Entrevista com Silas

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Fotos: Arquivo pessoal de Silas
Erros, uma das características de todos os seres-humanos. Não há no mundo uma pessoa que nunca tenha cometido um erro na vida. Se houvesse, muito provavelmente a dita pessoa não teria vivido. Se houvesse, muito provavelmente não se trataria de um ser-humano. Erramos, todos erramos! É através dos erros que temos tantos avanços nas diversas áreas dos saberes. É através da humildade e do bom senso que transformamos as falhas em evoluções. Errar é tão natural quanto acertar, não que seja bom, mas é algo que acontece… Tudo bem que o senso comum ou o mais prático – não o mais correto – seja ficar sentado numa poltrona e como deuses apontarmos o dedo, julgarmos, reprovarmos e de forma bastante mágica, encontrarmos acertos para todas as falhas do mundo. Não, não está tudo bem, primeiro que não estamos falando de deuses e não somos seres supremos, divinos, donos de todo conhecimento, sabedoria e segundo, que ser um pseudo juiz é leviano e acredite, profundamente falso. Eu erro – e não é pouco -, você erra, ele erra, ela erra, nós erramos, todos erram, deveríamos fazer este exercício de reflexão diariamente… Conjugar o verbo “errar” em todas as pessoas e tempos possíveis, para quem sabe assim, sermos menos pedantes e mais humanos.
Durante minha jornada no campo da modificação corporal eu vi e ouvi inúmeras coisas erradas. Trabalhos que não deram certo e até acidentes em alguns casos. Vi também muitos “profissionais” sendo consumidos e corroídos pelo próprio ego, literalmente se perdendo pela falta de humildade e humanidade em tratar a si próprio e ao próximo com respeito. Mas nesse meio o lema – quase canônico –  é o seguinte: quem erra é sempre e/ou somente o outro, assim como, egoíco ou “estrela” é sempre e/ou somente o outro. Pois é, talvez eu que esteja equivocado e estes, aos quais me refiro, realmente tenham ascendido e se tornado deuses, semi deuses ou coisa que o valha. Ainda que seja de uma forma teomaníaca, é uma possibilidade…
A verdade é que durante todos estes anos eu sempre me questionei sobre as causas da permanência do preconceito contra as pessoas – profissionais e entusiastas – praticantes da modificação corporal. Seria culpa de termos uma mídia sensacionalista? Uma cultura dominante que obscurece práticas entendidas como fora do padrão? Reflexo de uma sociedade conservadora, ocidental, branca, heterossexual, judaico-cristã? Obviamente que não descarto nenhuma das possibilidades, mas hoje destacaria uma causa em especial: a culpa – também – é nossa! A falta de respeito entre a “classe” ou o que poderia ser chamado como tal, se houvesse uma consciência para isto. União sabe? O cenário atual é de uma rivalidade quase infantil (e só não o é, pois estou falando de adultos), de egos inflados e pouca ou quase nenhuma união. Todos os olhos estão bem abertos para assistir falhas, a boca tão aberta quanto os olhos para denunciar e julgar os respectivos erros e as mãos e os braços, estes sim, que deveriam estar sempre bem abertos para receber e ajudar o próximo, um igual, alguém que enfrenta os mesmos olhares tortos de reprovação oriundos de uma sociedade hostil, pelo simples fato de escolhermos as cores e as formas que teremos em nossos próprios corpos…. Bem, o que fica é quase sempre um vácuo…
É incrível como sofremos pela intolerância alheia e ao mesmo tempo reproduzimos de forma bastante fidedigna o mesmo discurso, que as vezes e muitas vezes, não fazemos nem o esforço para mudar a roupagem. Reprodução de senso comum é triste.
Veja bem, a maior introdução que já fiz durante os quase cinco anos de site, é para falar sobre a brutal falta de união entre “os modificados” e “modificadores”, com o perdão da pobreza da terminologia, enquanto eu poderia ir direto ao nosso entrevistado. Entendam, união não quer dizer que “modificados” só devam andar com “modificados”, isso é outra coisa, segregação, fanatismo ou similar. A graça da vida está em sua multi-diversidade, a biologia agradece!
Pois bem, a introdução soa demasiada amarga, e ela realmente tem o seu grau de amargura, mas olhemos por outras perspectivas e vamos direto ao objetivo desta. Tenho certeza que todos se lembram do episódio exibido repetidamente na Rede Record em 2007, ao qual houve uma suspensão corporal feita de forma errada, que acabou ocasionando a queda da garota que estava sendo suspensa pelos joelhos. Sem dúvida alguma, assim como muitos de vocês, aquelas cenas me chocaram e confesso que assisti com os olhos cheios de lágrimas, por ver algo que tanto respeito, como a suspensão corporal, ser tratada de forma tão leviana, abusiva e marginal. A mídia tem uma terrível força destrutiva. Eles sabem disso e nós também sabemos.
Os meninos erraram? Sim erraram e por conta disso, não tão figurativamente falando, foram bombardeados de diversas formas. Lembram sobre o que falei acima sobre estender a mão e o braço? Pois bem, este é um claro exemplo de quando isso não acontece, ficou o frio e escuro vácuo…  Com o forte barulho de um martelo batido a sentença foi dada: culpados!
Aparentemente seria mais que motivo para se desistir de tudo, afinal de contas, eles erraram em rede nacional e carregaram o injusto fardo de serem os únicos errantes na história e em todo meio da modificação corporal do mundo. Fardo injusto, desleal e falacioso eu diria.
Um deles, o Silas, nosso entrevistado, se mostrou bastante insistente e persistiu no caminho, não para dar murros em pontas de facas, mas por ser um apaixonado pela modificação corporal e isso, eu, ele e muitos de vocês que estão me lendo agora temos em comum. Nós amamos e, não é pouco, interferir em nossos corpos. Por mais que torçam o nariz para gente, até debochem da nossa sinceridade em ser e existir, seguimos nesse caminho, pois é a forma que nos colocamos no mundo e nos entendemos como indivíduos. Silas insistiu e persistiu, superou de forma exemplar um turbilhão de conseqüências pela sua participação no fatídico programa e já faz um tempo que vem realizando trabalhos bem bonitos. Não é de hoje que eu queria poder bater um papo com este rapaz, para saber sobre sua trajetória, referências, sobre o programa e conhecer um pouco mais dele em si. Felizmente tive esta oportunidade. Fiquei feliz em conhecer um menino receptivo, humilde, sensível, cheio de sonhos e que é feliz da vida em ser pai.
Lamento em fazer aqui uma introdução longa e igualmente por denunciar algo que tenho certeza que machuca não só a mim, mas a todos que amam as práticas, seja de modificação ou de suspensão corporal, mas considero mais que pertinente e relevante o assunto tratado a esta entrevista. Fica meu mais sincero agradecimento pela amistosa receptividade de Silas e é com muito prazer que partilho com vocês a entrevista, fotos e vídeos do trabalho deste profissional. Confiram abaixo!

