho das influências para o Diva Muffin, num geral e especificamente para esse álbum.
Droeee: Engraçado você falar isso, você não é primeira pessoa que menciona isso. Muitas vezes as músicas do Diva Muffin soam como trilha sonora. Acho que sou um diretor de cinema frustrado, por isso eu faço música. risos
Porque elas contam uma estorinha, eu busco isso. Para mim compor tem uma coisa muito visual. Eu tenho que pensar muito em uma paisagem, um enquadramento, uma fotografia, em uma luz para aquela música que eu estou compondo. Isso realmente é muito importante. Mas acontece muito naturalmente. Acho que tem a ver um pouco com o tipo de música que eu ouço. Mas sempre, sempre, sempre, em todas as minhas composições acompanham imagens.
Quando eu fiz o clip da outra vez, é engraçado, você tem algumas imagens e aquilo acaba se transformando em outra coisa, mas… Não tem como fugir.
Eu sou fã de cinema, gosto muito de assistir filme. Assisto muitas vezes filmes com uma caneta do lado, falo, ah vai ter alguma legal, preciso samplear isso aqui. Aí fico anotando o tempo em que estava aquela determinada fala. Com o Anticristo foi isso. Comecei a assistir daí cheguei numa parte e falei não, não, vou voltar. Comecei a anotar as cenas que eu achava legais para samplear.

T. Angel: Mas além do cinema tem alguma outra influência ou referência¿
Droeee: Outro tipo de arte¿ Acho que não. Mais o cinema mesmo.
Não, claro, mas daí já não é arte… Filosofia me influência demais. As artes plásticas, eu sou meio ignorante para as artes plásticas.  Não sou conhecedor, mas eu gosto, me influência sim. Mas o cinema pra mim é realmente forte. Tem a coisa da sequência, do plano…

T. Angel: O álbum sai dia 19 de Abril?
Droeee: Dia 19.

T. Angel: Como que ele vai ser disponibilizado?
Droeee: Nada é de graça nesse mundo. As pessoas tem que pagar. Pagar com um twit ou uma menção no Facebook. Ou você pode doar dinheiro que também eu aceito. Você tem essas opções: ou dá um twit falando que você baixou, coloca no Facebook ou você faz essa doação.

T. Angel: Muito legal. Bem dizer é gratuito?
Droeee: Nada é de graça. Eu não dou mais cd, uma coisa que eu aprendi. Não dê nada, nunca. Porque as pessoas não dão muito valor, é foda isso né¿ Se você cobra R$1,00 já muda a relação. Infelizmente hoje a única entidade metafísica que eu acredito é no dinheiro.
Cara, porque fala, vamos fazer isso, naquela camaradagem, é triste isso… É chato, mas, eu não vejo, não vi outro jeito para coisa acontecer. Quando eu comecei a mixar o disco encontrei um amigo meu que foi um cara que tocou comigo no Dollflesh, fez o disco da banda… Falei pra ele, preciso mixar, ele falou, manda pra mim… Ai perguntava, mas e aí como que a gente vai acertar¿ Ele falava, ah depois você me paga uma cerveja. Cara, eu fiquei super incomodado com isso. Daí até que eu passei todo o trabalho pra ele, que viu que a coisa era séria… Ele falou, vamos acertar um preço X¿ Me senti muito mais tranquilo em relação a isso. Não acho que isso seja injusto, é o trabalho dele. Sabe, é uma coisa que também eu prezo, não tem porque ser diferente.
Tipo, o mercenário, mas…

T. Angel: Então só para reforçar, o álbum vai estar disponível na internet. Ele vai ser físico também em cd¿ É possível? Não?
Droeee: Já vou falar o que vai acontecer futuramente. Já conversei com alguns amigos, alguns dj’s, eles estão fazendo uma versão remix do álbum. Pretendo lançar no futuro as sete músicas originais com o remix.  Daí sim, tipo, o cdzinho físico para as pessoas comprarem. Por enquanto só download.

