Cozinha e tatuagem: a gastronomia abre cada vez mais espaço para os tatuados

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Fotos: divulgação

o-chef-do-restaurante-vito-andre-mifano-1309816327421_615x300(Chef André Mifano por Patricia Stavis / Folhapress)

É notório que a Gastronomia tem se mostrado uma área em constante ascensão no Brasil. Inúmeros cursos de formação e, inclusive de ensino superior, foram criados para atender essa demanda, que só irá aumentar ao passo que o Brasil receberá grandes eventos como a Copa do Mundo e Olimpíadas nos próximos anos.
Junto com a agitação na área e a forte circulação de capital que ela gera, percebemos um fenômeno bastante interessante: a presença de pessoas com tatuagens visíveis atuando profissionalmente.
Ainda hoje sabemos que existe bastante preconceito em relação às pessoas tatuadas no mercado de trabalho. Algumas tantas empresas mais conservadoras ainda seguem não contratando pessoas com esse “perfil”. Porém, a Gastronomia tem se mostrado um campo bastante aberto para receber os profissionais com seus corpos tatuados e inquestionável competência.
Diga-se de passagem, um dos chefs mais importantes do Brasil, Alex Atala, tem os dois braços tatuados e não os esconde. Fora isso, Atala é dono do restaurante D.O.M, considerado em 2012 o 4º melhor restaurante do mundo e o melhor da América Latina segundo a lista World’s 50 best restaurants.
Dando sequência na lista de chefs tatuados e restaurantes importantes em terras brasileiras, temos o André Mifano (chef do Vito), Checho Gonzáles (chef do Ají), Henrique Fogaça (chef do Sal), Benny Novak (chef do Ici Bistrô) como mostra a matéria Cozinha Marcada na Pele da Folha de São Paulo.
Os programas de televisão também colaboram para com o fim do preconceito em relação às pessoas tatuadas na cozinha. O reality show norte americano Top Chef teve lá os seus participantes tatuados em suas temporadas. Assim como o programa brasileiro A Confeitaria (canal Bem Simples), tem o seu chef Diego Lozano, mais um tatuado fazendo coro ao time.

diego lozano(Chef Diego Lozano)

O programa Gourmet Vip (Record ES) recebeu o chef Gustavo Heringer Vigoni justamente em uma matéria que abordava a relação entre tatuagem e cozinha. Ele que – no período em que matéria foi ao ar – trabalhava no restaurante La Pasta Gialla, possui três tatuagens divididas em diferentes partes de seu corpo.

Gustavo_Heringer(chef Gustavo Heringer Vigoni)

Falando ainda sobre os programas televisivos, não poderíamos deixar de mencionar o VegetariRango com o chef Flavio Giusti. O programa se divide entre o Youtube e o a Chef TV e trata especificamente da culinária vegetariana.

293122_10151152093784095_316423544_n(Chef Flavio Giusti)

Mencionamos inúmeros homens, mas as mulheres também marcam presença na cozinha. Não poderíamos deixar de mencionar a paulista Nathalia Soares, graduada em Gastronomia pela Anhembi Morumbi e especialista em comidas veganas, faz grande sucesso com o blog Chubby Vegan, além claro, do inegável sucesso com os seus pratos. Se faz importante mencionar a chef Nathalia, pois além de tatuada a relação dela com a body modification e inclusive com a suspensão corporal são bastante fortes.

Bolo-trufado-1kg-Gisele-3-post(Chef Nathalia Soares)

Não se enganem achando que a aceitação de tatuado(a)s na Gastronomia é exclusiva dos grandes centros. As cidades ao redor do interior paulista tem em suas cozinhas muito(a)s tatuado(a)s trabalhando. A exemplo, na cidade de Limeira temos o chef Fábio Stahl, especialista em panificação e cozinha italiana desde 2009. Gentilmente o chef Stahl nos concedeu uma entrevista falando sobre algumas aventuras na cozinha, inclusive sobre a questão do preconceito.

T. Angel: Qual interesse veio primeiro, o da tatuagem ou da cozinha?
Fabio Stahl: A tatuagem sempre foi uma arte que sempre gostei muito. Por ser do interior, meus limites sempre foram maiores que os meus desejos de como eu gostaria de ser (e ainda assim, não sou como eu gostaria). A cozinha foi uma consequência de muitas coisas que aconteceram no meu dia a dia… Primeiro eu peguei paixão pela panificação e pelas dificuldades de encontrar padeiros e cozinheiros capacitados (ou eram alcóolatras ou sem compromisso, etc…). Eu resolvi então meter a cara e lutar pelo meu ganha pão com minha família. Foi quando resolvi estudar gastronomia italiana em um instituto que uma amiga achou por acaso e me indicou. Achei muito interessante e minha família deu total apoio, até por sermos descendentes…

T. Angel: Ser tatuado te atrapalhou em algum momento da carreira?
Fabio Stahl: No começo sim e até hoje atrapalha. Mas infelizmente o preconceito existe e sempre vai existir. Hoje eu vejo e sinto que meus clientes vão além do que me veem fora do trabalho, pois eu deposito minha vida, minha energia, carinho, dedicação em cima de cada ingrediente, de cada receita que preparo de forma especial. As pessoas notam o amor que tenho por tudo que preparo e esquecem o que é físico aos olhos delas acabam sentindo o que sinto quando preparo e isso me deixa muito feliz…

T. Angel: O que você pensa sobre a cozinha ter se mostrado como um mercado que recebe muito bem as pessoas com modificações corporais?
Fabio Stahl: A tatuagem e a cozinha tem qualidades muitos similares… Tanto um como o outro tem que ter atitude, paixão e culhões pra enfrentar o dia a dia. Eu resumiria dessa forma, talvez depois me venha mais palavras, mas para o momento são essas….

chef mascote tv jornal 1(Chef Fabio Stahl)

Pois bem, é óbvio que não superamos todas as questões de preconceito em relação ao tatuado no mercado de trabalho, mas fica claro com essa quantidade de exemplos, que a culinária é um espaço que tem se preocupado mais com a competência do que quantas tatuagens o profissional deixa de ter ou não.
Esperamos que isso sirva de exemplo para todas as outras áreas que insistem em permanecer na sombra do conservadorismo. Tratemos de fazer jus ao nosso exacerbado senso de evolução.

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