Entrevista com Alan MaciasInterview with Alan Macias

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Fotos: Arquivo pessoal
Tradução: Silvia Taschen

Em 17 de Dezembro de 1997 – aos 33 anos de idade – Alan Macias sofreu um gravíssimo acidente de moto em São Francisco, que modificou sua vida por completo. Após oito meses internado e depois de passar por uma média de quarenta cirurgias, Alan sobreviveu, mas acabou perdendo um braço.
As vésperas de completar os seus quarenta e sete anos no próximo 17 de Março – dia de São Patrick -, Alan Macias mostra ser um homem de bem com a vida, muito seguro de si, confortável e feliz com seu corpo, assim como ele é. Muito receptivo e querido atendeu prontamente o nosso pedido de uma entrevista e com muito orgulho compartilhamos com todos vocês.

Como é bonito e bom ver pessoas que superam problemas e vivem a vida de uma forma positiva e feliz.
Confiram abaixo!

T. Angel: Quando você começou a se modificar?
Alan: Eu tinha algumas tattoos antes do acidente, mas a maior parte do que você vê foi feita nos últimos 10 anos.

T. Angel: Você perdeu o braço em um acidente de moto muito sério há alguns anos. Antes disso, você experimentou tatuar o corpo?
Alan: Só um pouco, veja acima.

T. Angel: O desenho das suas tattoos e também o local do corpo que você escolheu para elas é peculiar. O que você pode dizer sobre isso?
Alan: Gosto de tatuagens minimalistas. Minha ideia para elas é serem simples como clip-art. Você pode olhar rápido e saber o que está vendo. Só por diversão, para fazer as pessoas sorrirem. Comecei com os dedos e o ombro, depois um pouco na bunda e descendo as costas. A ideia de fazer o short evoluiu por procurar por as tatuagens em lugares não muito ocupados. No fim, há um monte de reentrâncias para dificultar o trabalho. Tentei criar imagens fáceis de tatuar, para ficarem bonitas e não borradas.

T. Angel: Vamos falar de nulificação. Como já foi dito, você perdeu o braço em um acidente,  mas como se sabe, algumas pessoas removem partes do corpo por opção. Qual é a sua opinião?
Alan:
É uma escolha pessoal, cada um tem a sua. Sou da opinião de manter as partes, desde que sejam necessárias. Meu braço foi recolocado após o acidente, mas não funcionou. Um ano depois, pedi para amputarem. Meu ombro não funciona, mas pedi para deixarem o bastante para eu usar camiseta. Se for feito um braço biônico realmente bom, vou pedir para removerem o ombro, para eu usar prótese de ombro, braço e mão. A única coisa que eu tive trabalho para me livrar foi o pelo do corpo. Levei anos e anos e às vezes ainda preciso tirar quando alguns aparecem.

T. Angel: Nós vemos as suas fotos no Flickr e você parece à vontade e feliz consigo mesmo. Você posa nu e mostra a beleza do seu corpo, real como é. Você sempre – antes e depois do acidente – teve essa boa relação com o próprio corpo?Alan:
Acho que mais depois do acidente. Depois de ir ao Burning Man (o festival de arte e música no deserto de Nevada) em 1999, eu percebi que a maioria das pessoas é igual por dentro. Por fora, todas são diferentes, mas por dentro existem desejos e necessidades universais. As pessoas adoram observar pessoas, e se observam pessoas nuas, melhor ainda. É a natureza humana. Estar nu diante de 50.000 pessoas é libertador. Você tem que abandonar a preocupação de ser julgado ou não, porque no fim, não importa; não deixe isso o atingir, divirta-se e curta ser você mesmo.

T. Angel: Deixe uma mensagem para nossos leitores de todo o globo.
Alan:
Eu gostaria de agradecer a todos que dedicaram tempo para ler sobre mim. Se vocês gostaram, é um grande elogio para mim. Obrigado.

Matéria com Alan na Bizarre Magazine

Matéria com Alan na revista Body Art 4

Contato
http://www.flickr.com/people/20275745@N08/

Photos: Alan’s personal file

On December 17, 1997,  Alan Macias – 33 years of age in that time – suffered a very serious motorcycle accident in San Francisco, which changed his life completely. After eight months in hospital and after passing by an average of forty surgeries, Alan survived but lost one arm.
On the eve of completing his forty-seven years in the next March 17 – St. Patrick’s Day – Alan Macias proves to be a man happy with life, very confident, comfortable and also happy with his body, just as it is . Very receptive and nice, responded promptly to our request for an interview and now we proudly share with you all.

How beautiful and nice to see people overcome problems and live life in a positive and happy way.
Check it out below!

T. Angel: When do you start to modify yourself?
Alan: I had a few tattoos before my accident, but most of what you see has been done in the last ten years.


T. Angel:
You lost your left arm in a very serious motorcycle accident some years ago, before that time have you had experienced tattooing your body?
Alan: Just a little, see above.

T. Angel: The design of your tattoos and also the local of the body you choosed to get them is so peculiar. What could you tell about it?
Alan: I like a minimalist look to tattoos. My idea is for the tattoos to be simple, like clip art. So you can glance at them and know what you are looking at. Just something for fun that will make people smile. I started out with my toes and shoulder, then did some on my butt and then down my back. The idea of doing shorts just evolved from my looking to put the tattoos in places the were not to busy. In the end there are a lot of nooks and crannies that made the job harder. I tried to come up with images that were easy enough to tattoo so they would look good and not all blurry.

T. Angel: Let’s talk about nulification. As we said before, you lost your arm in an accident, but as we know, some people remove a part of their bodies for choice. What’s your opinion about that?
Alan: That is a personal choice, to each his own. I am of the camp to keep my parts as long as they are needed. I had my arm after the accident but it did not work, so a year later I asked to have it amputated. My shoulder dose not work but I had them leave enough so I could wear a tee shirt. If a bionic arm is ever made that is really good then I will go in and have the shoulder removed so I could use a prostetic shoulder, arm, hand. The only thing I have worked hard to get rid of is the hair on my body, it has taken me years and years and I still have to go in once in a while wen a few odd ones sprout up.

T. Angel: We can see your photos on flickr, and you look so confortable and happy with yourself. You pose naked and show us the beauty of your body, real as it is. You always – before and after the accident – had this good relation with your own?
Alan: I think more so since the accident. After I went to Burning Man (the art and music festival in the Nevada desert) in 1999 I came to the realization that most everyone is the same in the inside. Outward we all look different but inside there are basic human wants and needs that are universal. People love to people watch, and if they are watching naked people that is even better, it is human nature. Being naked in the middle of 50,000 people is freeing, you just have to let go of the worry that people might or might not judge you because in the end it just dose not matter if you do not let it get to you and just have a good time and enjoy being yourself.

T. Angel: Leave some message for our readers from all over the globe:
Alan:
I would like to thank everyone who took the time to read about me. If you enjoyed me that is a great complement to me, thank you.

Article with Alan in Bizarre Magazine

Article with Alan in Body Art 4 magazine

Contact
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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro "A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990" e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.