Infinite Body Piercing muda a organização sobre os piercing genitais pensando nas variadas identidades de gênero

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Elayne Angel e James Weber. Foto: Reprodução / Infinite Body Piercing

Toda vez que assistimos profissionais da modificação corporal (da pessoa que faz tatuagem, passando pelo piercing e as demais técnicas) produzindo discursos de ódio e que fomentam a segregação e exclusão, precisamos pensar que são pessoas que estão a trabalhar na contramão de tudo o que tem sido feito nas principais áreas do conhecimento ao redor do mundo. A questão da inclusão e acessibilidade é pauta em todas as empresas (de variados portes e seguimentos) e profissionais sérios. E é bom ver que a indústria do piercing está conectada com tudo isso. 

A Infinite Body Piercing, fundada em 1994 nos Estados Unidos da América por James Weber,  é uma das empresas do meio da modificação corporal que trabalha assumidamente dentro de uma perspectiva inclusiva. Um estúdio para piercing que tem trabalhado fortemente ao longo dessas décadas pela educação, o que acontece através de seu website, materiais impressos e também aulas.  

Buscando ser de fato mais inclusiva com as pessoas das mais variadas identidades de gênero, a empresa fez grandes mudanças em seu website, especificamente na organização dos piercings genitais. Antes a lógica estava dentro de uma noção binária de gênero. Assim, dentro da categoria piercing genital feminino tínhamos a vagina e, por sua vez, na categoria do masculino, um pênis.  No entanto, já sabemos que genital não define o gênero. Em outras palavras, estamos dizendo que existem homens com vagina e mulheres com pênis. Considerando ainda as pessoas intersexuais. Cientes e conectados com essas discussões a Infinite Body Piercing substituiu piercing genital masculino ou feminino por piercing no pênis ou vulva. Simples e prático e que, sem dúvida alguma, de grande impacto para a comunidade trans* e das pessoas intersexuais. 

Publicação feita na fanpage da Infinite. Foto: reprodução / Facebook

James Weber explicou o motivo da mudança em artigo publicado no site da Infinite. Este ano, ele estará novamente ministrando aula sobre Piercing Genital Masculino na Conferência da Association of Professional Piercers (APP). Ele foi convidado para ministrar aula sobre a mesma temática com a Elayne Angel em 2014 e 2016. A cada ano a aula foi passando por novas organizações e, para 2018, não seria diferente. Em parceria com Kellan Smith iniciaram as atualizações. 

Weber explicou ainda que em conversa sobre a apresentação com sua esposa (e editora), ela pontuou no quanto a linguagem do material era generificada. 

“Você consistentemente se refere a esses clientes como homens, você já se deu conta de que nem todo mundo com pênis é um homem?” 

 

No diálogo James respondeu que é claro que ele tinha essa consciência. “Bem, essa linguagem não reflete isso”, ela respondeu.  

James Weber reconhece que trabalhar a linguagem é o primeiro passo. E é bom lembrarmos, principalmente para nós falantes do português, que a linguagem não é neutra e em nosso caso ela reforça uma construção patriarcal em que quase tudo é dito no masculino e nos acostumamos com isso. Além do binarismo de gênero, claramente.

Embora o título da futura aula da APP continue sendo Piercing Genital Masculino, o material que acompanhará a atividade passou por atualizações para incluir mais nuances da linguagem. Pensando de uma forma mais inclusiva. E é fenomenal saber que isso está a acontecer na indústria do piercing, pensando principalmente no impacto educacional das novas gerações no sentido de construir uma comunidade em que a transfobia não seja tolerada. E que todas as pessoas possam circular pelos estúdios mais diversos sem o risco de sofrer injúria. 

Grandes aulas muitas vezes acontecem fora de eventos grandiosos ou instituições renomadas. É preciso estar criticamente sensível e permeável para absorver tudo isso. E deixar florescer. Deixai! 

 

REFERÊNCIA

Gender-neutral genital piercing
https://infinitebody.com/blogs/news/gender-neutral-genital-piercings

 

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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro "A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990" e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.