Analisando o eyeball tattoo no Brasil – 2012-2019

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A pesquisa busca colaborar com a redução de danos do procedimento. Foto: Thaís Liborio

Realizamos uma pesquisa de janeiro a julho de 2019 para entendermos os efeitos do procedimento de eyeball tattooing, também conhecido como pigmentação do globo ocular.

Participaram da pesquisa de modo voluntário um total de 40 pessoas. Todas elas de diferentes partes do Brasil.

A pesquisa não tem como objetivo incentivar ou fazer apologia para que se realize o procedimento. Busca-se através dela entender os desdobramentos e efeitos da técnica no Brasil e, ainda, conhecer sobre a saúde ocular das pessoas que decidiram – por escolha própria – pigmentar os seus olhos. A pesquisa está debruçada em dados de um pequeno grupo de pessoas, todavia, considerando a baixa incidência da técnica quando comparada com outros procedimentos, se faz relevante os seus resultados.

Antes de adentrarmos nos resultados em si, apresentaremos breves históricos da técnica, afim de criar uma contextualização.

HISTÓRICO DO PROCEDIMENTO

O método de injeção para tatuar os olhos foi inventado por Shannon Larratt (1973-2013) e realizado por Luna Cobra pela primeira vez no Canadá, em 01 de julho de 2007. Na ocasião, que se assumiu enquanto experimento, participaram também Farrah Flawless e Josh Rahn (1989-2010). Luna Cobra foi o profissional que continuou a desenvolver e refinar o procedimento desde então.

Como aponta a F.A.Q do BMEzine [1], Rachel, ex-esposa de Shannon, tinha feito um implante no globo ocular pelo Dr. Gerrit RJ Melles na Holanda, um dos desenvolvedores do procedimento de LASIK (cirurgia de correção ocular a laser). Ele tinha desenvolvido um método para a inserção de joias de platina fina por baixo da conjuntiva, racionalizando que seria seguro porque o olho evoluiu para tolerar o acúmulo de cálcio nessa camada com a idade. O implante foi inserido através da injeção de uma pequena gota de solução salina a fim de criar uma bolsa para o implante. Shannon teorizou que a solução salina poderia ser substituída por tinta de modo a tingir o branco do olho, e fez a proposta para Luna Cobra realizar o procedimento.

Após realizar este procedimento em Josh Rahn e Shannon Larratt, bem como a tentativa de uma tatuagem no método tradicional no globo ocular em Farrah Flawless, Luna Cobra passou a realizar o procedimento em muitas outras pessoas ao redor do mundo. Buscando sempre refiná-lo com uma perspectiva para a eficiência e segurança.

A imprensa hegemônica imediatamente se apegou com a tatuagem no globo ocular e as imagens do procedimento foram destaques internacionalmente. Em uma sociedade conectada eletronicamente, as informações circulam com enorme velocidade. Não demorou e assistimos a inclusão do eyeball tattooing em um episódio do CSI: Nova Iorque[2] que utilizou o método de injeção como um ponto da trama central. Não muito tempo depois, dois detentos[3] em um reality show sobre a vida na prisão tatuaram seus olhos depois de ver fotos do trabalho de Howie. Logo, profissionais de todo o mundo começaram a tentar fazê-lo. O procedimento ficou consistentemente mais popular a cada dia e enquanto escrevo isso estimaria que há várias centenas de pessoas com os olhos tatuados hoje. Ainda que nem todos os riscos a curto e a longo prazo estejam esclarecidos, considerando a baixa produção científica específica.

Temos um outro fator que dificulta uma análise apurada dos efeitos do procedimento a longo prazo. A primeira pessoa no mundo que teve os dois olhos pigmentados foi o Josh Rahn (1989-2010), no entanto, ele foi assassinado aos 21 anos de idade em abril de 2010[4]. Shannon Larratt que estava entre os três primeiros e que seguia pesquisando, estudando e escrevendo sobre o procedimento, faleceu em 2013. Foram duas perdas precoces e doloridas para comunidade da modificação corporal e que afetaram diretamente os estudos do eyeball tattooing.

