Bloco dxs Freaks marcou presença na 30ª Parada do Orgulho LGBT+

Iniciamos o micro Bloco dxs Freaks em 2017 na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, tempo que não havia ainda nem bandeira do Orgulho Freak e nem o Dia do Orgulho Freak. Marchamos por alguns anos ali e depois acabamos marchando em outros territórios, com muita força na Marcha do Orgulho Trans de São Paulo, que anunciou o seu fim agora em 2026.

Muitos fins sendo anunciados. Vocês estão a ouvir?
Muitos começos sendo anunciados. Vocês estão a percerber?

É sempre um micro bloco esquisito. Freaks vem, Freaks vão… E um pequeno grupo sempre permanece até o fim. Andando de mãos dadas, com dancinhas estranhas, abraços calorosos e sorrisos escandalosamente lindos.

Em 2026, a parada sendo ameaçada pela extrema-direita, ano de eleição, fascismos gritantes e políticas antitrans espalhadas por todos os cantos do mundo, sentimos que era importante voltar ocupar as ruas na marcha de onde brotamos. As monstras sempre re-voltam dizem por aí… E lá estivemos. Ocupando, Marchando… Nos nossos próprios termos.

Muitos encontros e reencontros. Nossos corpos esquisitos ali ocupando, marchando e marcando o território e o cenário de arco-íris ao mesmo tempo. Laranja estranho, verde limão esquisito e rosa bizarro. Tatuagens, piercings, implantes e línguas bipartidas.

Ocupamos. Marchamos. Marcamos.

Voltamos para casa com a sensação de dever cumprido naquele curto recorte de tempo, mas com a sensação também de que nosso trabalho é gigante. E embora não saibamos se conseguiremos, esperamos ter força para seguir adiante por mais um tempo.

Abraço freak!

Até mesmo porque percebemos que há muito para superar e resolver e que envolve um trabalho/ativismo político-pedagógico.

Básico 1. Não superamos o estereótipo de que pessoas freaks sejam estritamente rockeiras e esperam de nós o comportamento de caretas de pessoas do mal, sinal de chifres com as mãos e línguas para fora. Uma pessoa literalmente pediu para tirar uma fotografia do nosso bloco que deveríamos fazer o sinal de chifre com as mãos. É…

Básico 1. Não superamos o afastamento de pessoas freaks cis-heterossexuais enquanto aliadas de luta na rua. A cis-heterossexualidade é esse infinito oceano de privilégios que a pessoa pode escolher ser aliada apenas no Instagram.

ADENDO: O Bloco dxs Freaks é movido também pelo desejo de aproximar a comunidade LGBTQIAPN+ da comunidade freak e ao contrário o mesmo movimento. Desafio grande, mas temos no proposto e de algum modo – micropolítico – conseguido.

Básico 1. Não resolvemos a nossa própria organização enquanto comunidade freak. É trabalhoso, é cansativo e algumas vezes (muitas vezes) os sentimentos que brotam são complexos e pesados demais.

ADENDO: Ficamos a marcha toda fabulando que precisamos ter um grupo organizado para montagem de faixas, cartazes, material educativo, entrega de adesivos sobre nossa cultura e comunidade. Entrega, entrega, entrega, sabe?

Agradecemos quem esteve construindo essa formação de Bloco dxs Freaks.
Que ele possa ser acionado em outras tantas marchas nos mais diversos territórios.
Não esperem apenas por nós. Não dependam apenas de nós.
E lembrem-se sempre: definitivamente há muito para se fazer.