Mamilos polêmicos: aceno para a história do body piercing no Grammy

A 68ª cerimônia anual do Grammy Awards aconteceu no último 01 de Fevereiro de 2026. Em seu célebre tapete vermelho tivemos a passagem da artista estadunidense Chappell Roan (1998-presente), trajando um vestido transparente e que enfeitava o seu corpo utilizando piercings nos mamilos.

É certo que os piercings nos polêmicos mamilos eram artificiais, assim como muitas tatuagens que adornaram o seu corpo na cerimônia, porém, além de trabalhar uma discussão momentânea sobre possibilidades com as perfurações corporais, a composição faz um importante aceno para a história contemporânea do body piercing.

Chappell Roan no Grammy. Foto: Isabelle Passaglia / reprodução

O Body Piercing Archive resgatou a informação de que em 1998 o estilista francês Thierry Mugler (1948-2022) levava para a passarela de moda, corpos com perfurações reais no mamilo para composição de seus looks. A modelo belga Erica Van Briel (sem dados públicos) teve um vestido desenhado exclusivamente para ela, após Mugler saber sobre seus piercings no mamilo. Era um vestido preto de musseline.

Erica Van Briel para Thierry Mugler em 1998. Foto: reprodução / Body Piercing Archive

É importante reforçar que a moda transnacional da década de 90 e começo dos anos 2000 ajudou muito na propagação e visibilidade positiva das modificações corporais e da cultura freak. O estilista Mugler era um grande apaixonado pelas modificações corporais e cultura freak, ele foi a pessoa que levou para passarela o Zombie Boy (1985-2018). E pessoas criadoras do Brasil fizeram parte dessa movimentação e impulsionamento.

Um ano antes do desfile do Mugler, em 1997, tivemos aqui no Brasil o desfile de Lino Villaventura (1951-presente) com a modelo Marina Dias (1976-presente) e seu mamilo perfurado. É possível assistir um trecho do desfile AQUI, porque as fotografias – em que o mamilo está visível – são raras em redes sociais porque elas odeiam o corpo das mulheres. Conteúdos misóginos tudo bem, mas um mamilo de mulher “aí já é demais”.

Marina Dias para Lino Villaventura em 1997. Foto: reprodução / Pinterest

Erica brincou em sua conta no Instagram dizendo que a Chappell a colocou nos trending topics novamente. E recordou dizendo que na época pensou que o vestido não fosse funcionar pelo receio do peso, mas que era um tecido leve e que tudo saiu muito bem. Tão bem que mesmo 27 anos depois segue sendo referenciado e recordado por novas pessoas criadoras de moda. Referências, meu bem, referências.

Piercing é história!