Fernando Carpaneda participa de exposições em Berlim e Brasília

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Homem Objeto, mostra individual de Fernando Carpaneda na XXX Arte Contemporânea. Foto: divulgação

 
Dia 29 de Março o artista Fernando Carpaneda participa da 5ª edição da Bienal Instinct.Berlin na Alemanha, com “Self-Destruction Poetry“. Já no Sábado, 17 de março às 20:00,  haverá uma exposição individual na XXX Arte Contemporânea em Brasilia, com curadoria de Felipe Areda. Confira abaixo o texto do curador que nos conta um pouco mais sobre a exposição: 
 
“Com qual objeto o ser humano se relaciona? Uma das maiores contribuições da psicanálise, uma das grandes teorias da suspeita, foi nos mostrar que essa pergunta só poderia ser respondida parcialmente. Afinal, o ser humano não é da ordem da satisfação e não encontra plenitude em nenhum objeto de desejo.
 
Pelo o que nos atraímos? Nossa resposta nunca repousa em um objeto total. Num caleidoscópio de fragmentos sentimos tesão por músculos, pelos, tamanhos, sorrisos, cicatrizes, força, palavras, cuecas, botas, olhares, cenários, toques, tatuagens, status, profissões, cheiros, poderes e promessas. Em cada parte na qual nos lançamos em ávida devoração, nossa fome jamais é saciada. Nosso desejo nunca é satisfeito, só aguçado.
 
Fernando Carpaneda é um artista do desejo, interessado tanto em sua investigação quanto instigação. Em sua série “Homem como Objeto” expõe o desejo e a sua crueza. Não se trata da crítica política da objetificação, da reclamação do se tornar somente um “pedaço de carne”. Pelo contrário, Fernando evidencia aquele lugar existencial que faz de toda cama açougue, de todo olhar cutelo, de todo toque talho, de toda entrega sangria, de todo sexo carnificina. Sua escultura é uma radical arte corporal: os pelos do artista compõem as obras. Fernando objetifica-se e faz dos fragmentos de si elementos da narrativa desejante do outro – como afinal fazemos todos e todas nas nossas camas. 
 
Em uma investigação da insatisfação do desejo, expomos também uma série inédita de estudos para pintura de Fernando. Os palimpsestos do artista permitem nos aproximarmos do seu esquadrinhamento dos corpos como exercício inacabado, como apreensão sempre parcial do outro, como desejo nunca satisfeito.
 
Em tempos em que o desejo é tratado como ameaça, é fundamental enfrentar a perseguição e a censura afirmando galerias e museus como territórios de investigação do humano e de sua miríade de possibilidades eróticas. Em tempos de censura e autocensura, a Galeria XXX recebe Fernando Carpaneda e afirma-se como fértil terreno de promoção da arte erótica como potente inquirição do humano, dos seus aprisionamentos e da sua libertação.”
 
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