Conhecer e preservar a nossa história é importante.
Vamos falar de suspensão corporal na indústria cultural. Aqui, possivelmente se trata de uma suspensão cênica/falsa mas que ainda assim é importante para propagação da cultura, principalmente considerando o período e contexto cultural.
Mil novecentos e noventa e três.
Olhando para história da suspensão corporal contemporânea, sabemos que ela aparece em diferentes produções da indústria cultural, na maioria das vezes de modo representacional, exceto nas produções mais recentes que investem e sustentam em ter a suspensão corporal de verdade em cena. Aqui, vamos analisá-la dentro das produções de videoclipe.
Embora o senso comum associe pessoas com modificações corporais, freaks e praticantes da suspensão corporal estrita e limitadamente com a branquitude do rock ‘n roll, do metal e do punk, o primeiro videoclipe que levou a suspensão corporal para televisão foi de um grupo estadunidense de gangsta rap.
Em 1994 o Eazy-E (1964-1995) – em parceria com Kokane (1969-presente) e Cold 187um (1967-presente) – lançou a canção Any last werdz, que trata sobre crime, violência, pobreza e precarização da vida. Foi o último videoclipe realizado por Eazy-E antes de sua morte em 1995, vítima da AIDS.
O videoclipe de Any last werdz foi lançado em 1994 e contou com a direção de Edward Louderback (sem informações públicas). A obra de audiovisual tem uma estética sombria que dialoga com a poética da canção. E é possível acompanhar uma suspensão corporal dentro do que se pretendeu contar o filme de 5:15 de duração. Primeiro vemos pés soltos no ar. Entre cortes, temos uma cena de uma pessoa negra suspensa em posição vertical pelo peito. Curtos frames da suspensão se repetem, até que vemos o corpo prostrado no chão. Fim.
Importante dizer, nunca temos a visão do corpo inteiro solto no ar. Quando a câmera abre, há sombras que cobrem partes do corpo principalmente as pernas, o que indica suportes corporais para construção cênica.
Segundo consta nos registros localizados, a suspensão corporal buscava representar a dor e os pensamentos de uma pessoas em seus últimos segundos de vida. A proposta foi a de ter imagens gráficas fortes para contrapor com a ideia trabalhada de violência. A leitura que fizemos – vendo e revendo o videoclipe – a suspensão corporal ali está mais próximo de algo como redenção. Em nossa interpretação, pouco percebemos a relação com a dor em uma perspectiva negativada.
Os artistas envolvidos no videoclipe pretendiam que as produções audiovisuais do rap fossem mais artísticas e criativas, o que não era um posicionamento comum naquele momento. Funcionou, o videoclipe ganhou status de cult.
Embora tenhamos o entendimento de que não seja uma suspensão corporal real, escrevemos para pessoas envolvidas com a produção para obter mais informações. Se em algum momento houver resposta, voltaremos a falar de Any last werdz, caso contrário, ficam nossas últimas palavras.
