Corpo modificado: Laju Naga

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Fotos: Von Christa Neuenhofer
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Uma das mulheres Laju Naga que vivem em Arunachal Pradesh, Índia, relatou para Lars Krutak – antropólogo, escritor e fotógrafo norte americano -, que: “Meus antepassados ??só me reconhecerão depois que eu morrer por causa das minhas tatuagens.

A população Laju Naga tem como parte de sua cultura, assim como nós, a prática de se alterar o corpo. Com base no depoimento que iniciamos esse texto, podemos supor que tais modificações sejam motivadas principalmente por questões metafísicas. Mas também encontramos relatos que as tatuagens se relacionam com fases de amadurecimento e inclusive de casamento. Nos homens estão relacionadas ao sucesso como guerreiro, servem como uma espécie de distintivo.

A vida desse povo é organizada pelos ciclos da natureza, que implica no seu trabalho com a agricultura. Muitos tabus, rituais, sacríficios e festivais desempenham um papel importante na formação cultural dessa população. A colheita de cada fruto é comemorada com ritual, dança e canções. Apesar disso, as principais tribos do Naga são cristãs. Há de se dizer que o cristianismo tem sido responsável pela destruição das tradições Naga. O símbolo da cruz é recorrente sobre os telhados de palhas, fruto das ações de missionários.

Falando sobre a localização desta população, Arunachal Pradesh é um dos estados da Índia, estando localizado no extremo nordeste do país. Seu nome significa “terra das montanhas iluminadas pela alvorada” em sânscrito. Por sua vez a origem da palavra “Naga” é incerta. A versão popularmente aceita, mas controversa, é que se originou a partir da palavra birmanês Naka”, isto é, pessoas com brincos. Outros sugerem que significa nariz perfurado, como aponta o livro A re-discovery and re-building of Naga cultural values.

Laju seria uma subtribo ou subgrupo dos povos Tangsa. Dados apontam que eles se estabeleceram na região desde o século XIII. Antes da chegada do colonialismo europeu no Sul da Ásia, houveram muitas guerras, perseguições e invasões de Burma sobre tribos Naga.

Segundo o site alemão Neuenhofer, onde temos um diário de viagem (dez 2006/jan 2007) narrando o encontro com essa população, diz que é parte dos costumes que gêmeos e crianças com deficiências sejam mortas, porque eles seriam consideradas como um infortúnio para toda comunidade. Crianças não desejadas, frutos de relação sexual antes do casamento, também podem ser mortas. Relação sexual fora do casamento é bastante comum.

l_04f0066a0d9df68650181993b9725be1                                                      (Vila Laju)

A população Laju carrega tatuagens faciais tradicionais e em outras regiões do corpo, além de perfurações corporais. Nas fotografias abaixo podemos ver orelhas perfuradas, outras com alargadores. O mais interessante é que não é apenas no lóbulo, como também em regiões da orelha com cartilagem. Apesar da maioria das imagens retratarem mulheres, é possível ver homens com perfurações também.

As pesquisas continuarão. Há muitas dúvidas que surgem, curiosidades que brotam e conforme houver novidades sobre essa população, vamos publicando por aqui.

 

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