Microdermal

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Dez conceituados profissionais da modificação corporal, de diferentes pontos do Brasil, responderam 20 perguntas sobre o microdermal.
O que é, como faz, riscos, valores e tantas outras informações completam esse artigo.
Sem dúvida alguma, o conteúdo desse apanhado é de extrema importância para todos os profissionais que atuam com tal técnica e também para o entusiasta que pretende ostentar um microdermal no corpo.
Os 10 profissionais:
[Organizados em ordem alfabética]

Gordex
Sâo Paulo – São Paulo
gordex.piercingtattoo@hotmail.com

Johnnes Rocha
Salvador – Bahia
jhonnescmf@gmail.com

Luciano Iritsu
São Paulo – São Paulo
www.iritsupiercer.com

Max Alves
Umuarama – Paraná
http:/fotolog.com/max_maluko2

Origami
Salvador – Bahia
origami.piercer@gmail.com

Paulo Vitor
Igaraçu do Tietê – São Paulo
paulo.vitor_mods@hotmail.com

Popoldokiss
Ribeirão Preto – São Paulo
popoldokiss@gmail.com

Ricardo Depiné
Jaraguá do Sul – Santa Catarina
bydepine@gmail.com

Sick
Carapicuiba – São Paulo
sick.bodytunning@gmail.com

Valnei
Recife – Pernambuco
bodyart_valnei@hotmail.com

As 20 questões: Tudo o que você precisa saber sobre o microdermal

1 – T. Angel: Há quanto tempo você trabalha com o microdermal?
Gordex: Nove meses.
Johnnes: Um ano e sete meses.
Luciano Iritsu: Há um ano e pouco eu acho. Pra essas coisas de tempo eu sou meio ruim…risos.
Max: Mais ou menos um ano…
Origami: Apesar de conhecer a técnica há uns 5 anos, só comecei a aplicá-la no final de 2007, quando tive conhecimento da fabricação de jóias, com uma eficácia em relação a cicatrização e melhor biocompatibilidade.
Paulo Vitor: Um ano e meio.
Popoldokiss: Acho que dois anos, não deve ser mais que isso. … risos
Ricardo Depiné: Pouco mais de 2 anos.
Sick: Faz quase 2 anos. Desde novembro de 2007.
Valnei: Comecei em julho de 2008, quando uma amiga trouxe umas peças da Costa Rica e queria que eu aplicasse. Nunca tinha visto as peças na minha vida, apenas em fotos. Dei uma estudada rápida e fizemos com o método de cateter, porquê em Recife não temos acesso à punchs.

2 – T. Angel: Como se deu o interesse pela técnica?
Gordex: Como sempre estou me atualizando em minha área (body modification), acabei conhecendo a técnica com amigos e outros profissionais do meio.
Johnnes: Procuro estar sempre informado com as novidades. BMEzine e vídeos na internet ajudaram bastante para o meu interesse.
Luciano Iritsu: Acho que quando se trabalha na área, você acaba se interessando por todas as coisas que estão acontecendo no meio e como eu gosto de transdermal e surface, acabei gostando também do microdermal.
Max: Estou sempre buscando atualizar minhas técnicas de trabalho e saber o que está rolando de novo, disto veio o interesse. Não me lembro quando vi um micro pela primeira vez, mas não parei quieto enquanto não aprendi e coloquei em pratica a técnica.
Origami: Sempre trabalhei com piercings incomuns principalmente surface e pocket (flash staple), portanto, quando vi os primeiros microdermais ou surfaces anchors o meu interesse foi inevitável, por se tratar de uma coisa totalmente relacionada as duas técnicas anteriores.
Paulo Vitor: Alguns anos atrás tive contato e experiências com Dermal Anchoring. Alguns anos depois comecei a ver peças sendo desenvolvidas especialmente para esse tipo de procedimento, então, conheci o Microdermal mas não tive acesso as peças de imediato.
Popoldokiss: Eu já tinha visto fotos e tal. Conheci um cara na convenção que me mostrou e acabamos fazendo na minha testa e achei interessante a técnica e o resultado.
Ricardo Depiné: Conheci a técnica através de sites gringos, se não me engano foi no site do Steve Haworth (http://www.stevehaworth.com/wordpress/) que li sobre o assunto pela primeira vez. Inicialmente ainda tratava-se de um projeto de uma perfuração single-point, ou seja, de um piercing que seria feito em apenas uma perfuração. No começo, as primeiras jóias que foram desenvolvidas eram parecidas com um nostril, onde a base ficava alojada sob a pele e era introduzida através de uma pequena perfuração. Eu mesmo fiz protótipo dessa jóia e coloquei no meu ante-braço, onde ela ficou mais ou menos meio ano, mas nunca cicatrizou completamente (foto em anexo). Acho que dai veio a origem do nome “dermal anchor” (anchoring, ou âncora em português), que depois veio a se tornar “microdermal”, pois a base da jóia era semelhante a um gancho, ou âncora mesmo, que ficava “engatada” sob a pele.
Sick: Já tinha visto algumas fotos, mas não tinha acesso as peças nem a técnica. Foi quando fiz uma viagem ao Peru para participar de uma convenção. Aprendi essa e outras técnicas com o espanhol, Nicolas Marin, com quem trabalhei por 15 dias nessa viagem.
Valnei: Toda forma de manipulação corporal me interessa, scar, implantes, suspensão e não seria diferente o meu interesse por microdermal. Na verdade o micro surgiu para me tirar do tédio e do marasmo do piercing básico, porque não tinha mais o que fazer, mesma coisa sempre. O micro entrou na minha vida e na de muitos profissionais como um novo desafio, um novo aprendizado, estávamos tão avançados (alguns, claro) e vivíamos discutindo, pesquisando e quebrando a cabeça por uma pecinha tão pequena risos
Foi super interessante isso, uma nova invenção corporal.

