Candidata trans do Miss Tattoo Week Rio 2019 deixou a sua marca

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Mariê Marques deixa sua marca no concurso de miss tattoo. Foto: divulgação

No começo de janeiro noticiamos aqui no FRRRKguys que o concurso Miss Tattoo Week Rio de 2019 teria uma candidata trans, a tatuadora Mariê Marques.

O concurso aconteceu, Mariê não foi a vencedora e quem levou o título foi a tatuadora e body piercer Bruna Peixoto Medina. Mas para além do resultado do concurso, nós ganhamos ao contar com a presença de uma mulher trans para participar de um concurso de beleza, considerando todo o contexto político e social brasileiro em relação as mulheres trans e travestis. Mariê Marques lúcida e ciente do seu papel, deixou a sua marca.

As vencedoras do concurso são escolhidas pelas juradas do Miss Tattoo Week Rio, sem interferência da organização e do público. Mariê Marques nos explicou que são analisados quesitos como: performance da apresentação, o enquadramento da categoria, o diferencial, emponderamento e a criatividade. A quantidade de tatuagens não é ponto fundamental da escolha, mas é necessário que as candidatas sejam tatuadas por motivos óbvios.

Dentro desse regulamento, Mariê procurou atender cada item e ir um pouco além levando ativismo. “Vejo o Miss Tattoo Week como uma oportunidade para levantar a bandeira e o empoderamento feminino no meio da tatuagem”. Ela nos disse ainda que:

“Eu como mulher trans e sendo a primeira no mundo a ganhar e participar, quero que muitas meninas ao me ver lá se sintam confortáveis para participarem também.”

Mariê nos pontuou ainda que em 2019 tivemos duas mulheres trans inscritas para o concurso, ela e a Mc e Dj Pamela Belly, que infelizmente não pode ir por motivos pessoais. E, sublinhou que aquele é um espaço para todas as mulheres e que deseja ver muitas meninas trans participando.

Sobre o futuro, Mariê diz que não tem mais o desejo de vencer um Miss Tattoo da Tattoo Week. “Eu já sabia que não venceria mais não deixei de me empenhar na minha luta e militância”, disse a candidata e continuou, “eu não estava ali pra ganhar e sim pra representar e foi incrível poder jogar toda minha militância para um meio machista e opressor”.

O seu desfile teve mensagem contra o machismo. Foto: Marcelo Mirrela Fotos

Sobre a sua participação, Mariê Marques usou apenas músicas de artistas LGBTQ+ como Caio Prado, Liniker, Xuxu, Pepita e Johnny Hooker. 

“Não quero colecionar faixas e sim conquistas e está lá sendo uma travesti empoderadíssima não tem vitória maior do que essa!”

Ela diz ter confeccionado toda a sua roupa para desfilar no concurso. Pontuou que o mais impactante foi o vestido de jornal que fez com frases de protesto e pedindo respeito para nós todas. Disse que ao final do desfile foi abordada e parabenizada e sente que a sua mensagem foi passada.

Mariê Marques não pretende se candidatar no ano que vem, mas pretende procurar muitas outras mulheres trans tatuadas para que participem. “Elas ainda tem medo mais eu tiro o medo delas mostrando a força que elas têm”, concluiu a tatuadora. 

“Parem de nos matar” é a mensagem de Mariê. Foto: divulgação


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