Sobre construir espaços de resistências, confira a cobertura do FrrrkDay em Brasília.

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mari-casarisi-24(Registro da oficina ‘Monstruosidades: performance e gênero’. Foto: Mari Casarisi

“Assumimos e nos levantamos contra a normatividade e a domesticação da vida. Não somos corpos dóceis. Nós queremos dançar ao som da destruição da normatividade compulsória.”
Manifesto Freak

No sábado, dia 03 de Setembro, aconteceu em Brasília o FrrrkDay. Que entendemos e recebemos como uma espécie de presente pelos nossos dez anos de existência – completados em junho – e, obviamente, ele foi muito mais do que isso, explicaremos adiante.

gabi-cerqueira-18(Alessandra Favoritto e T. Angel em debate após exibição de Singularis. Foto: Gabi Cerqueira)

A verdade é que estamos passando por tempos duros e obscuros e que exigem de todas e todos nós, posicionamentos claros sobre o que somos e o que queremos. Não há tempo para ficarmos sobre muros. Não há tempo para ficarmos em silêncio no sentido da omissão. Não há tempo para sermos indiferentes. É bem verdade que nunca houve esse tempo, para tudo isso que citamos, e muito das ruínas que esmagam as nossas cabeças agora – e acredite, algumas cabeças estão sendo esmagadas por séculos – foi porque no alto de nossos privilégios e/ou anestesia nos permitimos acreditar que poderíamos sentar sobre algum muro cheio de buracos e apenas assistir a vida ruindo.

gabi-cerqueira-7(Sobre a libertação animal e humana. Foto: Gabi Cerqueira)

gabi-cerqueira-3(Estimular a consciência verde. Foto: Gabi Cerqueira)

gabi-cerqueira-13(Oficina Prosa, prática e compartilhar: alimentação consciente no dia-a-dia. Foto: Gabi Cerqueira)

Quando publicamos o Manifesto Freak em dezembro de 2015, plantamos uma semente. Não falamos naquele texto sobre algo pronto, mas sobre algo que queremos colaborar com a construção. É sobre criar novos contextos e, mais do que isso, sobre concentrar forças para essas criações todas, reconhecendo que isso demanda tempo e é trabalhoso. Mas, aqui em nosso íntimo particular, sentimos que essa semente de algum modo foi e está sendo plantada por muitas mãos, principalmente depois da experiência com o FrrrkDay.

mari-casarisi-1(Registro da oficina ‘Monstruosidades: performance e gênero’. Foto: Mari Casarisi)

gabi-cerqueira-12(Ao fim da oficina, o grupo apresentou a performance ‘Garotos não choram’. Foto: Mari Casarisi)

gabi-cerqueira-17(CineDanceQueer é uma ação interativa e provocativa. Foto: Gabi Cerqueira)

O FrrrkDay foi um evento independente, produzido por mulheres e bichas, bissexuais, lésbicas e pessoas trans e não binárias e é importante dizer sobre isso, pois há uma carga muito particular da união dessas forças. O evento se comprometeu em falar sobre sobre modificação corporal – e o fez com maestria – mas também falou sobre veganismo, sobre autonomia, sobre arte, sobre política, sobre feminismo, sobre sexualidade, sobre gênero e muito, muito mais… Falaram e mostraram que é possível construir novas formas de relações e afetos, onde as diferenças não são passíveis de algum tipo de punição, mas celebração.

gabi-cerqueira-9(Tatuadora Téssia Araújo em ação. Foto: Gabi Cerqueira)

gabi-cerqueira-10(Dai Araújo tatuando durante a tarde do evento. Foto: Gabi Cerqueira)

gabi-cerqueira-15(O body piercer Felipe Garcia fazendo um microdermal. Foto: Gabi Cerqueira)

Ao fim do evento, as relações todas vibravam com potente força. Embora tenha sido um dia com mais de 12 horas de trabalho, o que mais ouvimos foi o quanto aquela zona autônoma temporária foi transformadora, o quanto saíram daquele espaço com sensações tantas, provocados e provocadas… Então, nos demos conta que tudo aquilo que dançava freneticamente dentro de nós, fazia coro com as danças que habitavam outros tantos seres. O mundo está em pedaços, mas é revigorante saber que não estamos sozinhas e sozinhos nessas micro lutas diárias, somos uma multidão. Na queda de uma, cem outras se levantarão e, em tempos como estes, é bom saber disso.

gabi-cerqueira-21(‘Arco da Histeria’ com T. Angel, fechou o evento. Foto: Gabi Cerqueira)

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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro "A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990" e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.