3 – T. Angel: O microdermal tem a versatilidade de ser feito com bisturi, agulha americana ou punch. Qual a forma que você acha melhor de trabalhar?
Gordex: Geralmente uso agulha americana. Já trabalhei com o punch também, mas prefiro trabalhar com agulha americana mesmo, me adaptei melhor. Nunca trabalhei com bisturi para a aplicação do microdermal.
Johnnes: Já utilizei as três técnicas. Hoje trabalho com agulha americana ‘dumping’ e o ‘strike’ que é feito com um punch.
Luciano Iritsu: Com bisturi nunca fiz. Comecei a fazer com punch usando as mesmas técnicas do surface e atualmente estou preferindo usar agulha americana.
Max: Pode parecer estranho, mas trabalho com cateter 14Ga.
Origami: Conheço as técnicas de “dumping” e “strike”, a primeira com uso da agulha e a segunda com o dermal punch, que já experimentei. Me adaptei muito melhor com o uso da agulha americana na maioria das regiões do corpo. Em raros casos recorro ao dermal punch.
Paulo Vitor: Dermal Punch.
Popoldokiss: Eu gosto de trabalhar com o bisturi. Acho tão mais simples!
Ricardo Depiné: Já tive a oportunidade de utilizar as 3 técnicas, e ambas apresentaram resultados satisfatórios, porém, acredito que a melhor delas seja aquela feita com dermal punch de 1,5mm de espessura. Não considero essa a maneira mais prática e fácil, pelo contrário, mas acho que é a maneira que apresenta melhores resultados a longo prazo.
Sick: Eu só trabalho com punch. Além de ser mais rápido, a dor é menor também. Com punch demora de 1 a 2 minutos a aplicação de cada peça. Com agulha americana, por exemplo, já vi pessoas demorando 20 minutos.
Valnei: Eu trabalho com cateter e com punch, ainda não testei com bisturi. Nossa, é muita a diferença de trabalhar com punch e com cateter. O único problema com o punch e o preço, super caro ainda e em alguns lugares simplesmente não acho. Ai recorro ao cateter, se pudesse escolher, escolheria só os punchs para trabalhar.
Acredito que o punch como não fica pressão, pelo corte ser redondo, é bem mais fácil a pele encapsular e com isso, uma melhor cicatrização.

4 – T. Angel: Sabemos que o processo de cicatrização é variável de pessoa para pessoa. Mas, qual das técnicas citadas acima causa menos dano ao corpo e é melhor para a cicatrização?
Gordex: Na minha opinião, acho as duas cicatrizações viáveis, mas ainda acho a cicatrização da agulha americana melhor, pois não tem remoção de tecido, ao contrário da do punch.
Johnnes: A utilização do punch é menos traumática e facilita bastante na cicatrização.
Luciano Iritsu: Como eu disse, não posso falar do bisturi porque nunca utilizei. Mas acho que a agulha pode ser melhor que o punch porque não remove tecido e pode cicatrizar mais rápido, mas tem que ser uma agulha de boa qualidade.
Max: Tenho trabalhado com o cateter e acho a cicatrização excelente. Mas sempre ouço de colegas que quando usam o punch o resultado é bem bacana também.
Origami: Na minha experiência tem sido a do uso da agulha americana por não remover tecido e também por achar que dentro dessa técnica, já encontrei o meu melhor modo de aplicá-la. Porém outros piercers podem ter melhor resultado com outro modo de fazer, é bem relativo, isso envolve vários fatores que se levados em consideração influência muito.
Paulo Vitor: Dermal Punch.
Popoldokiss: Bom, eu acho que o bisturi, porque o corte é pequeno e fino, tem que saber fazer e num é de qualquer jeito ou qualquer bisturi. Você não arranca pele e nem a agride demais. Mas todas as técnicas são boas, vai de quem está aplicando.
Ricardo Depiné: Creio que seja a técnica feita utilizando o punch, pois o tecido do local onde ficará acomodada a haste da jóia é removido completamente, o que faz com que a pele ao redor da perfuração exerça menos pressão no local. Essa pressão, na minha opinião, é um dos principais fatores que levam a rejeição, pois o corpo tende a formar uma fibrose no local perfurado, e se esta fibrose não tiver espaço para se formar, ela acabará empurrando a peça para fora.
Sick: Acredito que a que cause menos danos é o punch mesmo. Por não ter corte lateral como nas agulhas.
Valnei: Uso o punch e o cateter como já mencionei, mas sinceramente, não vi tanta diferença na técnica para o processo de cicatrização, e sim o cliente. Porque se for feito com qualquer uma das técnica, for bem executada e o cliente não cuidar, já era. Não importa como foi feito, o mais importante para mim é o pós e o cliente é totalmente responsável por isso.

5 – T. Angel: O microdermal é o mesmo que dermal anchor?
Gordex: Apesar de serem muito parecidos, não são a mesma coisa.
Johnnes: Não. O microdermal é a evolução do dermal anchor e o formato da jóia é diferente. Agora a estética de um único ponto é a mesma. Nunca trabalhei com dermal anchor.
Luciano Iritsu: O microdermal é a evolução do dermal anchor ou anchoring, pois as idéias são as mesmas, mas as peças mudaram, tornando-se mais eficientes e com uma melhor adaptação ao corpo.
Max: Considero o microdermal como uma evolução do Dermal anchor
Origami: Sim, pra mim é. Ou não é? risos
Paulo Vitor: Acredito que o princípio estético e o processo do procedimento sim, mas no meu ponto de vista, são coisas totalmente diferentes.
Popoldokiss: Bom, acho que muita gente inventa muito nome pra muita coisa e quando você faz uma pesquisa, acaba vendo o tanto de informação diferente uma da outra que existe. Mas a estética dos 2 nomes citados acaba sendo a mesma. Se você pensar no microdermal como a jóia de base reta e na dermal anchor com o gancho. Mas é uma boa pergunta, gostaria de ter conhecimento e informações melhores sobre isso também… Como e de onde surgiu esses nomes, pra causar menos confusão. risos
Ricardo Depiné: Na minha opinião, não. Como já citei acima, creio que o nome microdermal seja uma abreviação de “micro dermal anchoring”. Já o Dermal anchor em si (não o micro) era o nome inicial daqueles implante transdermais criados pelo próprio Steve, que além de serem maiores são introduzidos sob a pele de uma maneira muito mais traumática, através de uma pequena incisão por onde é colocada a base da peça, fazendo com que a haste saia por uma perfuração feita anteriormente com um punch.
Sick: São as mesmas coisas. O nome “microdermal” ficou mais popular por ser mais fácil, eu acho. E acredito que tenha surgido por que a peça é muito parecida com a peça de transdermal, só que com medidas muito menores.
Valnei: Acho que seria uma evolução, porque o método é o mesmo, mas as peças mudaram bastante.

