De frente com o modelo Diogo de Castro Gomes

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Fotos: Divulgação / Felipe Pilotto

Não precisa ser um grande estudioso das modificações corporais e/ou da moda parece perceber que nos últimos anos houve uma abertura de mercado bastante significativa para modelos tatuados (e com outras body mods). E não estamos falando das pequenas tatuagens que se escondiam nas curvas dos corpos, nos referimos aqui aos modelos com bastante tatuagens visíveis, chegando aos casos particulares como do top model Zombie Boy. Na década de 90 acompanhamos com muita paixão o trabalho da modelo brasileira Marina Dias, uma das primeiras do mundo fashion a ousar, usar e encantar com suas inúmeras tattoos e piercings.
Atualmente os meninos estão enchendo de muita sensualidade, cores e formas as campanhas publicitárias, passarelas, revistas e editoriais de moda. Dentre os modelos que estão se destacando pelos seus trabalhos nesse  “novo nicho” temos o carioca Diogo de Castro Gomes, que faz questão de carregar suas raízes marcada em seu peito.
A história desse modelo, que também é graduado e pós graduado em Psicologia, começou em 2009 ao receber uma proposta para realizar um teste enquanto estava na praia com os amigos. Feito o teste, houve a aprovação e o seu primeiro trabalho profissional.
Já comentamos por aqui sobre o trabalho do Diogo com a grife norte-americana C-IN2 nas campanhas Parole e a Filthy.

Além dessas duas que mencionamos anteriormente, o modelo tem trabalhado com importantes fotógrafos e grifes mundo afora. Os atributos físicos do rapaz não passam despercebidos, mas são as tatuagens que acabaram por se tornar sua marca, o que para nós é muito significativo.

Fizemos uma entrevista exclusiva com o Diogo, que por sinal foi super receptivo e simpático em nos atender, e agora com muito prazer compartilhamos com todos vocês.

T. Angel: Atualmente é bastante comum a gente ver corpos de modelos bastante tatuados em campanhas e passarelas de todo mundo fashion, como você enxerga isso?
Diogo de Castro Gomes: Ainda não pensei o porquê dessa demanda do mundo da moda. Acredito que, como a maioria das coisas nesse mundo é efêmera, amanhã eles demandarão outras coisas. Ou pode ser também que está se criando uma nova demanda. Na verdade, não entendo esse lógica do mundo da moda e também não tenho a pretensão de fazê-lo por enquanto.

T. Angel: Você já era tatuado quando começou a atuar profissionalmente como modelo?
Diogo de Castro Gomes: Eu já era tatuado. Contudo, não encaro esse como meu principal ofício. Faço os trabalhos na medida em que eles aparecem.

T. Angel: Sentiu que as marcas corporais te atrapalharam em algum momento?
Diogo de Castro Gomes: Por enquanto não notei discriminação alguma em relação as minhas tatuagens.

T. Angel: Além de modelo você é graduado em psicologia e também já fez pós graduação. Chegou a atuar na área?
Diogo de Castro Gomes: Trabalhei. Quando fiz minha especialização, trabalhei durante dois anos em um asilo psiquiátrico como parte da formação dessa especialização.

T. Angel:  O estereótipo de modelos reforçado pelo senso comum é daquele desprovido de inteligência. O estereótipo do tatuado por séculos foi o de marginalizado. Você confronta – pelo simples fato de ser – todas essas teorias levianas, como é lidar com isso?
Diogo de Castro Gomes: Acho que estamos cercados de preconceitos e de atividades que são impostas como antagônicas. Houve um tempo por exemplo, em que as mulheres não podiam votar e hoje temos uma no comando do nosso país. Estamos cercado de preconceitos religiosos, de julgamentos de como cada um deve viver melhor suas próprias vidas. Tudo uma grande bobagem e só o tempo nos mostrará isso. Mas, de fato há uma confusão das pessoas que trabalham com a imagem. Muitas delas acham que elas são aquela imagem que elas vendem, quando na realidade elas mesmas não sabem o que elas são. Muitas dessas pessoas se perdem no meio do caminho, é como diz aquela canção: “não leve o personagem pra cama, pode acabar sendo fatal.”
Por isso, lidar com a imposição de um suposto ser a partir de uma atividade profissional é um tanto quanto complicado, mas nada que não se resolva com alguns bons anos em análise.

T. Angel: Conte-nos um pouco sobre suas tatuagens. Sobre o que elas falam?
Diogo de Castro Gomes: Penso várias coisas sobre as minhas tatuagens. Uma delas é que elas podem ser lidas com um posição política, como quem diz: “Vocês vêem esses que aí estão? Eles não me representam!” Ou seja, não compartilho com esses ideais de bem viver que nos são impostos. Ou ainda de uma forma mais poética, como quem diz: “Não vês as dores que senti!?” Mas tudo isso faz parte da minha identidade. A medida que fui me tatuando durante esses últimos anos, fui descobrindo qual viria ser minha posição nesse mundo.

T. Angel: Quem são os profissionais que costumam “te rabiscar”?
Diogo de Castro Gomes: Tatuo com uns camaradas que tem um estúdio perto de onde moro.

T. Angel: Além das tatuagens tem algum outro tipo de modificação corporal?
Diogo de Castro Gomes: Não. Não tenho.

T. Angel: O que o Diogo faz pra manter a boa forma?
Diogo de Castro Gomes: Eu gosto muito de esportes. Então, apenas faço atividades que dão prazer.

T. Angel: Pretende se tatuar mais?
Diogo de Castro Gomes: Pretendo sim.

T. Angel: Deixe uma mensagem para aqueles que admiram o seu trabalho.
Diogo de Castro Gomes: Fico feliz que gostem do que faço, por mais estático que possa ser.

Abaixo uma galeria de trabalhos do Diogo de Castro Gomes.

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