Stelarc estará presente na Venice Internacional Performance Art Week

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deb_7_stelarc_20120313233448337877-420x0(Stelarc, Ear On Arm Suspension, Scott Livesey Galleries, Melbourne (2012). Foto: Polixeni Papapetrou)

A Venice Internacional Performance Art Week receberá em Dezembro o artista Stelarc (Chipre/Austrália), com uma performance ao vivo e uma seleção de vídeos de seus trabalhos.

Stelarc (nascido no ano de 1946 em Limassol, Chipre) é um artista da performance, que visualmente sondou, amplificou acusticamente e suspendeu seu corpo com ganchos em sua pele. Ele foi pioneiro nas fronteiras do corpo humano, usando o seu próprio como um meio e espaço de exibição – um corpo que “às vezes parece incluir a possibilidade de terminação” (William Gibson). Artista, ícone, um fenômeno, e honrado internacionalmente como erudito distinto e pesquisador, Stelarc continua a abrir novos cenários sobre a compreensão do corpo humano relacionado com o nosso tempo. Ele performou com uma Terceira Mão (Third Hand, 1980), um Braço Estendido (Extended Arm, 2000) e com Robôs de Caminhada de 6 pernas (Muscle Machine, 2003). Ele está construindo cirurgicamente e cultivando células-tronco em uma orelha em seu braço (Ear on arm, 2007). Trabalhando na interface entre o corpo e a máquina, empregando a realidade virtual, robótica, instrumentos médicos, próteses, Internet e biotecnologia, Stelarc está entre as artistas mais célebres do mundo trabalhando no campo da tecnologia aplicada às artes visuais.

Na sexta-feira, dia 16 às 19:00, o artista apresenta Presentation Zombies, Cyborgs and Chimeras – Alternate Anatomical Architectures. A sinopse que livremente traduzimos diz: 

 

Este é um tempo do cadáver, o comatoso e o criogênico. De zumbis, cyborgs e quimeras. O estranho e o assustador proliferam. O corpo é profundamente obsoleto, ausente de sua própria agência, atuando involuntariamente e com indiferença – em lugares remotos. A carne está circulando, a carne é prótese, a carne é fractal e a carne é fantasma. Peles colapsam em telas que geram interfaces de fluido. Nesta era de body hacking, mapeamento de genes, aumento protético, troca de órgãos, transplantes de face, redesignações de gênero, IA e VA, o que significa ser outro, o que gera vida torna-se problemático. Nos espaços liminares da tecno-genética, o corpo é um significante flutuante, nem este nem aquele, aqui nem lá. Uma construção de carne, metal e código.”

 

Os vídeos selecionados para a mostra são:
REWIRED / REMIXED: EVENT FOR DISMEMBERED BODY é uma performance online interativa e  que explora a experiência fisiológica e estética de um corpo fragmentado, distribuído, desincronizado, distraído e involuntário – ligado e sob vigilância. Vestindo um display de cabeça, o artista vê com os olhos de alguém em Londres, ouve com os ouvidos de alguém em Nova York, enquanto simultaneamente, qualquer pessoa, em qualquer lugar pode programar o exoesqueleto com uma interface touch-screen e gerar movimentos involuntários de seu braço direito. A performance foi de 5 dias, 6 horas por dia continuamente. Sua visão foi desconectada de sua audição e seu braço foi desconectado de sua intenção. É como se o corpo tivesse sido eletronicamente desmembrado, espacialmente distribuído e possuído com agência múltipla.

PROPEL: BODY ON ROBOT ARM é uma performance onde a trajetória do corpo, velocidade e posição / orientação no espaço foi coreografada por um braço de robô industrial de 6 graus de liberdade (6DoF se refere a liberdade de movimento de um corpo rígido no espaço tridimensional) operando dentro de um envelope de tarefa de 3m de diâmetro. O som resultante dos motores do robô registra o tipo de movimento, acusticamente amplificando a coreografia. A programação foi feita off-line e transferida para o controlador do robô. A performance foi feita com um dos programadores tendo seu polegar no interruptor de desligar, no caso do robô fazer algo inesperadamente. O corpo e o robô tornam-se um sistema operacional e performático interativo e estético. Quando a coreografia foi concluída, o corpo foi substituído por uma grande escultura de sua orelha. O robô que coreografa a orelha é o mesmo robô que a esculpiu.

EAR ON ARM SUSPENSION é uma performance onde o corpo foi suspenso acima de uma escultura de 4m de comprimento. Dezesseis ganchos foram inseridos ao longo da parte de trás do tronco, braços e pernas para distribuir igualmente o peso do corpo. À medida que se enredava, o corpo assumia todo o seu peso, esticando a pele. Por causa do cabo de aço trançado distorcido ele assumiu o peso total, ele começa a distorcer e o corpo começa a girar, primeiro de uma maneira e depois de outra. O que foi imaginado pela primeira vez como uma performance de 5 minutos acabou sendo de 15 minutos. A performance  foi sobre um contraponto em escala. Um corpo físico inteiro suspenso acima de um fragmento maior do corpo – a orelha em um braço. O corpo se torna um objeto em uma instalação escultural. A performance começou quando o corpo foi levantado da escultura e terminou quando o corpo tocou para baixo.

Além de Stelarc o evento traz outros nomes importantíssimos da body art, tais como Franko B (Itália/UK), ORLAN (França) e Kyrahm (Itália). 

Para saber mais sobre todas as atividades do evento, clique no link abaixo:
http://www.veniceperformanceart.org/

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About T. Angel

No cenário da modificação corporal brasileiro desde 1997, inicialmente como entusiasta e posteriormente atuando no campo da pesquisa. Parte de seu trabalho está incluso no livro "A Modificação Corporal no Brasil - 1980-1990" e grande parte depositada aqui no FRRRKguys.com.br.