6 – T. Angel: Seria o microdermal uma versão nova do pocket piercing?
Gordex: Uma versão evoluída, que não tem perigo de escapar a peça. risos
Johnnes: Se for comparar o lado estético, acredito que sim. Em termos de cicatrização eles são muito diferentes, o microdermal ganha! risos
Luciano Iritsu: Não, acho que é mais próximo do transdermal ou mesmo o surface, pois o pocket piercing tem peças diferente, com a base para fora, ao contrário do microdermal.
Max: Enquanto o dermal anchor é um pocket com um só orifício, o microdermal é o dermal anchor mais bonitão. risos
Origami: Na verdade o microdermal por muitos é considerado uma mistura de técnicas que envolvem o surface piercing e a técnica de pocketing. Piercers que dominam essas técnicas tem mais facilidade em aplicar microdermais.
Paulo Vitor: No meu ponto de vista não.
Popoldokiss: Não concordo com isso, o pocket é bem diferente. Eu acho que é uma evolução do piercing, de modo que você pode colocá-lo em vários lugares do corpo e a base da peça fica dentro da pele e o acessório para fora. Além disso, o fato que só fica uma parte da peça pra fora, acabou aquela coisa de duas bolinhas. O pocket é um anti-piercing… risos
Ricardo Depiné: Acredito que não, pois o microdermal trata-se de uma perfuração “single-point”, ou seja, a base da jóia é alojada sob a pele através de uma única perfuração. Já o poketing considero que seja algo como um “piercing ao contrário”(risos), onde ao invés da haste da jóia ficar alojada sob a pele, são as extremidades que ficam, deixando a maior parte da haste exposta. Creio que a nova versão do poketing piercing seria mesmo o stapple piercing (stapple = grampo), pois os resultados estéticos de ambos são praticamente os mesmos, todavia, o formato da jóia e sua aplicação sejam um pouco diferente.
Sick: Na verdade microdermal e pocketing são coisas completamente diferentes. No pocketing é colocada uma haste onde as extremidades ficam embaixo da pele. Acho que o microdermal seria uma técnica mais segura e que está substituindo o surface na verdade.
Valnei: Não. Acho bem diferentes as estéticas, as formas como são feitas e como ficam na pele depois. Não vejo ligação de um com o outro.

7 – T. Angel: Quais as diferenças entre o transdermal e o microdermal?
Gordex: O microdermal não agride tanto o tecido onde a peça é aplicada. Quanto ao transdermal, é necessário mais espaço para aplicação da peça, por tanto, é necessário que descole uma área maior de tecido. Sem falar que o risco do transdermal ser expelido é maior.
Johnnes: Aplicação, formato da base da jóia que é muito menor e cicatrização.
Luciano Iritsu: Técnicas diferentes na perfuração, por exemplo, e tamanhos diferentes. O microdermal tem peças bem menores.
Max: Tamanho, facilidade de aplicação, e reversão. Com relação ao tamanho, um microdermal caberia tranquilamente em um dos orifícios da base do transdermal. risos. Isto influi bastante na hora da escolha do cliente (comum) entre um e outro.
Como todos sabem, a aplicação de um transdermal é semelhante a de um implante subcutâneo, e a do microdermal, lembra mais a de um piercing básico, ou um surface. Enquanto no transdermal, é necessário uma incisão a uma certa distância do local onde a jóia será acomodada, “descolar a pele”, entre os dois pontos, a feitura de um orifício por onde a parte externa da jóia passará, e depois suturar o local onde a incisão foi feita…O microdermal, basta um orifício, e a parte da pele que terá que ser descolada, é bem menor.
Mas são duas coisas diferentes, com resultado estético diferente também.
Origami: O transdermal é feito em outras proporções, por isso carece de anestesia, incisão e uso de dermal punch. O microdermal anchoring é como um “micro transdermal”, por assim dizer, não é necessário tanto.
Paulo Vitor: Transdermal é um procedimento muito mais invasivo, o microdermal é mais superficial, de calibre menor e muito menos invasivo.
Popoldokiss: O transdermal fica em camadas mais abaixo da pele, não sendo tão superficial e o microdermal fica superficial. Transdermal é legal! risos
Ricardo Depiné: Já falei um pouco sobre isso acima. São duas coisas completamente diferentes, apesar da semelhança que possam apresentar depois de prontas (a não ser pelo tamanho das peças). O microdermal é aplicado através de uma pequena perfuração, já o trasdermal é aplicado através de uma incisão, a pele abaixo do local que acomodará a base da peça é descolada e necessita-se de sutura. Ou seja, o transdermal é mais semelhante a um implante mesmo subdermal mesmo, porém com uma parte aparente.
Sick: Basicamente o tamanho. Pois as peças são bem parecidas e o resultado é o mesmo. O que muda também é a aplicação. No microdermal é feito apenas um furo na pele e encaixada a jóia, no transdermal precisa ser feita uma incisão e depois o punch pra colocar a jóia.
Valnei: Transdermal a peça é bem maior, tem que ser colocada através de um corte, receber pontos, demora muito tempo para cicatrizar, as vezes, quase nunca cicatriza. É bem diferente e bem mais complicado o método. Envolve anestesia, punchs de maior calibre, descolar a pele num espaço bem maior, suturas e etc.
Micro é uma maravilha, apenas um corte, uma descoladinha e já esta no lugar, super simples de se fazer e de se cuidar.

8 – T. Angel: Dizem que o microdermal pode ser feito em qualquer parte do corpo. Existe alguma restrição?
Gordex: Como sempre, um profissional sensato não vai aplicar a peça em um setor de articulação, ou em setores que sofrem mais atrito e tem riscos de remover a peça, por exemplo, o cotovelo, juntas de falanges…
Johnnes: Eu evito fazer em lugares que vão ocorrer atritos constantemente.
Luciano Iritsu: É como o surface, restrito só em lugares com articulações.
Max: Prefiro aplicá-los em áreas o mais planas possível, em que a pele não se movimente demais.
Origami: Em quase todas as partes do corpo que estão relacionadas à superfície da pele. As restrições vão de acordo com o bom senso de cada um, por haver lugares que só de olhar já se sabe que não vai se obter um resultado satisfatório, ou seja, uma cicatrização total da região. Além disso, o risco de causar danos irreversíveis ao local escolhido.
Paulo Vitor: Eu acredito que qualquer tipo de procedimento pode ser feito em qualquer parte do corpo, mas, isso não quer dizer que o resultado seja satisfatório.
No caso do microdermal procuro fugir sempre de locais com pouca gordura e muita articulação.
Popoldokiss: Eu não concordo que em qualquer parte do corpo, acho que locais como perna, coxa, joelho, nádegas, quadril, pé, enfim locais que podem trombar ou sofrer fricção com muita facilidade não sejam uma boa.
Ricardo Depiné: Eu acredito que pode ser feito em qualquer parte do corpo sim, porém, a permanência da jóia a longo prazo depende muito do local e da espessura da pele onde ele será aplicado. Partes do corpo que apresentem muita movimentação, por exemplo, podem facilitar um processo de rejeição (como ombros, dedos, etc…). Assim como o surface piercing, acredito que o microdermal se acomode melhor em locais onde tenha uma capa de gordura mais espessa (que será onde ficará acomodada a base da jóia). Quanto menos gordura no local (ou seja, quanto mais fina a pele) mais fácil de ocorrerem rejeições. Além disso, locais que ofereçam muito atrito com outras partes do corpo ou até mesmo das roupas com a peça também dificultam a permanência da jóia (cintura, hip, etc…). Acredito que os melhores resultados são obtidos em regiões de anatomia mais plana.
Sick: Quase qualquer lugar na verdade. Deve se evitar regiões de articulação, como em qualquer outro tipo de perfuração.
Valnei: Não trabalho em área de articulação, como perto de pulsos e etc.

