Encontro discutiu sudestinidades e preconceitos regionais no Sesc Osasco

A mostra Nosso Jeito Assim acontece no Sesc Osasco. Foto: T. Angel

O Sesc Osasco está com uma programação poderosa sobre diversidade sexual e de gênero na mostra Nosso jeito assim. Hoje aconteceu a mesa intitulada Sudestinidades e Preconceitos Regionais com mediação de Magô Tonhon.

Magô Tonhon faz a mediação da conversa sobre sudestinidades e preconceitos regionais. Foto: T. Angel

Partindo do princípio de que algumas regiões desfrutam do privilégio de não nomeação de origem, refletindo nos âmbitos social, cultural, político e econômico, esta conversa refletiu sobre as relações entre fronteiras regionais brasileiras que encontram no status quo a relação de preconceitos de origem no contexto local e nacional.

Getúlio Abelha contou sua experiência enquanto artista nascide no Piauí. Foto: T. Angel

Participaram da mesa Getúlio Abelha (nascide no Piauí e radicade em Fortaleza), Paulet Lindacelva (nascida em Recife e vivendo em São Paulo) e Verônica Valentinno e Lorraine Sampaio da banda Verónica Decide Morrer (ambas de Fortaleza e vivendo em São Paulo).

Verônica Valentinno participou da mesa de discussão. Foto: T. Angel
Lorraine Sampaio da banda Veronica Decide Morrer. Foto: T. Angel

Magô Tonhon colocou que a palavra sudestinidades é nova e ironicamente desconhecida, principalmente pelas pessoas sudestinas, isto é, pessoas que nunca ou raramente precisam pensar sobre sua identidade regional de nascimento. Todavia é muito importante que a palavra exista e o debate que a acompanha. Nesse sentido, lembramos muito da fala da deputada Erica Malunguinho que diz que só se percebeu enquanto nordestina quando chegou em São Paulo, onde há uma tensão histórica com as pessoas das regiões norte e nordeste do Brasil.

Paulet contou sobre os processos que envolveram sua mudança para SP. Foto: T. Angel

Durante o encontro muito se falou como São Paulo carrega uma coroa e uma imagem muitas vezes bem distante do que seria uma realidade concreta, o que engana e ilude quem está fora. É na maioria das vezes uma miragem ou uma farsa. Há muitos universos dentro de São Paulo e temos a ligeira impressão de que tudo gira em torno de considerar e construir um imaginário que essa cidade, esse Estado, se resumem ao eixo Av. Paulista e Centro. Um grande truque.

Importante que essa mesa e discussão aconteça em uma cidade como Osasco que, por exemplo, foi construída com braços, suores e sangues das pessoas do norte e nordeste, mas que na história oficial é a lenda italiana e dos homens italianos, para sermos mais específicas, que aparece como única. As outras histórias e narrativas são tornadas invisíveis, o que reforça a importância de pensarmos criticamente sobre as sudestinidades. E não só ela, como também a branquitude, o cistema e a heteronormatividade.

Em tempos em que temos como presidente um sujeito que não economiza em demonstrar sua xenofobia e seus preconceitos em relação ao norte e nordeste do Brasil, precisamos discutir – mais vezes, quantas vezes forem possíveis – as sudestinidades.

Getúlio Abelha está enviadescendo o forró através de seu trabalho. Foto: T. Angel

Nosso jeito assim no Sesc Osasco – Programação completa:

Shows:

Pajubá – Linn da Quebrada
Dia 29/8, quinta, ás 20h
Tenda 1 | Grátis

Teatro e Performance:

Performance: Ofélia, a travesti gorda
Dia 28/8, quarta, às 19h30
Tenda 2 | Grátis

Bate-papos:

Gordofobia e Corpos Gênero Dissidentes – Com Bibi Abigail e Jup do Bairro com mediação de Magô Tonhon
Dia 28/8, quarta, às 20h30
Tenda 2 | Grátis

Papel social de redes e coletivos – Com Alan Costa (Afrobapho), Ana Giselle (MARSHA! Trans), Monique Lemos (BATEKOO) e Neon Cunha (Revolta da Lâmpada) com  mediação de Magô Tonhon 
Dia 30/8, sexta, às 20h
Tenda 2 | Grátis