Entrevista com Jander

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O Brasil ao longo dos anos vem se tornando uma das grandes potências no que concerne o universo da tatuagem, ainda que não tenha as regulamentações necessárias em relação à profissão. Mas quando o talento é grande, não há muralha que o segure. Outra situação bastante significante e que estamos assistindo, é o quanto o país se tornou um grande exportador de talentosos profissionais da arte da tatuagem. É muito enaltecedor e nos enche de orgulho em participar desses processos e progressos, ainda que indiretamente, muitas vezes apenas como espectador.
Em 2006 tomei contato com um trabalho de tatuagem que me encheu os olhos, não conhecia o artista até então. Confesso que fiquei com aquele pesar de “como assim eu nunca o vi antes?”, mas a alegria de ter tido meu primeiro contato com uma arte de tamanha sensibilidade, superava qualquer tipo de pesar.
O mais bacana disso tudo é que o artista em questão, pela qualidade de sua obra, foi se projetando e mostrando que o Brasil (e não só São Paulo e Rio de Janeiro) guarda em seu leito jóias preciosas. É com muito prazer e cheio de orgulho que entrevistei lá de Gôiania, um dos melhores artistas do Brasil, o talentoso Jander. Se o trabalho dele sempre me encantou, o que ele carrega na mente e no coração, só veio para somar. Ó pátria amada!
Confira abaixo a entrevista e o trabalho do artista Jander, boa leitura e aula.

T. Angel: Antes de ser tatuador profissional qual era a sua profissão?
Jander: Já trabalhei com muita coisa, de Office-boy à vendedor de auto-peças, mas o que mais me chama a atenção desde criança, sem dúvida, é a Arte!

T. Angel: Quanto tempo tatua profissionalmente?
Jander: Há 10 anos.


T. Angel:
Você considera obrigatório o conhecimento em técnicas de desenho para se tornar um bom tatuador?
Jander: Tenho certeza que é muito importante desenvolver um estilo e estudar desenho é a melhor forma pra isso. Acredito que existam artistas e clientes que não se importam muito com isso, a resposta é a quantidade de estúdios que ainda só trabalham com cópias. Particularmente não gosto muito de copiar desenhos, mas confesso que em raríssimas ocasiões ainda faço alguns desenhos de catálogos ou de internet.
Não acho que seja obrigatório conhecer técnicas de desenho, pois cada um é cada um. Mas pra mim é uma grande satisfação receber um elogio de alguém que reconhece meu estilo só por ver um trabalho meu, isso não tem preço.

T. Angel: Qual sua opinião sobre as convenções de tatuagem?
Jander: Gosto de participar de Convenções, sempre vejo meus brothers, conheço novos artistas, me deparo com muita coisa linda que envolve a arte da tatuagem brasileira. Não gosto de picaretagem por parte de alguns organizadores que só se preocupam em ganhar dinheiro e tão se fudendo pra Arte.
Convenções servem pra unir as pessoas, unir a classe e não uma disputa mesquinha e barata pra provar que fulano é melhor que ciclano, pois ninguém é melhor que ninguém. Tudo aquilo nada mais é que uma grande reunião e uma brincadeira entre os artistas!

T. Angel: Qual a sua concepção acerca das revistas de tatuagem que circulam nacionalmente?
Jander: O Brasil sem dúvida tem Revistas que mostram um nível de qualidade muito acima da média, pois hoje a maioria dos editores e responsáveis se preocupam muito com a qualidade dos trabalhos e das fotos dos tatuadores que a representam. Ainda se vê aqui ou ali, os sanguessugas que só querem ganhar dinheiro entupindo as páginas com anúncios e pouca Arte. Mas o salário do injusto e do mal intencionado é tão certo quanto 2 e 2 são 4.

T. Angel: Quais os artistas que já passearam por sua pele?
Jander: Marcelo Mordenti (Meu amigo e Professor), Adrien Charles (Dorme), Alexandre Verissimo, minha amiga Virginia Burlesque, Emerson Ferreira e Carlos Cabral.