 

T. Angel: Como se deu o seu interesse pela modificação corporal e também pela suspensão?
Silas: Aos 17 anos eu tinha um estúdio de tatuagem e piercing, mas você sabe né? Estúdio no interior é muito parado, aí começou a velha rotina tomar conta de minha vida e como amo esta área fui buscar novidades ou pelo menos o que pra mim era novidade. Através de sites fiquei impressionado com a capacidade dos profissionais em manipular o corpo humano, sem serem médicos, através de procedimentos cirúrgicos e muito perigosos para saúde: eram implantes intradermais, transdermais, brandings. Escarificação não me impressionou, pois isso eu já fazia. Pensei, logo quero chegar neste nível e fui atrás disso. Agora a suspensão corporal, um dia eu fui ao estúdio de um amigo e vi uma foto de suspensão corporal, fiquei morrendo de vontade de fazer. Depois de muitas pesquisas eu tomei coragem, ai falei: agora vai… Eram 2 metros de altura dentro do estúdio, se eu baixasse as pernas já não estava mais suspenso, eu tinha que ficar com as pernas dobradas, coladas no peito. risos
Carreguei duas pessoas no colo enquanto estava suspenso, estava muito feliz, igual uma criança quando ganha um presente.  Foi bem no dia do jogo Brasil e Gana na Copa do Mundo, o jogador levou dois cartões e eu que fiquei suspenso. risos

T. Angel: Quando você começou a trabalhar como modifier?
Silas: Foi tudo muito rápido, logo após a suspensão fui buscar conhecimentos em livros de anatomia, infecções hospitalares, primeiros socorros, rituais e por último entrei em um curso básico de enfermagem, que me ajudou muito, apesar de ter feito pouquíssimo tempo. Juntei os temas acima e mais alguns vídeos que se encontram na net e quando me senti preparado, ai comecei a executar os procedimentos que estudei. Nunca assisti uma pessoa se quer cortar uma língua na minha frente. Tudo o que sei, praticamente foi insistência e força de vontade minha em querer alcançar o nível desejado.

T. Angel: Fale um pouco pra gente sobre como foi a sua preparação profissional?
Silas: Um amigo me ajudou da seguinte forma, ele fazia faculdade para cirurgia plástica, ajudei ele a pagar alguns livros, acho que uns dois livros caros no máximo e em troca ele me ensinava a fazer corte de tecido epitelial, sutura de várias partes do corpo, muito louco… risos
Assepsia e anti-sepsia eu já sabia, curativos, essas coisas eu já sabia fazer, pois trabalhava com piercings e os livros que eu lia me ajudavam muito. Sempre procurei fazer o melhor de mim para obter melhores resultados e satisfação com meus clientes.
Livros importantes, anatomia, infecções, primeiros socorros, enfermagem e observar os erros para aprender com eles.

