Sobre a Hurt Fest e Alianza Corporal que aconteceram em Belo Horizonte

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Fotos: T. AngelDSC02197

A cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais, tem se consolidado como uma grande potência no que se refere os estudos das modificações corporais e usos do corpo, tal qual a suspensão. É inegável que sempre houve uma espécie de movimento acontecendo naquelas áreas, mas nada comparado como nos últimos anos. A atual geração de profissionais e entusiastas têm sido responsáveis por um novo tipo de energia, essencial para o aprimoramento, a propagação e a resistência dessas técnicas e práticas culturais.

 
Não temos dúvida que a Hurt Fest organizada por Marcos Cabelo tem responsabilidade nisso tudo, isto é, em fomentar a cena mineira com força suficiente para se espalhar para os demais Estados brasileiros. Acontecendo desde 2010 o evento foi responsável em criar um espaço para suspensão corporal como prática de autoconhecimento e diversão, mas também em um viés artístico. Mais do que isso, foi responsável em abrir importantes canais de diálogos e trocas.

 
A quarta edição da Hurt Fest que aconteceu em Abril mais uma vez inovou. Criou um laço com o evento Alianza Corporal (que é um tour de profissionais estrangeiros da suspensão e body piercing que ofereceram workshops na Argentina, Chile e Brasil), abrindo um espaço para a educação e formação dos profissionais da área. A turma bastante diversificada, tinha participantes de várias regiões do Brasil e importante pontuar a presença forte das mulheres.

Além da preocupação com a importante parte da formação de profissionais, a Hurt Fest em si pela primeira vez se assumiu como evento militante e propôs uma discussão sobre a autonomia do corpo. A abertura foi marcada por uma pequena jornada de suspensões realizadas pela equipe da Alianza Corporal, os argentinos Matias Rata Tafel e La Negra e o mexicano Beto Rea. Barraquinhas com venda de material com proposições libertárias, exposição de fotografia de Felipe Messias que discutia corpos que existem e performances que tratavam, por exemplo, a questão da homofobia foram preenchendo a programação do evento.

 
A Hurt Fest em seus 5 anos de existência mostrou acima de tudo que tem muita sede de seguir promovendo as práticas de modificação corporal e usos do corpo e com uma consciência política muito importante para o nosso momento atual. Há um trabalho árduo que precisa ser feito para alinhar e aperfeiçoar cada vez mais as próximas edições, o que é completamente possível quando se trabalha acreditando no que se faz, com transparência e principalmente com honestidade. Nós acreditamos muito no potencial da Hurt Fest e somos muito gratos por tudo o que ela já nos trouxe de positivo. Se temos o poder de escolha, a nossa é estar do lado de vocês.

 

CONTATO
https://www.facebook.com/hurt.fest

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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro "A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990" e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.