Assim como os outros tantos procedimentos de modificação corporal, o eyeball tattooing se espalhou pelo mundo. Algo que sempre foi comum no meio da modificação corporal que é o DIY (do it yourself), no sentido da exploração e experimentação do corpo, também abarcou o procedimento de pigmentação da esclera. Se esse tipo de premissa sempre agitou os ânimos – para além – da comunidade da modificação corporal, com o eyeball tattooing não foi diferente. Essa parte em específico poderia gerar a criação de um outro artigo analisando a origem desses embates e o quanto existe uma disputa de poder, validão e controle dentro da própria comunidade da modificação corporal.

Nas voltas que o mundo dá… Em matéria do The New Daily de 6 de Outubro de 2017, Luna Cobra manifestava apoio ao Royal Australian e o New Zealand College of Ophthalmologists na criação da lei que banisse o procedimento eyeball tattooing – que ele criou – da Austrália e Nova Zelândia.

O profissional afirmava na matéria que “as pessoas têm o direito de fazer o que elas quiserem com seus corpos, mas isso deveria ser feito por cirurgiões licenciados”. Ainda na mesma matéria ele afirmava que não era um cirurgião licenciado, o que em nossa análise fica sendo contraditório.

Em matéria do Daily Mail Online de 19 de Setembro de 2018, Luna Cobra foi acusado de treinar Brendan Russell (conhecido como BSlice) para fazer um procedimento  de branding. Com isso, o profissional precisou pagar fiança de $50.000 (dólar australiano) e teve o passaporte apreendido. Atualmente o seu site foi retirado do ar.

O procedimento segue sendo realizado ao redor do mundo por diferentes pessoas. Inclusive no Brasil.


[1] Eyeball Tattooing: respostas para as perguntas frequentes. Disponível em: <http://www.frrrkguys.com.br/eyeball-tattooing-respostas-para-as-perguntas-frequentes/>. Acesso em 28 de Julho de 2019.

[2] CSI: Nova Iorque, episódio Child’s Play (episódio 11 da temporada 4) que foi ao ar em 12 de Dezembro de 2007. Disponível em: <https://www.imdb.com/title/tt1126561/>. Acesso em: 28 de Julho de 2019.

[3] Lockup (temporada 14 episódio 8), exibido em 26 de Maio de 2012. Disponível em: <https://www.imdb.com/title/tt02393079/>. Acesso em 26 de Julho de 2019.

[4] A sad and premature goodbye to Josh Rahn. Disponível em: <http://www.zentastic.com/blog/2010/04/18/a-sad-and-premature-goodbye-to-josh-rahn/>. Acesso em 29 de Julho de 2019.

HISTÓRICO DO PROCEDIMENTO NO BRASIL

O dia 12 de outubro de 2012[1] foi marcado pelo primeiro registro de eyeball tattooing (tatuagem no globo ocular) no Brasil. Marco duplo. De um lado de São Paulo estava o modificador corporal venezuelano Emilio Gonzalez realizando os primeiros procedimentos em três jovens[2], todos eles pigmentaram seus olhos em preto. Do outro lado, tivemos também o primeiro brasileiro se aventurando na realização do procedimento. Rafael Leão pigmentava de preto o olho de Jefferson Silva.

Daquela data em diante podemos marcar pontualmente uma profunda e gigante transformação e cisão na comunidade da modificação corporal brasileira. Assim, como na internacional, mas que só foi possível perceber mais recentemente.

Quando falamos de profunda e gigante transformação é que a realização do procedimento em território brasileiro gerou uma forte resistência de parte da comunidade da modificação corporal. Na época, escrevemos que a recepção era uma forma de rejeição agressiva, manifestada por Fake News, perseguições, lixamentos virtuais e constantes ataques ao direito de uso do próprio corpo. Crise que foi potencializada pela exibição do procedimento no programa Domingo Espetacular da Rede Record em 2013[3].

