Registros recentes apontam falhas em suspensões corporais

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Foto: divulgação

1014081_522471667807974_1654838843_n(Foto: Felipe Pimental / II Maringá Tattoo Fest)

A prática da suspensão corporal oferece riscos podendo, em alguns casos, dar errado. As falhas, por sua vez, podem acontecer por uma série de fatores: profissional pouco qualificado, material de baixa qualidade, local inapropriado, descuido e a lista segue. A nossa intenção aqui não é a de levantar erros e culpados para apedrejá-los. Imaginamos que quem acompanha o nosso trabalho sabe disso, aos que não, fica o aviso. Queremos mostrar que erros acontecem e que estes devem ser utilizados como material para que se aprimorem mais ainda os profissionais e as técnicas. Nesse sentido sentimos que comungamos do pensamento do Suspension.org e de todas as pessoas que tratam as falhas com maturidade afim de desenvolvimento teórico e técnico.

Um dos erros mais dramáticos – de que se tem registro público – que aconteceu no Brasil, foi o que se convencionou chamar Splash  Suspension (2007) e que já discutimos AQUI em outra ocasião. Depois desta, outros pequenos acidentes aconteceram e que não ganharam a mesma proporção. Talvez por não terem sido exibidos nacionalmente na televisão. Talvez…

Em Junho aconteceu o II Maringá Tattoo Fest e que colocava em sua programação a suspensão corporal. Sabemos que o evento sondou com alguns profissionais a questão da suspensão – inclusive com esse que vos escreve agora – e acabou fazendo a sua escolha. Desconhecemos os critérios utilizados na decisão. Porém, fazemos questão de mencionar, que não só o evento em questão, mas a maioria de similares (isto é, convenções e festivais de tatuagem) levam em consideração a questão do valor e muitas vezes deixam claro que não há a intenção de pagar pelo serviço. Já que estamos escrevendo sobre falhas, eis uma que é de raiz intolerável e impraticável, por ser um problema de conjuntura ética.

Retornando agora ao evento do Paraná, durante uma das suspensões que aconteciam houve um acidente. Nada grave, mas digno de atenção. O FG Alexandre Anami – que se suspendia em conjunto com o também FG Reuber Mattos – sofreu uma queda de aproximadamente dois metros de altura.
Entramos em contato com os responsáveis pela suspensão, todavia não conseguimos retorno de um deles até o fechamento dessa matéria, nosso canal continua aberto. Assim sendo, conversamos com os meninos que responderam, para entender o que se passou e esperamos que os relatos ajudem para que não tenhamos repetições. Buscar o aprimoramento é importante e no campo da suspensão é essencial.

A equipe que cuidava da suspensão tinha os já citados Alexandre e Reuber e ainda o Marcos. Segundo o relato exclusivo de Reuber:

“Acredito que o que tenha dado errado foi simplesmente a falta de atenção das pessoas que montaram a estrutura pra que pudéssemos nos suspender. A pessoa que ficou responsável por montar a carretilha e supervisionar as cordas não fez a manutenção que deveria ser feito entre as suspensões. Como nós fomos os últimos, a corda estava gasta, pois ficou roçando numa viga (errado desde aí ) e não nos aguentou. Fiquei bem triste… Estávamos curtindo e foi um pouco frustrante.”

Reuber utilizava uma técnica de pulling para suspender o Anami, assim sendo ele estava no chão e não sofreu ferimento algum. Quando questionado sobre quem estava cuidando das suspensões, ele nos respondeu desconhecer “quem montou a estrutura”.

O Alexandre não teve a mesma sorte, sofreu ferimentos nas costas e punhos por conta da altura. Abaixo um breve relato de suas impressões:

“Assim, acabei caindo porque não teve uma revisão do material, sendo que houveram duas suspensões antes, acho que basicamente isso. Não havendo essa revisão do material aconteceu a fissura na corda, com a própria polia, e eu sofri uma queda.”

Afim de entender quem estava cuidando da suspensão, Anami nos respondeu:

“Eu fiquei responsável para fazer algumas perfurações e o Marcos ficou cuidando da estrutura, pois todo material era dele.”

As lesões sofridas por Anami felizmente não foram sérias, mas poderiam ter sido. Sem querer teorizar sobre o que passou, o importante é usar o exemplo como amostra de que erros podem acontecer. Obviamente que não é fácil falar sobre eles, mas é necessário afim de evitá-los futuramente.
No caso de suspensão, por mais que as tarefas possam ser divididas, todos os profissionais devem estar atentos com todo e qualquer detalhe que envolve a prática. Os detalhes fazem sim a diferença e muito.
Não temos imagens da queda em si. Mas esperamos que os relatos supram essa ausência e que colaborem com as discussões e estudos teóricos e técnicos sobre a prática.

Profissionais renomados e experientes também podem falhar e não só no Brasil…

Não pensem que os acidentes acontecem apenas pelo Brasil e com pessoas com baixa experiência. Recentemente o Suspension.org publicou um longo e excelente artigo falando sobre o acidente que Neil Chakrabarti sofreu. O texto trata a questão com a profunda seriedade e maturidade que merece.
Em sua queda Neil, que para quem não sabe é um profissional bastante experiente e respeitado no meio, machucou bastante a face e outras partes do corpo. Abaixo você pode assistir a queda de Neil.

Deixamos aqui o nosso agradecimento público aos meninos que nos receberam muito bem para falar sobre o assunto. Reuber, Alexandre e Neil, muito obrigado!

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