9 – T. Angel: Quais os riscos que o microdermal oferece?
Gordex: Microdermal assim como qualquer outra modificação, tem o risco de inflamações, da peça ser expelida, mas isso no caso de má aplicado ou não tendo os cuidados certos no período de cicatrização.
Johnnes: O mesmo de um piercing comum.
Luciano Iritsu: Como os outros piercings, nenhum. Quando seguidos todos os cuidados e assepsia.
Max: Praticamente os mesmos de um piercing: infecção, expulsão, quelóides…
Mas assim como os piercings básicos, estes riscos podem ser evitados com cuidados da parte do perfurador e do cliente.
Origami: Como quase todos os piercings existem riscos, porém, em alguns maior ou menor porcentagem de não haver uma boa cicatrização. Os microdermais oferecem menos riscos do que perfurações mais comuns, sua limpeza é fácil e cicatrização bem tranqüila.
Paulo Vitor: Desde que feito com um bom profissional e tendo uma boa higienização, os riscos são basicamente os mesmos de um piercing tradicional.
Popoldokiss: Como qualquer modificação que não é feita corretamente e, também não tendo os cuidados corretos, pode dar inflamações e infecções. Mas também pode entrar
dentro da pele, pode machucar com muita facilidade por trombar, pode sair facilmente do corpo se não cuidar. Já vi e já aconteceu comigo algumas vezes casos dele expelir como se nada fosse. O corpo tem a tendência de não aceitar corpos estranhos, por isso pode haver rejeição. Acho que nada fora do comum. Se cuidar dá tudo certo!
Ricardo Depiné: Acho que quando feito de maneira correta e respeitando a anatomia do local, o único risco oferecido por este tipo de perfuração é de uma rejeição, que pode vir a causar uma pequena cicatriz no local.
Sick: O único risco de um microdermal é a infecção. Por material não esterelizado ou falta de cuidado do cliente. E em alguns casos, o corpo pode expelir a peça.
Valnei: Se o cliente cuidar, não vejo risco algum. Como qualquer outro piercing é um corpo estranho no corpo, se não cuidar bem, o corpo vai jogar para fora, vai expelir.
Mas tendo consciência e cuidado, não vejo risco nenhum.

10. T. Angel: É uma técnica reversível facilmente? Quais as sequelas?
Gordex: Totalmente reversível. E as seqüelas são pequenas, um pontinho de cicatriz, igual ao do piercing.
Johnnes: Sim, quase não fica nenhuma marca depois de removido.
Luciano Iritsu: È sim, e as seqüelas são pequenas, comparadas com perfurações de piercings, pois no microdermal há apenas uma perfuração, tendo menos riscos de entrar bactérias, diferentemente dos piercings.
Max: Sim, a remoção é simples e rápida, e pode deixar uma pequena cicatriz. Nada de muito relevante.
Origami: A remoção de um microdermal é muito simples e não deixa mais do que uma marca similar a de um cravo.
Paulo Vitor: É uma técnica reversível facilmente deixando no máximo uma pequena cicatriz.
Popoldokiss: Não é simples retirar o microdermal, pode até ser dependendo do local e da cicatrização da pessoa, mais num é como um piercing tradicional que você retira da perfuração e pronto. Pode sim ficar cicatrizes, pequenas mas ficam, depende de cada um.
Ricardo Depiné: Depende do modelo de jóia que é utilizada. Existem umas peças com a base sólida, sem perfurações, que são removidas com mais facilidade. Já as tradicionais, ou seja, aquelas que tem uma base com pequenos furos são um pouco mais complicadas de serem removidas, pois estes furos existem justamente para ajudar na fixação da base da jóia sob a pele. Ao redor destes pequenos furos se formam as fibroses (engrossamento da cicatriz) que seguram a jóia no local, dificultando que ela saia com facilidade. Neste caso a remoção só pode ser feita através de uma pequena incisão que possibilite o descolamento da jóia da pele fibrosada. Normalmente essa remoção costuma deixar pequenas cicatrizes, porém a intensidade dessas cicatrizes variam muito de pessoa para pessoa, e não é nada muito maior do que a marca deixada por um piercing básico que não cicatrize perfeitamente.
Sick: É reversível sim, quase todo tipo de modificação é. A única coisa que vai ficar é uma cicatriz, isso é inevitável.
Valnei: A sequela é a de apenas um ponto quase imperceptível na pele e sendo feito e retirado por um bom profissional é uma técnica super fácil, tanto para por como para retirar.

11 – T. Angel: O Brasil produz todo material para execução do microdermal ou é preciso importar?
Gordex: Como sempre o Brasil é muito carente no quesito material, até então, temos que importar/comprar todo o material de países vizinhos.
Johnnes: Não. A jóia que é o principal você só encontra na mão de alguns profissionais ou importando. O punch e a agulha você até encontra aqui no Brasil, mais com o valor maior comparado com o importado, que tem a qualidade melhor.
Luciano Iritsu: Ainda é preciso importar, pelo menos a base que não é feita no Brasil.
Max: Até o momento só tive contato com materiais importados.
Origami: Se produz eu não conheço, mesmo assim prefiro trabalhar com as jóias que importei , principalmente por ter me adequado ao seu formato, espessura e material. Trabalho com microdermal em titanium G23, com a parte externa em aço 316 ou titanium.
Paulo Vitor: Normalmente trabalho com material importado, mas, no Brasil existe alguém muito bom que produz peças e instrumentos.
Popoldokiss: Bom, eu sinceramente não conheço uma empresa nacional que faça esse trabalho, eu costumo importar.
Ricardo Depiné: Acho que ainda não existe nenhuma fábrica nacional que produza este tipo de jóia. Caso aja, eu desconheço. Todas as peças que utilizei até hoje foram importadas, de diferentes fornecedores. Além das peças em si, os punchs de biópsia utilizados também são difíceis de encontrar por aqui (pelo menos para mim que moro em Santa Catarina). Costumo importá-los também.
Sick: Até o momento não sei de ninguém que fabrique essas peças no brasil. Todas as peças acredito que são importadas. As que eu uso são.
Valnei: Tudo importado. O grande problema são as peças MADE IN CHINA que invadiram o mercado de piercing.