T. Angel: Em quais tipos de modificação corporal você está habilitado?
Silas: Eu sei fazer bifurcação de língua, implantes, dermal punch, scalpelling, remoções, escarificação, branding, zetaplastia (fechamento de lóbulos ou remoção de quelóides).

T. Angel: Atualmente quais body mods os clientes mais procuram contigo?
Silas: Eles procuram muito tongue splitting, dermal punch, scalpellings, remoção de quelóides, sutura de lóbulo para corrigir scalpellings mal feitos por outras pessoas e o que vence é o fechamento de lóbulo, os alargadores.  Tento mais estes citados acima, mas agora não mencionei que me procuram muito è porque eu evito, pois não quero ser igual a um pato que nada, anda e voa, mas não faz nenhum destes perfeitamente. risos
Anda com dificuldade, voa muito baixo e nada devagar…

T. Angel: Quais são as suas grandes influências?
Silas: Alguns profissionais que eu admiro desde a época que eu trabalhava apenas com piercings e depois que conheci pessoalmente estas pessoas, aumentou ainda mais minha admiração por eles, por exemplo, André Fernandes.  Fora estas pessoas, tem a minha própria força de vontade e insistência…

T. Angel: Quando foi seu primeiro contato como profissional com a suspensão corporal?
Silas: Após um acidente que presenciei, comecei a fazer suspensão em uma festa de um amigo e várias outras que eu organizava no meio do mato, somente com amigos. Foi muito foda, isso me incentivou a querer mais e praticar mais suspensão corporal. Estudei tudo sobre o assunto e desenvolvi minhas próprias técnicas, hoje tenho até ganchos desenhados por mim.

T. Angel: Como praticante qual você já experimentou?
Silas: Acho que já me suspendi umas 50 vezes. risos
Várias de suicide e duas vezes pelos joelhos. Tenho implante intradermal, por isso não posso me suspender pelo peito, mas tenho vontade e a ressurreição logo, logo vem. Não tenho medo de nenhuma suspensão, mas só faço quando estou na vibe, isso è natural de mim…

T. Angel: Em média, quantas pessoas você já suspendeu?
Silas: Subi umas 130 pessoas no total, pois elas sobem e logo querem subir novamente. Estou devagar agora, pois os dias livres que tenho, prefiro ficar com meu filho, ele ainda é bebezinho. Mas logo voltarei à velha forma! Risos

T. Angel: Em 2007 tivemos o fatídico episódio de um programa exibido na Rede Record, no qual uma garota foi suspensa de forma incorreta e conseqüente teve uma queda. O que você poderia nos falar sobre?
Silas: Eu já estava gravando a matéria fazia uns dois meses, sobre scar, piercings e etc, foi quando me pediram suspensão corporal, porque eles viram minhas fotos e tinha foto de suspensão. Ai chamei um amigo, pois eu não tinha experiência com suspensão, apenas tinha me suspendido umas três vezes no máximo. Eu mesmo não cheguei a aplicar ganchos na garota, apenas ajudei na limpeza da maca e separando os materiais, tanto que na matéria se reparar foi este amigo quem explicou o que estava acontecendo, o que ele estava fazendo, enfim, ele estava executando o procedimento e eu era um mero ajudante. Quando ocorreu o acidente, eu, uma amiga minha e a mina fomos correr atrás do prejuízo, enquanto o rapaz ainda estava fazendo outra suspensão.

T. Angel: Houve uma movimentação virtual de profissionais nacionais e internacionais contra a então chamada “Splash Suspension”. Como foi vivenciar tudo isso?
Silas: Como eu estava começando eu me assustei um pouco, mas depois deste episódio eu decidi que não iria parar no começo. Respeitei um dilema meu, que seria a partir de hoje (do dia do acidente) vou fazer tudo sozinho, pois se der merda eu vou assumir a culpa sozinho, com a consciência tranquila. Hoje tudo o que faço é sozinho, isso desde 2007. Pode ter certeza, nunca fiz merda, pois sei exatamente o que faço. Umas duas ou três pessoas que estão na comunidade do Orkut, “Splash Suspension”, depois daquele episódio, um bom tempo depois me procuraram a fim de fazer suspensão ou que eu pelo menos deixasse essas pessoas assistirem como eu faço. Eu deixei e fiz as suspensões sem problemas, pois não me incomodo. Sei como é o meu trabalho e se eu ficar me preocupando com internet…
Eu vivo a minha vida real, trabalho com corpo humano e não com internet. Pra ter sucesso no meu trabalho eu preciso estudar mais e mais e conquistar cada vez mais meus clientes, pois não preciso menosprezar ou apontar os erros dos outros.
Vi muitos erros em eventos, até acidentes, mas eu não tenho tempo e nem tesão para apontar e condenar estas pessoas, pois são humanos e humanos que não erram não são humanos, pois pra existir o acerto precisa existir o oposto.

