Etérea: Criolo canta sobre quebrar silêncios e padrões

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A representatividade LGBTQ+ é forte no vídeo. Foto: reprodução/FFW

“É necessário quebrar os padrões
É necessário abrir discussões
Alento pra alma, amar sem portões”

Criolo – Etérea

No dia 14 de Fevereiro de 2019 o rapper Criolo lançou o vídeoclipe de Etérea. Um dos mais importantes artistas da música veio somar com a importante discussão sobre a diversidade e representatividade.

A imprensa diz que o trabalho é uma homenagem para comunidade LGBTQI+. E, no atual contexto, nós entendemos que seja mais do que isso.

Importante lembrar que ao contrário de alguns artistas que ainda usam a comunidade LGBTQI+ para reforçar estereótipos, sublinhar estigmas ou apenas para conseguir levantar o chamado pink money, Criolo faz – mais uma vez – diferente. O vídeo traz oito performers da comunidade LGBTQI+ e é em torno de suas danças, corpos e subjetividades que o roteiro se desenvolve.

Em conjunto com o clipe foi lançado um vídeo de making of que conta brevemente as histórias de cada performer. Logo de início a mensagem que abre o material diz “a música é só a moldura, a tela são vocês”. De repente aquilo – principalmente as violências – que usualmente só vemos por estatísticas, quando pensamos na comunidade LGBTQI+, é contada pela boca de cada performer.

D’Avilla tatuou em suas costas aquilo que as pessoas dizem sobre ele. Foto: reprodução/Youtube

Se o vídeoclipe de Etérea é estética e politicamente muito relevante, o making of potencializa ainda mais o trabalho. A divulgação toda do trabalho tem sido acompanhada de textos que pedem o combate da LGBTQIfobia no Brasil. Além de oferecer críticas ao governo vigente em relação das (inexistente) políticas públicas para população LGBTQI+.

Se faz importante lembrar ainda que nos últimos anos o artista tem buscado rever o que já fez – inclusive os seus equívocos – e levantar a voz pela comunidade LGBTQI+. Em 2016 quando regravou as músicas Vasilhame e Breáco, para o Ainda Há Tempo, alterou sua letra por conter expressão transfóbica e sexista. Na época, em entrevista ao jornal O Globo, Criolo declarou que “Quando você é jovem, pode magoar alguém sem saber. Não porque você é mau, mas porque ninguém falou para você que aquilo poderia ser ruim. Não foi só essa modificação que fiz nas letras. Revi tudo e mudei aquilo que não tinha necessidade de ficar. Não tenho problemas em dizer que errei”.

Há de se mencionar ainda o episódio ocorrido em entrevista para o Clemente Nascimento do Showlivre, que tentou fazer piada homofóbica e foi devidamente cortado por Criolo. Muito incomodado o artista respondeu “(…) não vou rir, aí parece que é defeito o cara ser homossexual. Eu não sou homossexual e jamais vou usar como chacota esse termo”.

Fefa, uma das performers, diz no making of que “os opressores não contam que os nossos corpos voam“. E o próprio Criolo diz – no único momento em que sua imagem aparece nos dois vídeos – que o “mal não vai vencer o bem. O medo não pode vencer a liberdade“. Que assim seja, Criolo.

Voemos! Livres! Vivas!

Créditos
Direção: Gil Inoue e Gabriel Dietrich
Direção criativa: Tino Monetti e Pedro Inouse
Co-produção: Dietrich.TV e oloko Records
Casting: D’Avilla e Tino Monetti
Styling: Nilo Caprioli
Beleza: Felipe Ramirez

PERFORMERS:
ÁKIRA AVALANX (Coletivo House of Avalanx)
D’AVILLA (Popporn/Festa Dando)
FEFA (Animalia)
FLIP (Coletivo Amem)
JUJU ZL (Batekoo)
KIARA (Batekoo)
TRANSÄLIEN (Marsha Trans e Coletividade Namíbia)
ZAILA (House of Zion)

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