O filme 47 Ronins, de fantasia e ação, foi lançado em 2013 (no Brasil em 2014) e contou com a direção de Carl Erik Rinsch (1976-presente). É baseado na história dos quarenta e sete Ronin do século XVIII no Japão.
É um filme que aborda a modificação corporal, exclusivamente com a presença do Rick Genest (1985-2018), conhecido internacionalmente como o Zombie Boy. Seguindo o padrão do estereótipo da indústria cultural e cinematográfica. que coloca freaks e pessoas com modificações corporais na categoria da vilania, aqui há uma repetição, Genest é um capataz. Um descartável capataz.
A imagem de Rick Genest foi bastante explorada em todo material de divulgação do filme, incluindo teasers, trailers e cartazes. Tivemos a sensação que ele teria uma grande participação e visibilidade no longa, ainda que fosse no lugar da vilania. No entanto, não é o que acontece, o capataz aparece em 43:54 e desaparece em 44:19, ou seja, o seu tempo de tela não chega em um minuto.

O que pode ter acontecido? O seu corpo presente fortemente na divulgação e no filme em si uma rápida e descartável participação. Honestamente ele é inserido de modo sem sentido, sem justificativa, jogada dentro daquele contexto de forma aleatória, algo como “vamos colocar um corpo esquisito aqui”, apenas para jogar, apenas para explorar. Freakshow.
Rick Genest na época – e talvez ainda hoje – tenha sido o maior ícone que representava a comunidade da modificação corporal e comunidade freak. Ele era gigante. É com ele que vemos o corpo monstro, freak, sendo associado com a beleza, como nunca vimos antes. Em 2011 ele estampou a coleção de outono/inverno da Mugler. No mesmo ano o vimos no videoclipe de Born this way com Lady Gaga. Seu corpo passou a frequentar as principais passarelas e editoriais de moda. Ele era realmente gigante – quando da produção da obra – e não foi respeitado em 47 Ronins.
É possível falar em drásticos cortes de cena, uma vez que algumas imagens que temos em trailer, não vemos no filme. Há rumores que ele foi sendo cortado pelas mudanças e reescritas da obra. O que abre brecha para questionamento, uma vez que no material de publicidade sua imagem seguiu sendo explorada. Por quê?
Exploração. A melhor palavra para definir o que se passou com Genest em 47 Ronins e que, infelizmente, se repete em outras produções é exploração. Utiliza-se e descarta-se as corporalidades freaks como qualquer coisa porque é assim que a máquina da hegemonia funciona.
É preciso romper com esse padrão.
Rick Genest, presente!