T. Angel: Teve algum canal de mídia que abriu espaço para uma possível explicação?
Silas: A própria Record me convidou para participar de alguns programas para explicar o que havia acontecido, mas eu não poderia ir lá dar explicações se eu sei que não fui eu quem aplicou os ganchos.

T. Angel: Qual a sua opinião sobre o tratamento que a mídia televisiva dá no que se refere à modificação corporal e, amplio, para suspensão?
Silas: Sempre vejo reportagens deste gênero e acho que isso depende do programa. Tem programa que tem como finalidade mostrar a arte, outros preferem mostrar isso porque é polêmico. Outras pessoas já fizeram matérias em programas sensacionalistas com intenção de mostrar a arte, mas a edição do programa quer mostrar como bizarrice, quem vence é a edição, pois ela fala e mostra o que quiser.

T. Angel: Qual a sua impressão sobre o “cenário” da modificação corporal nacional?
Silas: Está grotesco, as pessoas só querem saber de ganhar dinheiro e fama.  Aqui no meu local de trabalho recebo todos os dias clientes com deformidades criadas por maus profissionais e alguns piercers que acham que sabem fazer modificação corporal. Lóbulo deformado por sutura mal feita então meu Deus, não agüento mais ver isso. risos

T. Angel: Cada profissional trilha um caminho durante a carreira. O que você poderia nos dizer sobre o seu?
Silas: Desde criança sempre fui muito atraído por piercings, tatuagens, alargadores.  Aos 17 anos fui atrás de cursos mais profissionais da área, tentaram me enganar querendo que eu ficasse trabalhando e limpando a loja deles, enquanto eu pagava pelo curso, aí me injuriei e fui atrás de outros estudos que me ajudassem a alcançar meu objetivo, na época apenas piercings.  Depois de adquirir bastante conhecimento e prática comecei a buscar conhecimento com modificações corporais, isso me ajudou muito, como ainda ajuda. O que mais gosto de fazer é sutura de lóbulo (zetaplastia) e suspensão corporal. Este é o meu objetivo, aprender mais e mais com isso.

 

T. Angel: Atualmente você está trabalhando em festas, realizando belas suspensões, conte um pouco sobre?
Silas: Muito obrigado pelo elogio! Sempre vi os profissionais de suspensão corporal fazendo caretas, gritos de palavrões, muita adrenalina, temas sombrios, músicas pesadas, tanto de quem suspende como quem está suspenso. Não acho isso ruim, mas sempre tive vontade de mudar isso, quero que as pessoas olhem a suspensão e prestassem atenção nela como arte, assim como no teatro por exemplo. Pois a suspensão é uma terapia pra mim, é muito satisfatório ler os olhos de uma pessoa suspensa e imaginar quanto prazer ela esta sentindo. Como amo raves e festivais tive uma ideia: por que não levar arte que eu amo para o local que eu adoro? Tenho festivais como ambientes mágicos, tudo colorido e psicodélico, mas eu tinha um bloqueio, porque as raves de hoje são muito escassas de arte e eu não tenho coragem de expor meu trabalho em um local cheio de loucos sem noção de nada, foi quando me deparei com a Respect. Conversando com um amigo ele me fez um convite e eu aceitei quando vi o local. Meu Deus, a estrutura era demais, as pessoas muito lindas e artistas pra todo lado. Pirofagia, live art, happening, teatro, performances de todos os gêneros com uma única finalidade: conscientizar as pessoas a fazerem do mundo suas casas, ou seja, o melhor possível.  Consigo me apresentar e mostrar meu trabalho de forma crua, sem bizarrices e isso me deixa muito feliz. Energia psicodélica e underground, isso é o que somos.

T. Angel: Quais são seus planos para o futuro?
Silas:
Futuro… Espero fazer uma faculdade bacana e viajar com meu bebezinho, mostrar tudo o que tem de bonito neste mundo, mas isso tenho que fazer rápido, pois as pessoas estão acabando com tudo. Profissionalmente vou fazer a faculdade que mencionei acima, porque preciso mudar um pouquinho, as pessoas que estão entrando nesta área estão queimando a profissão e isto é resultado de profissionais que nem sabem realizar os procedimentos e mesmo assim dão cursos e acabam ensinando errado: cobra criando cobra!!!

T. Angel: Deixe uma mensagem para todos os nossos leitores:
Silas: O mundo precisa ganhar artistas e os artistas precisam ganhar o mundo.

Not freak Yes body art!

 

Contato
http://pt-br.facebook.com/silasbodyart


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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro "A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990" e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.