A notícia que o procedimento estava sendo realizado no Brasil chegou rapidamente ao Facebook e, naquele momento, o sentimento de preocupação foi maior do que qualquer outro. Shannon Larratt, fundador do BMEzine e criador da técnica tal qual a conhecemos, aparentemente teve a mesma sensação que nós e escreveu em seu perfil que se sentia feliz e igualmente nervoso.

De outubro de 2012 até o presente momento, assistimos muitas pessoas pigmentados suas escleras em solo brasileiro. Ao longo de todos esses anos assistimos a grande mídia criando de forma completamente irresponsável enormes boatos e fake news sobre a técnica. Como também vimos parte da própria comunidade da modificação corporal abrindo brechas para perseguições de pessoas. Tentamos criar diferentes materiais de 2012 até hoje, nunca com a intenção de incentivar que mais pessoas façam ou fizessem o procedimento, mas sim de acompanhar a evolução, saber os efeitos, desmanchar boatos, reduzir danos e combater as mentiras criadas.

Conta-se ainda que em 2013 foi criado o Projeto de Lei 5790/2013 criado pelo deputado Rogério Peninha (PMDB-SC), um dos fortes nomes da chamada bancada da bala. O projeto de lei busca tornar crime o eyeball tattoing no Brasil. O projeto havia sido arquivado em 31 de Janeiro de 2019, mas já se encontra desarquivado a pedido de Peninha, desde 19 de Fevereiro de 2019. Importante reforçar que o projeto de lei está escrito com base no que foi exibido no Programa da Record acima mencionado, não tem embasamento científico. Foi realizada uma petição contra o projeto de lei que contou com mais de 3000 assinaturas. Aparentemente o mesmo foi completamente ignorado pelo autor, demonstrado mais uma vez o caráter autoritário da proposta e do propositor.


[1] Os primeiros globos oculares tatuados no Brasil começam a surgir. Disponível em: <http://www.frrrkguys.com.br/os-primeiros-globos-oculares-tatuados-no-brasil-comecam-a-surgir/>. Acesso em 28 de Julho de 2019.

[2] Entrevista com os meninos dos olhos pretos. Disponível em: <http://www.frrrkguys.com.br/entrevista-com-os-meninos-dos-olhos-pretos/>. Acesso em 28 de Julho de 2019.

[3] Programa da Record discute a tatuagem no globo ocular. Disponível em: <http://www.frrrkguys.com.br/programa-da-record-discute-a-tatuagem-no-globo-ocular/>. Acesso em 28 de Julho de 2019.


PESQUISA E RESULTADOS

Participaram da pesquisa 40 pessoas de diferentes regiões do Brasil, que aconteceu online entre janeiro e julho de 2019.

PERFIL DAS PESSOAS ENTREVISTADAS

Em nossa análise sobre a comunidade da modificação corporal, de modo mais amplo, percebemos que o debate étnico-racial ainda é pequeno, comparado com o tamanho da sua importância e urgência. Pontuar aqui esse problema é buscar abrir outra janela de debate, reflexão e discussão.

Analisando apenas o procedimento de eyeball tattooing sua incidência maior é em pessoas brancas, sendo elas 57,5%.

O procedimento tem sido mais realizado em homens cisgêneros. Eles correspondem a 45% das pessoas que participaram da pesquisa.

A técnica tem sido buscada por pessoas de classes econômicas E e D no Brasil. O que dialoga com o apontamento da pesquisa do livro A modificação corporal no Brasil – 1980-1990 que no “começo”, as práticas de modificação corporal estavam circulando em uma classe média brasileira e, com o passar do tempo, elas também foram apropriadas pelas pessoas de diferentes classes sociais. O que abre janela para um outro debate sobre classe, que não cabe aqui, agora.