12 – T. Angel: Já existe algum artista brasileiro se destacando nessa área?
Gordex: Valnei, Paulo Vitor, Max Maluko e Rafa Gnomo.
Johnnes: Por ser uma modalidade “nova” acredito que não.
Luciano Iritsu: Acho que não, ainda estamos aprendendo e aperfeiçoando.
Max: Os caras que sempre tenho visto, são Johnnes Diaz, Gordex, Paulo.Vitor, Valnei (que foi uma das pessoas que mais colaborou comigo com técnicas).
Origami: Jhonnes BodyArt (Salvador – BA), o Depiné (Jaraguá do Sul – SC) e o Luciano Iritsu (São Paulo –SP).
Paulo Vitor: Acredito que no Brasil não há tanto destaque nessa área por ser ainda pouco difundida aqui e por ser pouco difundida não é qualquer um que se mete a fazer ou tem acesso ao microdermal, então acho isso um ponto positivo.
Popoldokiss: Na minha opinião a clinica Crazy Body Piercing, que conta com os profissionais Crazy, Carol e Ricardo. Se destacam bem, eles fazem bastante por lá.
Ricardo Depiné: Como sou do sul, por aqui essas novas técnicas ainda são pouco difundidas. Da minha região eu destacaria alguns profissionais que já trabalham com esta técnica a algum tempo e sempre estão atrás das novidades, que são a Fernanda (atualmente trabalhando no estúdio Dermografite em Balneário Camboriú) e Maga (do Maga Tattoo Clinic, de Joinville, SC.). Acredito que nos grandes centros como São Paulo com certeza existam profissionais se destacando, porém como não tenho mantido muito contato com este pessoal atualmente, seria injusto citar alguém sem saber como estão os níveis de seus trabalhos.
Sick: É uma técnica relativamente nova no Brasil. Acho difícil alguém se destacar nesse seguimento da modificação já que é uma coisa limitada, não existe muita possibilidade de personalização. E o maior problema é que tem muito curioso fazendo sem conhecer a técnica correta. Difícil falar de algum profissional.
Valnei: Como falei, é algo simples de ser feito, não acho que teria algum tipo de dificuldade para se ter algum destaque nessa área. Quem me impressiona muito é o Johnnes de Salvador, ele faz muitos micros. É bem bacana isso.

13 – T. Angel: O microdermal seria considerado uma modificação extrema? Justifique sua resposta.
Gordex: Não. Porque ele sendo uma peça pequena, de fácil aplicação e reversível, não se torna uma modificação extrema.
Johnnes: Na minha opinião o microdermal tem a simplicidade e a segurança de um piercing.
Luciano Iritsu: Penso que não, pois é agressivo pra quem vê e ouve como é feito, mas pra pessoa que recebe é igual a perfuração do piercing ou as vezes até menos. E também não existe uma mudança tão brusca na pele. Eu chamo de piercing do futuro. risos
Max: Não. Acho que o micro ainda tem muito o que se popularizar, embora seja um “implante”, sua aplicação é muito tranqüila. E não causa tanta estranheza quanto, por exemplo, um implante subcutâneo ou uma remoção de falange. risos
Origami: Não, modificações corporais extremas na sua maioria são irreversíveis.
Paulo Vitor: No meu ponto de vista não, é muito pouco invasiva e nada agressiva visualmente. Eu acho muito difícil classificar o que é extremo ou não, julgo muito pelo padrão estético, as vezes o que parece extremo pra um pode não parecer pra outros.
Popoldokiss: Acho que depende da quantidade que você colocar, mas extrema, acho que não. Como encher o rosto, fazer figuras, isso é legal, mais extrema é uma palavra muito forte.
Ricardo Depiné: Claro que não. Trata-se de um piercing um pouco mais avançado, porém não tem nada de extremo, pois não altera nem modifica radicalmente nenhuma parte do corpo. Ao contrário, serve apenas como um adereço puramente estético.
Sick: Não acho que seja extremo. Na verdade é muito mais simples e delicado que muitos piercings. Tem aumentado a procura por pessoas que não tem nada no corpo, e na sua primeira perfuração, querem microdermal.
Valnei: De forma alguma. Tanto visualmente como a forma de ser feito eu acho super tranquilo.

14 – T. Angel: Retomando uma pergunta que fizemos para os body piercers, as convenções de tatuagem que temos nacionalmente, dizem serem voltadas para o body piercing também, no entanto, não vejo algo realmente concreto e uma ação dos piercers. Como é isso para você?
Gordex: Na minha opinião deveria sim ter uma procura maior. Mas aqui não temos um valor merecido como o dos tatuadores brasileiros. Mas, graças à Frrrkcon estamos ganhando um respeito e aumentando nosso espaço. Espero que continue assim, e que no futuro tenhamos o reconhecimento que merecemos.
Johnnes: Tem que ter mais profissionais envolvido e trabalhando nas convenções.
Luciano Iritsu: Mas as convenções de tattoo são voltadas para os profissionais do piercing também, só que em importâncias menores. Os organizadores de convenções são na maioria tatuadores e acho que eles deixam um espaço bacana para o pessoal de arte/modificação corporal, mas quem apóia mais esse tipo de trabalho são convencões de fora de SP. Por exemplo, dei uma palestra em Vitória-ES e Porto Alegre-RS, fiz duas suspensões em Salvador-BA, fiz uma scar em Porto Alegre e em Florianópolis-SC estive lá como jurado de piercing. Mas aqui em São Paulo o pessoal anda um pouco “careta” e acho que falta informação correta sobre isso e acho que podemos conversar mais e mostrar que a arte/modificação corporal não é apenas um bando de gente que “pendura, corta e coloca coisas dentro dos outros”. Só nós podemos mudar a idéia que a sociedade e mesmo as pessoas mais próximas tem da gente.
Max: Acho bem vindo tudo o que é voltado para nossa atividade. Mas sinto falta de eventos onde role troca de informações e uma visão séria sobre nossa arte.
Origami: Não há espaço para os piercers em convenções, por isso me restrinjo a poucas no Brasil e geralmente vou para encontrar amigos, os quais posso trocar informações e conhecer um pouco a cidade na qual eu vou. A convenção é só pretexto para que eu viaje. risos
Paulo Vitor: Não vou dizer que não costumo ir à convenções, porque é uma ótima oportunidade de rever amigos distantes, mas acredito que convenções como essas que acontecem no Brasil não são interessantes para isso. Acredito que eventos mais reservados e específicos como a Conscar, por exemplo, são mais interessantes.
Popoldokiss: Eu concordo com isso. Mas para os piercers esses tipos de convenções de tatuagens são mais para troca de contato e compra de material. Acho interessante o fato de haver também feiras e eventos, como as que vocês mesmo fazem, onde o público alvo é quem gosta e quem tem a curiosidade e vontade de conhecer. A respeito de como isso é pra mim, bom seria legal se tentassem fazer alguma coisa pra divulgar mais a modificação corporal e conscientizar quem tem interesse em aprender, os que tem interesse em modificar seus corpos e, os que já sabem. Tem muita informação mal dada por aí e cultura é sempre bom.
Ricardo Depiné: Acredito que as convenções são uma boa forma de se trocar informações e conhecer pessoas e profissionais das mais diferentes partes do mundo, porém, acho que elas estão mais voltadas para o público em geral hoje em dia, e não para os profissionais. Censuram muitas coisas, fazem muitas restrições sempre pensando no público que visitará o evento e não nos profissionais participantes. Não sinto a menor vontade de participar das convenções da maneira que elas ocorrem atualmente, pois não gosto de ser e nem de ver os demais profissionais da mesma área que eu sendo tratados como atração de circo. Creio que eventos feitos de profissionais para profissionais seja algo muito mais interessante e produtivo para todos. Claro que os eventos que ocorrem atualmente são bem vindos, pois ajudam cada vez mais a diminuir o preconceito que ainda existe em relação a estas práticas.
Sick: Como eu disse em relação ao microdermal, no piercing também é difícil alguém se destacar, é difícil avaliar se uma perfuração foi bem feita ou não. Porque muitas vezes está reto, mas as consequências de um piercing feito errado não aparecem na hora. É compreensível que o piercing não receba tanta atenção como a tatuagem. Agora o que eu acho que falta, é uma atenção maior para outras modificações. Existem muitos profissionais que se destacam no Brasil e até no exterior fazendo suspensão, escarificação, implantes e etc.
Valnei: Ah cara, de boa, nem me importo com muitas coisas hoje em dia. Comecei sozinho lá em Recife, tive uma porrada de dificuldades, que ainda estou tendo, batalhando até hoje pelo meu lugar ao sol. Todas as convençõe que participei foram apenas divertidas, nas não mudaram nada para mim e nem minha vida profissional.
Realmente não me importo com isso, de ter mais espaco. Até porque o pouco espaço que o piercing ganhou na mídia, o pouco espaço que ele teve, foi na verdade um tiro no meu pé. Porque cada vez que o piercing teve mais destaque, mais surgiram pessoas se aproveitando, pessoas literalmente sem futuro que viram no piercing uma maneira de grana fácil. Falo isso desde pessoas que viraram pseudo-profissionais até de gente que viraram RESPEITADOS distribuidores de materiais.