. Angel: Qual a parte mais prazerosa da profissão?
Jander: Que bela pergunta, muito agradável essa entrevista!
O prazer que a tatuagem me proporciona são vários, desde o respeito e o carinho de meus amigos e clientes, ao simples fato de ser cumprimentado no Shopping, ou um email de um elogio agradável de um futuro cliente. Analiso cada detalhe com muito carinho, nada passa despercebido pra mim, até porque acho que não sou absolutamente ninguém perante o tamanho da História da Arte no Brasil. Me sinto sempre muito bem com tudo que acontece comigo e, as vezes nem acredito que é verdade, por exemplo, essa entrevista, muito obrigado a vocês!
Mas um fato que não posso deixar de dizer sobre a alegria que a tatuagem me traz, é a de ter dado uma vida melhor para o Sr. Jales e a D. Eva (Meus queridos pais)!

T. Angel: Existe algum ponto negativo em ser tatuador?
Jander: Sim, claro. A vaidade, a soberba, elas e que fazem alguns se perderem pelo longo caminho da vida. O ser humano é facilmente corrompido e eu simplesmente tenho nojo disso.

T. Angel: Conte-nos um pouco sobre a sua relação com o estilo biomecânico?
Jander: O Bio sempre me perseguiu!!! Risos
Esse estilo me encanta muito, mas comigo foi algo muito natural, pois nunca tive a objetividade direcionada pra isso. Comecei meio que sem querer tentado fazer algo parecido com o Guy, o Booth, entre vários outros que não me recordo agora, mas acabou que me identifiquei e tento incansavelmente definir mais ainda um estilo próprio.

T. Angel: Suas influências?
Jander: Minha família, Deus, minha namorada, meus amigos, revistas de Arte em geral, televisão, gibi, revistas, convenções e tudo que existe que possa inspirar positivismo.
No meu trabalho olho tudo o que posso pra me inspirar!

T. Angel: O que te agrada musicalmente?
Jander: De música erudita à Death Metal, tudo!
Inclusive se eu puder divulgar, entrem no myspace da minha banda.
www.myspace.com/necropsyroom
Pode divulgar assim??? risos

T. Angel: Quais as principais características que um bom tatuador deve ter?
Jander: Humildade, paciência, respeito à arte e às pessoas (clientes), bondade no coração, evitar maus vícios, e uma jornada de muita batalha. Pelo menos esse é o meu fundamento, muitos não o fazem, tenho certeza.

T. Angel: Como é o consumo da tatuagem em terras goianas?
Jander: Outra pergunta nota 10. Tenho muito orgulho de ser goiano, mais particularmente em ser Quirinopolino (Minha terra natal).
Aqui existem os melhores clientes do mundo, um lugar de muitas mulheres bonitas, muitos admiradores de Arte, um povo educado e refinado!
Nem tudo e perfeito, pois aqui tem o sertanejo também… risos
O consumo aqui é muito bom!!!
Minha loja faz em média 7 a 8 tattoos por dia, juntando eu e os 3 artistas que trabalham comigo. (www.jandertattoo.com)
Aqui é maravilhoso, amo a minha cidade e o meu Estado.

T. Angel: Qual sua visão sobre o cenário da tatuagem no Brasil?
Jander: Um dos melhores do mundo, sem dúvida.

T. Angel: Já trabalhou em algum outro país?
Jander: Argentina e República Dominicana.

T. Angel: Quais as dificuldades que você encontrou ao longo de sua carreira?
Jander: Muitas, mas que qualquer outro artista bem intencionado também não tenha passado. Acredito até que a maioria tenha sofrido muito mais que eu, ainda sou novo na profissão e quando surgi muita coisa já era bem mais fácil.

T. Angel: Quando está em São Paulo, fica em qual estúdio?
Jander: Ainda não fui convidado pra nenhum.

T. Angel: Qual o seu recado para quem pretende ser um tatuador?
Jander: Em primeiro lugar nota 10 para as perguntas de vocês!
Gostaria de dizer pra todos que estão iniciando que, primeiro não se preocuparem em ganhar dinheiro, pois se assim vocês pensarem, o trajeto é bem curto. Caminhem por um caminho de disciplina, respeito e amor à Arte. Respeitem a pele humana, sejam os primeiros a chegarem e os últimos a saírem do estúdio. Trabalhem incansavelmente, não tenham preguiça, não se achem, pois nada somos!!!
Amem seus pais e seus filhos, amem a Arte e a respeitem. O caminho será cheio de frutos, eu garanto!
Muito obrigado pela agradável tarde de bate papo, e parabéns pelo belo trabalho de vocês.
Jander Rodrigues Vilela

Contatos:
Para ver:
www.jandertattoo.com
Para ouvir: www.myspace.com/necropsyroom

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