Especificamente o procedimento de eyeball tattooing é muito ligado com a noção cristã de demônio, sendo assim, a prática e suas e seus praticantes são também demonizados por um discurso religioso com inclinação judaico-cristã. Importante perceber que embora exista uma tentativa forte de demonizar uma prática e um grupo de praticantes, quando observamos o aspecto da religião, temos a informação de uma diversidade religiosa e não-religiosa profunda.

Perceba que há uma oscilação de incidência da prática com o passar do tempo. Digno de nota é perceber que 2014 era o ano em que as pessoas estavam mais realizando o procedimento. Ano que havia uma batalha forte contra o projeto de lei que busca criminalizar o procedimento e uma batalha forte dentro da própria comunidade da modificação corporal, de um lado estava quem defendia a autonomia do corpo, com a premissa de que não há dignidade humana sem o direito ao próprio corpo, e do outro quem defendia o cerceamento das liberdades sobre o próprio corpo, fosse por projetos pessoais e/ou por projetos políticos obscurantistas. Importante mencionar que foi nesse contexto que surgiu o Grupo de Estudos Sobre Modificações Corporais – GESMC, com o desejo de enfrentar o autoritarismo e a desinformação relacionada com as práticas de modificação do corpo.

ANÁLISE DO PROCEDIMENTO

Considerado um procedimento experimental e carregado de riscos, segundo a pesquisa nenhuma das 40 pessoas que entrevistamos ficaram cegas. No Brasil não existe registro oficial de uma pessoa que tenha ficado cega depois de passar pelo procedimento entre 2012 e Agosto de 2019. Demais detalhes sobre a técnica e os seus efeitos psicofísico e sociais serão desenvolvidos abaixo.

As pessoas que optaram em pigmentar apenas um olho, justificaram que gostariam de saber qual seria o resultado do procedimento, como um teste. O que estaria dentro de uma espécie de cautela que indica reconhecimento claro dos riscos, pelo menos em curto prazo. Algumas pessoas também alegaram que um olho pigmentado era o projeto estético desejado.

Embora a maioria das pessoas alegam não terem tido problemas de saúde ocular, 12,5% delas disseram que tiveram, ou seja, de 40 pessoas foram 5 que pontuaram problemas, que trataremos adiante. Essa informação não pode ser descartada e deve ser considerada por quem pretende passar pelo procedimento. Há risco conhecidos e desconhecidos em curto e longo prazo e todas as pessoas precisam ter consciência desse fator. O que não difere de qualquer outro procedimento que se faça em um corpo.

Em nossa pesquisa as pessoas que tiveram problemas alegaram descolamento da retina (1 caso), uveite (1 caso), mosca volante (1 caso) e perda da qualidade da visão de um dos olhos (curiosamente o esquerdo em ambos os casos que fizeram o apontamento). A maiorias das pessoas que pontuaram a perda da qualidade da visão – exceto o caso do descolamento da retina – disseram que os oftalmologistas não poderiam afirmar categoricamente que seria o eyeball tattoo a única causa, seria uma hipótese. O caso de uveite e de mosca volante também passam pela mesma hipótese. São de pessoas distintas e que responderam que não houve um parecer final que foi o eyeball tattoing o causador.

Algumas pessoas pontuaram ainda que depois do procedimento desenvolveram sensibilidade à luz (27,5%) e que os olhos lacrimejam em excesso (7,5%). Repetindo, até o presente momento no Brasil, nenhuma pessoa ficou cega depois de pigmentar os olhos. Repetir essa informação é enfrentar inúmeras fake news, boatos mal intencionados que circularam pelas redes sociais.