15 – T. Angel: Comente a cena brasileira da modificação corporal:
Gordex: O Brasil tem ótimos profissionais na área, mas ainda não reconhecidos aqui, somente lá fora. Infelizmente no nosso meio temos muitos oportunistas, assim como em qualquer outra profissão. Hoje em dia se acha um “piercer” em qualquer esquina, que faz o trabalho somente pelo dinheiro, achando que piercing é apenas “furar” as pessoas. Sem estudos e sem cultura, leigos, oportunistas, que não procuram estudar fisiologia da pele, biosegurança, primeiros socorros, etc…
Johnnes: Poucos profissionais tendo que se virar pra ter que divulgar seu trabalho aqui e fora do Brasil. A constante luta de sites, blogs, fotologs, eventos como a Conscar e a Frrrkcon que não perdem a força e contínua fazendo diferença na “cena” brasileira.
Luciano Iritsu: As pessoas falam muito e fazem pouco aqui no Brasil, os profissionais e mesmo as pessoas que gostam de arte/modificação corporal, parecem que estão mais preocupados no que o outro faz do que estudar, conversar e participar mais sobre as coisas relacionadas a essa arte. Ficam querendo arrumar intrigas e picuinhas uns aos outros, acho que o Brasil tem tudo pra ser uma potência na Arte/modificação corporal, mas somos muito imaturos e egoístas, porque aprendemos desde criança que é cada um por si. Mas ainda acredito na evolução.
Max: O que tenho acompanhado no Brasil, são grandes nomes se destacando no cenário mundial, tanto em técnicas quanto em material. Mas também tem muita gente que não se dá conta de que o lance ainda está começando e tem muita coisa pra aprender. Se a galera nova (e a antiga também, por quê não?) se preocupasse menos em aparecer e mais em ir atrás de informação, teríamos uma cena muito mais limpa e séria.
Origami: Minha resposta pode ser muito subjetiva pelo fato de ter uma visão restrita a minha região ( Nordeste). Portanto, não tenho uma opinião na qual possa generalizar, porém, vejo com bons olhos . Aos poucos a mente das pessoas está mudando e compreendendo a modificação corporal.
Paulo Vitor: Ultimamente estive fora do Brasil junto a Valnei e Max e realmente pudemos constatar que a cena no Brasil é forte quanto ao numero de pessoas que se interessam ou carregam algum tipo de modificação no seu corpo.
Acredito que o maior problema no Brasil são os “profissionais” que tem o ego do tamanho de um trem, mas na hora de fazer o que ele diz ser o “melhor” ele vai e faz merda.
Popoldokiss: Acho que está crescendo cada dia mais e os profissionais estão mandando muito bem. Mas também acho que falta muito material de estudo, que em outros cantos do mundo você tem mais fácil acesso. E também tá precisando peneirar um pouco a coisa.
Ricardo Depiné: Acho que ainda existe muito preconceito em relação a modificação corporal nos dias de hoje, pelo simples fato de ser algo que fuja do senso comum da maioria da sociedade, e infelizmente todas as minorias geralmente sofrem algum tipo de preconceito ou discriminação. Além disso, quem é “diferente” da maioria costuma se destacar, e quem se destaca acaba criando inveja em quem não tem nada de interessante para oferecer (não só esteticamente falando). Quando as pessoas aprenderem a respeitar a opinião individual de cada um e deixarem de julgar as pessoas somente pela aparência com certeza o mundo será um lugar muito mais agradável de se viver!
Sick: Bom, o que vem acontecendo no Brasil de alguns anos pra cá é uma verdadeira zona, principalmente quando o assunto é modificação corporal. Apareceram ótimos profissionais, mas junto com eles apareceram “curiosos”. Na minha opinião, isso é culpa dos profissionais mais antigos que criaram suas cobras em troca de alguns reais, confundindo workshop com cursos de modificação. Distribuindo certificados sem validade e “formando” pessoas sem conhecimento e técnica. Isso acontece também com profissionais de outros países que vem fazer o mesmo aqui. São poucos os profissionais que se preocupam em mostrar um trabalho bem feito, que estudam pra oferecer o melhor para o cliente, que se atualizam. Virou um circulo vicioso. A pessoa faz um curso de piercing de 20h, 6 meses depois essa mesma pessoa está dando o mesmo curso, e assim vai, formando cada vez mais profissionais sem preparo. Uma outra coisa horrível no Brasil, é alguns profissionais pensarem que trabalhar com isso é algum tipo de “coisa do outro mundo” e faz dele melhor que outra pessoa. Vivem aparecendo em canais de televisão, revistas, jornais, mas e os trabalhos? Alguém já procurou saber de como essas pessoas trabalham? Pode procurar, tem muita coisa errada por ai. Muito procedimento feito de qualquer jeito, e muitos causando problemas sérios de saúde. Como em qualquer outro trabalho, na modificação corporal a pessoa tem que se preocupar em fazer um trabalho bem feito, e não onde sua carinha modificada vai aparecer da próxima vez. Viver de aparência é fácil, quero ver mostrar trabalho!
Mas como eu disse antes, ainda existe meia dúzia de profissionais no Brasil que se preocupam com o bem estar do cliente e em oferecer sempre o melhor serviço. E que não trabalham com isso só para aparecer ou por dinheiro.
Valnei: Viajei bastante esse ano para outros países e posso falar por experiência própria, BRASIL É FODA!!!! FODA, FODA, FODA!!!!
Depois que comecei a viajar para outros países, vi o quanto estamos adiantados em modificações, embora com toda falta de material e dificuldade que temos, essa nova geração de piercers e modificadores são incríveis

