Mademoiselle: representando a cena do rap queer nacional

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Na música – em suas mais diversas possibilidades – sempre tivemos inúmeros artistas – assumidamente – LGBTs, a exemplo de Renato Russo, Cássia Eller, Angela Ro Ro, Tchaikovsky,  Elton John, Freddy Mercury, Jeffree Starr, etc…
São artistas que inspiraram e influenciaram multidões, mudaram e colaboraram muito com a história da música. Goste você ou não.
Atualmente estamos assistindo o levantar de diversos artistas LGBTs ocupando a área do rap, reservada até então aos homens. Meses atrás conheci através do Mamá – vocalista da banda punk queer Teu pai já sabe? (e também FG) –  o trabalho de Mademoiselle. Antes de ouvir o som, li um trecho de “Auto-defesa” e quando percebi o verso já tinha grudado em mim e pensei: gosto disso!
Desde então passei a ouvir e acompanhar o trabalho dessa rapper queer de Goiânia.
Mademoiselle é uma artista que não fica em cima do muro e defende com unhas, dentes e rimas os seus ideais individuais e o bem estar coletivo da sociedade, principalmente das chamadas minorias. Agora chegou a hora da gente conhecer um pouquinho mais da madame do povo. É com muito carinho e respeito que publicamos a entrevista abaixo.
O rap nacional – queer ou não – é um manifesto!

T. Angel: Em uma matéria recentemente publicada em um jornal goiano, você foi classificada como “o primeiro rapper gay brasileiro”. Já lemos em outras publicações que você é “a primeira rapper travesti”, como exemplo a que saiu na Folha. No Soundcloud há uma apresentação sua como “a primeira rapper gay”, tudo usado no feminino o que sugere uma transição de gênero. A pergunta que não quer calar é: o que a Mademoiselle é?
Mademoiselle: A Mademoiselle é só mais uma rapper igual a qualquer outro por aí. A minha orientação sexual não influencia em nada nos meus versos e em meu trabalho.

T. Angel:Muitas travestis não divulgam abertamente o nome masculino e você o faz aparentemente sem muitos problemas, como é lidar com isso?
Mademoiselle: Nada a ver, tenho orgulho do nome que os meus pais me deram. O Mademoiselle é apenas uma personagem criada para os meus shows. Eu ainda tenho meu alter ego chamado Futuro. Esse sim é tenso!

 
T. Angel:Quando você adentrou no universo do rap?
Mademoiselle: Aos 14 anos eu já escrevia e ouvia o estilo.

 
T. Angel: Houve algum tipo de preconceito?
Mademoiselle: Sempre vai haver, seja na música, na sociedade, não estamos salvos. O segredo é saber lidar e nunca ouvido para as críticas dar.

 
T. Angel: A grande maioria da população, e talvez não só brasileira, costuma pintar o meio LGBT como glamouroso, festivo, colorido e na verdade sabemos que não é bem assim a história. Além da homofobia que afeta – direta ou indiretamente – o meio como um todo, temos a questão de que há uma grande porcentagem de LGBTs vivendo nas periferias brasileiras e alguns – tamanha exclusão e estigmatização – morando nas ruas. Como você enxerga isso, como artista, como rapper, como LGBT e como ser humano?
Mademoiselle: Que seja por qualquer classe, de A à C, que nós sempre possamos respeitar para sermos respeitados e aceitos.

T. Angel: O seu trabalho tem sido inteiro independente?
Mademoiselle: Completamente e a sensação de liberdade é maravilhosa.

 
T. Angel: Além de falar sobre a questão da mulher e do LGBT em suas canções, o que mais Mademoiselle escreve e canta?
Mademoiselle:
Sobre auto confiança perante sua escolha e orientação sexual. Sobre independência e estabilidade financeira e sobre uns manos aí que se acham maior que o movimento.

T. Angel: O meio da moda se mostra bastante aberto para as diversidades e você estudou justamente o fashion design. É um universo que realmente abraça a diversidade sexual ou é lenda?
Mademoiselle: É completamente favorável e aberto esse universo. O ruim é que junto com ele vem o egocentrismo, o materialismo e o exibicionismo. Detesto essas três palavras.

 
T. Angel: Quais os seus estilistas ou grifes favoritas?
Mademoiselle: Curto demais a moda japonesa, Yohji Yamamoto e o estilo das Harajuku Girls. Valorizo os estilistas daqui da minha cidade também: Pactus, Offows. Amo Colcci e Forum. Mas não fico presa a estilistas e grandes marcas. Sou amante de brechós.

T. Angel:Nos conte algumas de suas principais influências?
Mademoiselle: Rappers feministas da cena mundial como Nicki Minaj e Lil’ Kim, Eve. Daqui do Brasil Cindy Mendes também me incluenciou bastante.
T. Angel: Em algumas fotos podemos ver que você tem uma ligação com as tatuagens. Fale um pouco sobre elas.
Mademoiselle:
As tatuagens para mim fazem parte da personalidade de quem as carrega. Para mim foi só uma incrementada no visu.

T. Angel: Pretende se tatuar mais¿ Se sim, o que?
Mademoiselle: Ainda não sei. Tantos desenhos lindos, mas nada nos planos.

T. Angel: Tem alguma previsão de show em São Paulo?
Mademoiselle:
Por enquanto não, mas assim que eu souber aviso aí pra todo mundo se ligar.

T. Angel: Deixe uma mensagem para os nossos leitores e para aqueles – que assim como nós – admiram o seu trabalho.
Mademoiselle: Que possamos nos unir e nos respeitar dentro de nossos ambientes para que fora dele possamos ser respeitados e bem vistos. Um grande abraço para todos os leitores.

Baixe o MixTape e ouça sem moderação!

Contatos
http://soundcloud.com/LULUMONAMOUR

https://www.facebook.com/pages/Mademoiselle-Lulu-Monamour/178058435638400?sk=info

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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro "A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990" e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.