Importante perceber que embora apenas 12,5% tenha tido problemas depois de realizar o procedimento, a grande maioria (67,5%) buscou passar por um oftalmologista, principalmente para exames de rotina. As pessoas que não foram, alegaram que temem serem distratadas ou sofrerem preconceito pela parte médica, o que reforça a necessidade de atendimentos médicos mais humanizados. Vale importante reforçar que recomendamos fortemente que as pessoas que realizaram eyeball tattooing visitem regularmente um oftalmologista para ter um acompanhamento mais preciso da saúde ocular. Caso visite um médico que não te trate com dignidade e respeito, busque outro profissional, mas cuide da sua saúde.

O vazamento de tinta ao redor dos olhos é um dos problemas mais comuns e que tem sido notado desde que o procedimento começou a ser realizado ao redor do mundo. É outro risco que a pessoa que for realizar o procedimento precisa ter consciência que pode ocorrer. A maioria das pessoas que entrevistamos e que tiveram o vazamento já esperavam por isso e lidam bem com a questão, assim pontuaram.

O preconceito parece ser o grande problema em relação ao procedimento. As pessoas que pontuaram problemas sociais, denunciaram diversos casos de discriminação para além do campo virtual.

Aqui temos a opinião das pessoas que passaram pela entrevista e não corresponde necessariamente a opinião do FRRRKguys ou do GESMC. As pessoas que indicariam o procedimento pontuam a melhora da autoestima e realização pessoal. As pessoas que não indicariam o procedimento tiveram problemas sérios com o procedimento que incluem descolamento da retina, uveite e perda da qualidade de visão, conforme bem detalhado acima.

Embora seja um procedimento de alto risco, segundo a pesquisa, a maioria diz que seja pouco dolorido. Os níveis usados foram 0 (para nenhuma dor) e 10 (para muita dor). Como podemos perceber no gráfico a maioria estaria na escala entre o 0 e 3.

CONCLUSÃO

Antes de qualquer coisa, queremos deixar publicamente um enorme agradecimento para as 40 pessoas que participaram da pesquisa e para as tantas outras que gentilmente nos ajudaram compartilhando e indicando para amigas e amigos. Realizar pesquisa dentro da área da modificação corporal não é tarefa fácil e exige insistência. E nós temos insistido muito.

Agradecemos e fazemos questão de destacar o agradecimento, porque algumas das pessoas que participaram da presente pesquisa estão nos cedendo entrevistas, dados, informações desde 2012, ano em que foi realizado o procedimento pela primeira vez no Brasil. Sabemos que algumas tantas vezes soamos repetitivos, refazemos as mesmas perguntas, mas é pelo rigor que temos com o nosso trabalho e preocupação que temos em realmente acompanhar a evolução do procedimento no corpo humano.

A pesquisa não tem a intenção de ser um parecer final que ateste a segurança da prática do eyeball tattooing e nem incentivar que o procedimento seja feito. Por sua vez, busca-se reduzir danos e construir conhecimentos acerca de uma técnica específica de alteração do corpo, que independente do que nós pensamos ou você pense, vai seguir sendo realizada. E com a plena consciência disso que queremos trabalhar efetivamente na redução de danos e conscientização.

Esperamos que a pesquisa colabore com as reflexões sobre o assunto e que fomente a criação de um olhar diferenciado e mais humanizado sobre a prática e suas e seus praticantes.

Em tempos tão ingratos para ciência, educação e pesquisa científica, além da nossa pesquisa aqui divulgada, temos hoje um oftalmologista realizando uma pesquisa científica sobre a técnica e que num futuro próximo poderá nos ajudar a entender um pouco mais sobre os efeitos da pigmentação do globo ocular.

Nós, do lado de cá, seguiremos acompanhando as pessoas que passaram pelo procedimento e buscaremos seguir escrevendo sobre elas. Por ser um procedimento novo, precisamos traçar caminhos para além do mero punitivismo e proibições torpes que dialogam com projetos pessoais e políticos obscuros e em que nada colaboram com a segurança das pessoas.

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Plataforma criada em 2006 que vive, investiga e fomenta a cultura da modificação corporal e diferentes usos do corpo.