16 – T. Angel: Qual a forma que você se atualiza sobre técnicas, instrumentos e métodos de trabalho?
Gordex: Sempre mantenho contato com amigos e profissionais como médicos, biólogos e profissionais da minha área também. Sempre marco reuniões com profissionais e amigos para nos atualizarmos e dividirmos informações sobre as coisas que aparecem e crescem em nossa área. Marcamos palestras, grupos de debate, workshops.
Johnnes: Pesquisando na internet, lendo e amigos de trabalho.
Luciano Iritsu: Lendo, trocando idéias com os profissionais por meio de internet, participando de todos os eventos relacionados à arte que julgo importantes.
Max: Estou sempre trocando idéias com outros profissionais, não só piercers, mas também de outras áreas. Faço o máximo de cursos e workshops possíveis. Agora mesmo, acabo de chegar de um workshop na Argentina e, uma jornada de suspensões na Argentina e no Uruguai, acompanhando o Valnei e outros nomes importantes na modificação. Nesta oportunidade procurei aprender o máximo com cada profissional lá.
Origami: Minha pesquisa consiste em usar todo tipo de informação, desde livros, internet e audiovisual. Além disso, a troca de informações por parte de colegas profissionais e filtrar usando o bom senso e conhecimento já adquirido para formar meus próprios conceitos dentro disso tudo.
Paulo Vitor: Procuro sempre estar trocando informações, viajando e trabalhando com outros profissionais.
Popoldokiss: Bom, eu tenho o costume de ser fução. risos
Então quando coloco na minha cabeça eu vou atrás. Costumo conversar com aqueles que tenho mais contatos e trocar figurinhas. Pesquisar também, me manter atualizado pela internet quando algo me deixa interessado. Tenho vontade de sair do país para aprender mais e trazer mais. Cultura é de graça e é tão legal adquiri-la. Basta ser curioso e ter força de vontade. risos
Ricardo Depiné: Costumo trocar informações com outros profissionais sempre que possível, seja através de eventos, visitas, viagens ou pela internet. Sempre que tenho alguma dúvida, procuro alguém mais experiente que possa me ajudar e não tenho a menor vergonha em pedir informações e esclarecimentos. Sempre que possível, participo de workshops e eventos que julgo serem interessantes, mesmo que sejam sobre algo que já esteja familiarizado. Sempre pode se absorver algo de novo quando se trocam experiências. Outra coisa que ajuda bastante são os blogs que mantenho (www.by-depine.blogspot.com e www.evolutionbody.blogspot.com), pois volta e meia aparecem pessoas tirando dúvidas e pedindo maiores esclarecimentos sobre algo novo, e isso me faz correr atrás destas informações. Acho essencial também manter contato com profissionais das mais diversas áreas de saúde (médicos, dentistas, etc…), e como tenho bastantes amigos atuando nessas áreas, costumo tirar muitas dúvidas com eles.
Sick: O único jeito de se atualizar é trocando informação com outros profissionais. Tenho contatos com vários profissionais do mundo todo, alguns já bem conhecidos. Batendo papo você acaba vendo que o jeito que a pessoa faz determinada coisa é melhor do que o jeito que você faz, e vice-versa.
Valnei: Internet, reuniões de amigos e algumas coisas na prática mesmo. Faz tempo que estou na estrada fazendo suspensão. Minhas viagens são como uma grande faculdade para mim, porque tenho a chance de me encontrar e ver profissionais trabalhando em quase todo o Brasil e por alguns países que eu passei.
Se você se permite a aprender mais, vai aprender com toda certeza. Me encontro com pessoas que trabalham anos com piercing, só fazem porcarias e ainda se acham pop stars. Gente humilde sempre vai aprender de uma forma ou de outra.

17 – T. Angel: Qual o preço médio de um microdermal?
Gordex: Em torno de R$ 120,00.
Johnnes: Entre R$ 120,00 e R$ 150,00, variando o valor pela peça de cima da jóia.
Luciano Iritsu: R$ 150,00
Max: No meu estúdio o preço é R$ 150,00. Sou o único da minha região trabalhando com isto até agora e não sei qual o preço que colegas de outros lugares tem praticado.
Origami: No meu estúdio custa de R$ 100,00 a R$ 200,00. O valor varia de acordo com o modelo da jóia e região onde vai ser aplicada.
Paulo Vitor: Comigo varia de R$ 130,00 a R$ 200,00.
Popoldokiss: Eu cobro em média R$ 100,00 depende da jóia. Acho que não pode desvalorizar porque não é uma coisa tão simples. Na verdade nada na modificação é simples, só pra quem é desinformado e desinteressado.Tudo é complexo, tem que ser bem estudado, analisado e feito com responsabilidade.
Ricardo Depiné: Atualmente trabalho com peças em titânio e aço cirúrgico 316L, e os valores variam de R$ 80,00 a R$ 150,00 em média.
Sick: Antes ou depois de virar bagunça? risos
Eu cobro em média R$ 100,00 a R$ 120,00 por aplicação. Mas já sei de gente fazendo por ai a 50 reais. Isso que eu chamo de desespero pra trabalhar, 50 reais quase não paga o material utilizado.
Valnei: Bom, eu, Luciano, Sick e mais algumas pessoas que não me lembro agora, falamos que iríamos fazer por 120 reais e que é um preço justo. Agora já to sabendo de gente fazendo por 50 reais, 40 reais, que não paga nem o material. Sinceramente, acho que o microdermal nem nasceu e já tá morrendo no Brasil, porque já começou a baixaria de quem paga menos. Eu faço por R$ 120,00, o cara para ganhar meu cliente vai fazer por R$ 80,00, o outro para ganhar o cliente do outro vai cobrar 60, outro 50 e assim vai indo essa bola de neve idiota e sem controle, como foi o caso do piercing.

