Atualização sobre o caso de preconceito do PAT de Rio Claro

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Ontem publicamos AQUI um repudio contra a postura discriminatória contra pessoas com modificações corporais do Posto de Atendimento ao Trabalhador de Rio Claro.

A

Buscamos um parecer da Prefeitura de Rio Claro que até o momento não se manifestou. Buscamos também um parecer da Secretária de Emprego e Relações de Trabalho de São Paulo, que nos respondeu e compartilhamos a resposta abaixo.

AA

Agradecemos ao SERT pelo retorno e como a própria instituição disse e fazemos a questão de reforçar, a contratação de uma pessoa deve depender de sua capacidade em executar o serviço e não pelo seu corpo e subjetividade. Entendam de uma vez por todas que a noção da “boa aparência” que tanto se fala é uma noção violenta e sobretudo, como já dizemos e repetimos por aqui em outros textos, é racista, higienista, eugenista e fascista.

Vamos seguir acompanhando este caso e todos os outros novos que surgirem. Não tenha dúvidas que vamos denunciar todos eles. Não tenha dúvidas que iremos reclamar sobre todos eles. Não tenha dúvidas que vamos escrever sobre isso em livros e falar sobre eles em palestras, entrevistas e em todos os espaços que tenhamos o direito a fala. Isto para que todas as pessoas possam entender, que nesse exato momento em que escrevo tem alguém sendo barrado ou barrada em uma vaga de trabalho por conta especificamente de sua aparência e isso é errado e precisa ser diariamente combatido.

Não queremos mais ouvir que uma pessoa voltou para casa chorando se sentindo miserável e imprestável por não conseguir nenhum trabalho. Não queremos mais ver transexuais se suicidando por terem sua cidadania básica negada e não conseguirem um trabalho. Não queremos mais ver garotas desenvolvendo transtornos alimentares e ódio de si por não terem a tal da boa aparência vendida em todas as revistas de beleza. Não queremos mais ver garoto algum sendo chamado de vagabundo quando todas as portas e oportunidades de trabalho se fecharam por conta de seu corpo, por conta de quem ele é. Enquanto a nossa cidadania for negada, enquanto continuarmos sendo tratados e tratadas como pessoas de terceira categoria, nós não vamos parar. Enquanto isso tudo não mudar, nós não vamos descansar e é bom que vocês saibam disso.

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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro "A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990" e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.