Uma pequena conversa com Lia Samira sobre a celebração do Orgulho Freak no Chile

Fotos: MK

Temos dito que a Comunidade Freak está sendo construída na América Latina de um modo diferente de tudo o que já vimos e vivemos até aqui. Foi-se o tempo – para nós – que apenas os homens cisgêneros e heterossexuais – com ascendências/perspectivas eurocêntricas – que construíam as coisas e detinham o protagonismo de tudo. Agora mulheres cis, trans e travestis, pessoas queers, freaks e monstras estão construindo outros mundos com muitas mãos. São outras formas de se olhar para todas as coisas e intervir naquilo que temos até aqui. É uma importante revolução.

No dia 21 de Junho celebramos o Dia do Orgulho Freak. Tivemos uma bonita celebração no Brasil, mas que ainda não conseguimos escrever sobre. Estamos no processo de decantar, demora, ou tem seu próprio tempo… Mas sabe… Tivemos uma belíssima celebração – pela primeira vez – no Chile e é sobre esta que pretendemos conversar um pouco.

Não podemos ainda nos duplicar ou teletransportar, mas tem horas que queríamos muito. É verdade…

Pulling coletivo pela celebração do Orgulho Freak. Foto: MK

Fomos acompanhando por fotografias nas redes sociais as preparações todas. Da primeira chamada, a organização do dia, o cuidado como cada camada foi sendo posta… No dia 21 de Junho – com muita emoção – conseguimos ver o que se passava por lá, quase que em tempo real… Conversas, risas, leitura do Manifesto Freak, as perfurações corporais, o ritual de força coletivo (pulling) e as performances. Os sorrisos impressos e expressos nas fotografias enchiam o nosso coração. Queríamos atravessar a tela e abraçar aquelas pessoas, que são as nossas pessoas ou como gostamos de dizer: nossa gente freak!

Conversamos com Lia Samira, uma das pessoas que fez a chamada e organizou o Dia do Orgulho Freak no Chile. E com muita alegria compartilhamos com vocês abaixo. Torcemos para que quem sabe algum dia, consigamos reunir todo mundo no mesmo tempo e espaço. Sonhar está liberado…

Lia Samira em leitura do Manifesto Freak. Foto: MK

FG: Como surgiu a ideia de celebrar o Dia do Orgulho Freak por aí?
Lia Samira: Acompanho as atividades online do FRRRKguys há vários anos. Em 2023, viajei ao Brasil para participar da Susparty, organizada por Karine Guimaraes; durante a estadia, também participei de uma reunião de um Grupo de Estudos Sobre Modificação Corporal, onde conheci T. Angel e membros da comunidade “freak” de São Paulo. Me pareceu muito interessante e importante o trabalho e temas que falaram. Em 2026, também tive a oportunidade de voltar ao Brasil e me conectar com pessoas da comunidade de modificação — vindas não apenas do Brasil, mas também do Chile e da Argentina. Diante da crescente força e união dessa comunidade, Karine sugeriu que também celebrássemos a ocasião no Chile. Minha amiga Ivanna adorou a ideia, então decidimos organizar um evento comemorativo em grupo para divulgar o trabalho do FRRRKguys e fortalecer a Comunidade Freak no Chile.

Pulling coletivo pela celebração do Orgulho Freak. Foto: MK

FG: Como foi a experiência?
Lia Samira: Foi algo verdadeiramente lindo e espontâneo. Embora o encontro tenha sido organizado em cima da hora, muitas pessoas compareceram para acompanhar e participar da sessão de pulling em grupo, para muitas delas, foi a primeira vez com gancho. Muitas pessoas também se sentiram inspiradas a compartilhar sua arte — pinturas, cerâmicas, poesia, burlesco e muito mais. O apoio e a abertura das pessoas participantes foram maravilhosos. O que mais chamou a atenção foi o fato de que muitas pessoas não se conheciam previamente, elas vieram por curiosidade e pelo desejo de se conectar. Sem dúvida, essa experiência nos mostrou que o Chile possui uma comunidade com grande potencial e um forte desejo de compartilhar mais.

Orgulho Freak em Chile 2026. Foto? MK