18 – T. Angel: A procura tem sido boa?
Gordex: A procura ainda é pequena, por ser um trabalho não muito divulgado.
Johnnes: Ainda não! Estou sem carro… risos
Luciano Iritsu: A procura vem aumentando devido as pessoas que estão conhecendo mais este tipo de perfuração.
Max: Muitas pessoas se interessam, mas ainda tem muito a ser divulgado e evoluir.
Origami: Sim, como na minha cidade só existem dois profissionais que fazem, eu e o outro está viajando, tenho feito sempre.
Paulo Vitor: Relativamente boa.
Popoldokiss: Ainda não tanto quanto o piercing. As vezes por falta de divulgação minha mesmo.
Ricardo Depiné: Está aumentando a cada dia, até mesmo porque não se trata de algo tão comum ainda. Atualmente quem procura este tipo de piercing são pessoas que entendem um pouco do assunto, e não o público em geral. Ou seja, pelo menos por aqui ainda não se tornou algo comercial. Só espero que se caso isso venha a acontecer, não comecem a vender essas “peças” em lojinhas de bijuterias como fazem atualmente com jóias para body piercing.
Sick: Tem aumentado de algum tempo pra cá. O único problema é que com o aumento da procura, aumenta também o numero de curiosos querendo ganhar um trocado.
Valnei: A procura é ótima até eu falar o valor e a pessoa falar: Ah! Vou fazer com o fulano porque ele faz mais barato. Nem nasceu e já foderam o mercado com preços baratos, jóias vagabundas e oportunistas de plantão.

19 – T. Angel: Por ser uma técnica relativamente nova, quais seriam as principais dificuldades para você?
Gordex: No começo tive dificuldade em encontrar profissionais que pudessem me ensinar as técnicas com o microdermal. Mas com a ajuda dos profissionais que citei a pouco, hoje sou uma pessoa qualificada para o serviço
Johnnes: Aceitação em um “mercado” justo aqui no Brasil.
Luciano Iritsu: Acho que a duração desse tipo de perfuração, pois ainda é muito novo quando comparado com o piercing.
Max: No início foi conseguir informações a respeito da técnica, e peças de boa qualidade. Hoje a maior, não diria dificuldade, é popularizar esta técnica.
Origami: A maior dificuldade hoje é encontrar instrumental e jóias para que possa trabalhar. Não conheço fabricante e distribuidores para as jóias que trabalho.
Paulo Vitor: Sinceramente acredito que para todos que trabalham com microdermal não há nenhuma dificuldade.
Popoldokiss: Arrumar as peças, de diferentes modelos e atingir o público que fica assustado quando você diz que é preso na pele mesmo. risos
Ricardo Depiné: Atualmente a maior dificuldade é o alto custo das mercadorias, pois como já foi comentado anteriormente, são todas importadas. Isso impossibilita que se pratique um valor mais acessível, o que dificulta a popularização da técnica. Sick: Sinto muita dificuldade ainda pra saber como pode ser feito melhor a aplicação em cada região do corpo. Senti uma diferença absurda de aplicação do braço para o pescoço, para o dedo. Cada região é de um jeito e fica mais fácil ou mais difícil. Mas são “macetes” que se aprende com o tempo.
Valnei: A altura da peça, isso foi foda no começo, porque as peças no Brasil tem altura de 02 mm e alguns lugares do corpo necessitam 03 mm e por ai vai. Ai vem a humildade de perguntar para outros profissionais como eles trabalham e aprender com eles.

20 – T. Angel: Deixe algum comentário que considere pertinente:
Gordex: Recomendo a todos que apreciam a body modification, procurarem profissionais qualificados, indicações de amigos de confiança e que também tenham feito algum trabalho com tais profissionais. Sempre analisar o portfólio do profissional, minuciosamente. Ter certeza de que o local de trabalho do profissional é qualificado para o procedimento, vendo se seus materiais estão estéreis, se o local tem uma ótima assepsia… Agradeço ao Frrrk Guys pela oportunidade de divulgar o meu e o trabalho dos profissionais da área da modificação corporal no Brasil. Abraço a todos!
Johnnes: Diversidade de coisas que se sucedem para o bem ou mal. Pois cada um pensa antes de mais nada em “si próprio”.
Luciano Iritsu: Microdermal, o piercing do futuro!
Max: Uma conclusão que tiramos durante o workshop na Argentina, é que o Brasil está um pouco a frente de alguns países no quesito modificação. Tanto na forma como as pessoas que não são adeptas vêem isto, quanto nas informações e oportunidades que temos. Então, que façamos bom proveito…
Origami: Muito louvável a atitude de vocês em fazer esse questionário para que os profissionais possam dar sua opinião. Fiquei bastante satisfeito em poder contribuir.
Paulo Vitor: Acho que gostaria de dizer que quem procura preço, não está realmente preparado para ter algum tipo de modificação. Procure sempre profissionais realmente qualificados, converse, questione, estude os trabalhos dele, as vezes visual não é sinônimo de profissionalismo. Pode ter certeza de que se você procurar o profissional certo o resultado vai valer cada centavo.
Popoldokiss: Todos devemos nos conscientizar de que o que fazemos só vai evoluir mais quando todos lutarem pela causa sempre com humildade e respeito e, não fazer porque é legal falar que faz ou ser conhecido como uma pessoa diferente. Pensamentos assim não tem valor e só vai prejudicar quem tem o verdadeiro amor e interesse pela arte. Pessoas que agem assim só acabam aumentando mais o preconceito e toda forma de preconceito é suja.
Sempre verifique se está tudo limpo, esterilizado, se o material é de qualidade e se o profissional sabe o que está fazendo. Fora isso vamos todo mundo ser feliz sem prejudicar ninguém! risos
Ricardo Depiné: Parabéns pela iniciativa de vocês. São ações deste tipo que ajudam a acabar com o preconceito que as praticas de body modification ainda sofrem atualmente!
Sick: Acho que sempre digo a mesma coisa, mas é bom reforçar. Nunca procurem profissionais porque apareceram na tv ou em revistas. Procurem conversar com outros clientes dele, ver fotos de trabalho, tirar todas as suas dúvidas, e só fazer com quem te passar segurança e for te dar um suporte antes, durante e depois da sua modificação. O mais modificado e/ou o mais pop nem sempre é o melhor profissional. E uma coisa que percebi é que clientes tem vergonha de perguntar as coisas. Mas cliente não tem a obrigação de saber, e não precisa ter vergonha de perguntar. É obrigação do profissional tirar todas as duvidas da pessoa e se não for assim, já não é o profissional mais indicado.
Valnei: Só tenho a agradecer por me procurar e dar esse espaço para eu poder falar um pouco da minha experiência profissional. Nesse exato momento estou gripado pra porra, sem raciocínio para mais coisas. Espero estar vivo quando essa matéria for no ar. risos

Trabalhos dos profissionais entrevistados:

Fim!

*Entrevistas originalmente feitas via trocas de e-mails.

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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro "A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990" e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.