T. Angel: Você contou um pouco desse processo capital, de divulgação do trabalho, de produzir o trabalho em si… Eu queria que você comentasse um pouco, ser artista independente da música no Brasil. Como que é essa relação pra você¿ Até porque você acabou de produzir um cd novo e tudo mais.
Droeee: Super complicado isso. Eu estava assistindo um vídeo da Patti Smith falando, conselhos que ela dava para os jovens artistas. Ela falava isso, primeiro do lance de não ser pago. Sabe, fuck you. Tipo, como assim¿ Não é a vida, não é o mundo que a gente vive. Não adianta você falar eu sou artista e posso viver de ar. Ao mesmo tempo que ela falou, que na década de 70 em conversa com o William Burroughs, e ele falou assim: “construa um nome, faça um nome”. É meio contraditório isso, meio paradoxal. Construir esse nome é não se vender, ao mesmo tempo que você não quer se vender, mas você quer que as pessoas te comprem. Você precisa ter essa consistência, você precisa ter um trabalho que não passe uma imagem indigna para as pessoas, do que é você como artista.
Eu tenho essa necessidade de compor, eu preciso compor… Toda vez que eu começo fazer um disco, eu falo esse aqui vai ser o último. Mas meu, ontem já comecei a compor novas músicas. Eu tenho essa necessidade, é difícil muitas vezes para as pessoas entenderem. As vezes eu entro em choque com algumas coisas. Por exemplo, eu estava comentando com uma amiga minha e ela não entendia o porque da minha indignação por existir o Banco Santander Van Gogh. O Van Gogh foi um fodido cara. O Van Gogh vendeu um quadro na vida dele. E não acho que ele queria isso. Acho que ele queria e buscava, sabe, o reconhecimento. Ele pintou pra cacete, até o final da vida dele. Foi sustentado pelo irmão dele, devia ter tido uma vida horrorosa. Mas mesmo assim ele estava ali pintando. E hoje é uma coisa muito bonita você ter um Banco Santander Van Gogh. Ele não teria uma conta lá, eles não o aceitariam. risos
Entende¿ É difícil. Você tem esse lado romântico, que muitas vezes as pessoas zombam de você. Tipo, porque você está se importando com isso¿ Só que é muito difícil você largar mão.
Eu lembro que em uma conversa que eu e o Henrique tinha, há cinco anos atrás: hoje a gente continua tocando, a galera que começou tocar com a gente, a maioria não toca mais.
Hoje a nossa conversa já é diferente. É assim, você se vê daqui há dez anos sem tocar¿ Não. Não me vejo. Independente do que eu tenha que fazer, sabe¿ Trabalho, ralo, para pagar o disco, para fazer com que a coisa aconteça. As vezes você fica duro, sem grana, mas tipo, isso compensa para caralho. Compensa muito. Gosto de ouvir as minhas músicas de seis ou sete anos atrás e falar, caralho eu fiz isso há sete anos atrás¿ Ontem foi em casa um cara que eu vou produzir o disco dele agora… Ele me mostrou uma música que eu estou cantando Mudern Beatnik, porque eu tinha passado pra ele há maior tempo. Quando a gente estava conversado nessa época de montar uma banda e tal. Falei, caralho eu não tenho isso velho. Ele disse, ah eu tenho… Isso é muito legal, você ver o que você fez escapolindo de você e tomando outras proporções. É difícil, às vezes é foda, tem vezes que é deprimente. Às vezes as pessoas não te entendem. Às vezes você se passa como um ingênuo, como um tonto… Mas ao mesmo tempo, tem outros momentos que você fala caralho, muita gente, nunca vai entender o que é essa sensação. Você mostrar o seu trabalho e aquela coisa se transformar. Acho que essa coisa de se transformar na mão de outros, no ouvido de outras pessoas, isso cara, compensa.

T. Angel: Eu te entendo. É, você falou dessa coisa da música ir para os outros e a gente sabe que tem uma discussão muito forte, acho que no âmbito mundial, com a questão do copyright e copyleft. Queria saber a sua relação com esses copies¿ Até porque tem os djs trabalhando agora e tudo mais…
Droeee: Sabe que eu acho chato¿ Eu acho que muitas vezes quem está defendendo essa questão do common copyright é gente que não faz grana com música. Entende¿ Isso não quer dizer que os caras sejam ruins, acho que, você tem que ficar alimentando uma coisa que poderia acontecer de uma outra forma. É que hoje vou tem tanta oferta, tanta oferta de arte, que você tem que acabar entrando nesses esquemas ai. Você já assistiu aquele filme Good copy, bad copy? É um filme sensacional. Fala sobre o lado positivo e o negativo dessa questão dos direitos autorais. Por um lado ele mostra o Girl Talk, um dj que mistura tudo.
Meu, se eu fosse pagar pelos samplers que eu uso, não compensaria nunca… Fiz sampler do ACDC, Michael Jackson
Bem, o Girl Talk tem um monte de processo… Daí você ouve uma propaganda, você está assistindo televisão, você ouve um jingle… Você vê que o cara descaradamente copiou uma outra música, só que esse cara não vai ser passível de ser condenado ou ser processado, porque ele mudou, tipo, um pouquinho da música… Mas você sabe que ele chupou do outro cara. Então é muito complicado tudo isso. Também tem a questão da pirataria. Não acho legal  a pirataria do jeito que é, não acho legal camelô vendendo cd, sabe¿ Essa é uma coisa muito preguiçosa. As pessoas acabam consumindo coisas com qualidade para lá de ruim, sabe, por uma economia burra. Acho muito foda também, que mais me incomoda é essa mentalidade de que os outros tem de, ah é legal você ir para o bar, encher a cara, gastar uma fortuna com cerveja, mas você se recusar a pagar um artista que está lá, que muitas vezes você estava cantando a música com ele. As pessoas se sentem espertas. Sou do vip. Entrar sem pagar… E você acaba gastando muito dinheiro com outras coisas, sabe¿ É meio questionável isso.
É muito complicado pensar hoje na indústria fonográfica. Beleza, acabaram as gravadoras, legal. Mas o que que tem¿ E agora, o que restou?
Vejo um movimento muito interessante, acho que o Project46, eu convivo com eles, são um ótimo exemplo disso. Eles estão vivendo agora do underground, conseguiram muita projeção por conta disso, por conta da internet, por esse tipo de mídia, sabe, que está no controle deles. Mas ainda você vê as pessoas, assim, comprando DVD pirata de um filme que foi filmado com uma câmara dentro do cinema.
Mais uma vez citando o que eu estava falando da Patti Smith, ela falou um negócio muito legal, que nós somos adolescentes no mundo da internet. Agora é a hora de errar… Porra, é isso mesmo. Não somos mais crianças, mas ainda estamos fazendo umas cagadas, acertando em outras coisas.

T. Angel: Saindo um pouco da parte burocrática e entrando agora na parte visual do Diva Muffin. Acho que sempre houve uma preocupação, desde os primeiros álbuns lançados. Acredito que esse chegou em um pico, um grau de sofisticação muito interessante. Queria que você falasse da arte do álbum e da relação do Diva Muffin com essa questão.
Droeee: A arte foi feita pelo Butcher Billy. Eu estava considerando, pensando, ah vou chamar uma molecada… Mas pensei, quem que eu acho maior fodido hoje¿ Eu tinha visto aquela série que ele fez dos vilões… Antes dos pastores, eram os vilões da nossa história misturados com os vilões da Marvel e da DC. Falei, nossa sensacional!
Daí, tem aquilo que falei pra você a hora que eu cheguei. Do sucesso estar relacionado à sua velocidade na resposta. Pensei, vou escrever para esse cara, posso ouvir um não, beleza. Ele pegou, me respondeu, tipo, com muita rapidez: “gostei da música, tô dentro”. No outro dia a gente já tinha conversado tudo. Ele é muito aberto às ideias, só que no final ele acabou fazendo o que ele queria. risos
O que eu acho ótimo.
Ele quis misturar uma coisa meio Sigue Sigue Sputnik, a gente começou dar uma pesquisada nisso. Aqueles cachorros Lulu da Pomerania, cachorros super de madames. Ele misturou várias referências da década de 80, 70 e aí junto com os cachorros. Aí depois ele deu a ideia de chamar como se fosse uma banda, Diva Muffin and the Dog Gogs. Achei bem legal.
No cd também vão ter, quando as pessoas baixarem, mais artes feitas por ele. Pra isso precisa baixar. Já vem o pacote.

T. Angel: Chegando no final. A gente poderia falar das previsões de shows e ações ao vivo. Como está essa questão?
Droeee: Estava quase me convencendo a montar uma banda. Só que eu tenho uma necessidade grande de trabalhar, sabe, sem ter que contar com ninguém. Eu preciso disso. Preciso ter certeza de que eu vou estar lá, todo mundo que precisa estar, vai estar lá… Então, melhor que só eu esteja lá, entende¿ Eu estou voltando a repensar o show. Pensei sim em colocar algumas performances. A Emilia Aratanha, a gente tem conversado bastante sobre isso. Acho que é bem interessante. E tem um outro menino que talvez toque teclado comigo. Ainda precisa ver isso.
Eu realmente não estive preocupado em fazer isso, pensar como vai ser ao vivo. Na verdade, é uma das coisas que eu tinha planejado, não vou pensar no ao vivo agora, vou fazer o disco.
Pode ser que, com certeza vou tocar… Mesmo que seja só discotecando, ou tocando teclado, cantando junto… Ou, com essa versão um pouquinho maior, com mais um ou dois tecladistas…
Mas agora o meu plano é divulgar bastante o cd e pensar nesse remix. O Angelo Malka do We Say Go, o Edu Mussi que toca no Ascension of the watchers, uma banda de Nova Iorque. O Mario Malukinho também. Já passei as músicas pra eles, vamos ver o que acontece.
Eu também vou fazer um ou dois remixes dessas músicas.

 

 
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